quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
A VIDA NO CAMINHO
#UMCAMINHOPRAANDAR
João 11.1 - 44
Viver no caminho de Jesus e com Jesus no
caminho não isenta o discípulo do sofrimento. O sofrimento está
presente na vida cristã. Se não nos damos bem com o sofrimento, imagine
com a morte. A morte, na linguagem Paulina é a paga e o aguilhão do
pecado. O sofrimento é como um rio que, se não for interrompido o curso,
deságua na morte. E a morte se não for interrompida, também, deságua no
sofrimento. Morte e sofrimento são irmãos na existência humana.
Esses processos – morte e sofrimento –
só podem ser interrompidos por Aquele que disse: Eu sou a ressurreição e
a vida. Isso é amor, graça e milagre. O problema é que a ressurreição
que interrompe a morte e a vida que interrompe o sofrimento acontecem no
tempo de Deus. Na agenda soberana de Jesus. E, no processo, lágrimas e
questionamentos são inevitáveis.
Amor e demora
De modo geral, não lidamos bem com o
sofrimento e nem com a demora do amor de Deus em cessar a dor. Nesse
processo amor e demora aparentemente são antagônicos. É só na aparência,
porque na essência o amor está no sofrimento e o sofrimento está no
amor. Só no Evangelho é que essa dualidade é casada e discernida pelo
discípulo de Jesus.
No sofrimento quem nos ama manda cartas
pra Jesus. Cartas dizendo que aqueles a quem Ele ama podem morrer a
qualquer momento. Essas cartas podem até mesmo não trazer o amor que faz
milagres na hora que queremos, mas demonstram o amor humano. O amor de
gente que tem prazer em interceder pelos que estão em sofrimento. Esse
amor de gente é vida no caminho.
No sofrimento, o amor que faz milagres
demora. Não demora porque não ama. Demora justamente porque ama. É por
amor do que está em sofrimento que a decisão de demorar acontece. Não é
fácil de entender! Mas, também, não é pra entender, é pra viver. Viver
no Caminho. Pois quando o Caminho chega tudo faz sentido.
Agora, saber do amor não cessa o
sofrimento, muito menos a morte, o que acaba com tudo isso é a presença
de Jesus e o seu amor. Mediada pela fé. Porque se creres, verás a glória
de Deus. João 11.40.
Reviver e ressuscitar
Quem se propõe a ter a vida no caminho
precisa entender a diferença entre reviver e ressuscitar. Apesar de
dizermos que Lázaro foi ressuscitado, não foi! O homem que estava morto,
reviveu. Não ressuscitou! Porque se tivesse ressuscitado nunca mais
morreria. Lázaro reviveu para morrer novamente.
A ressurreição tem a ver com o último
dia. Quando aquele que recebeu vida no caminho vai ressuscitar para todo
o sempre. E vai para aquele lugar onde não há sofrimento e morte. Jesus
foi o primeiro a ressuscitar para nunca mais morrer. Na teologia
paulina, Jesus é “as primícias dos que ressuscitaram”. Jesus
ressuscitou, foi assunto aos céus, está à destra de Deus e voltará para a
ressurreição do último dia dos caminhantes da verdade.
Reviver tem a ver com o milagre de
devolver à vida a quem está morto. Mortos que são revividos pela palavra
da vida de Jesus, voltam a morrer, mas serão ressuscitados no último
dia. Foi o que aconteceu com Lázaro.
Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;
E todo aquele que vive, e crê em mim,
nunca morrerá. Crês tu isto? Jesus está dizendo justamente o que faria
com Lázaro. O Reviveria e o ressuscitaria. Pois aquele que morrer em
Jesus, não morre a morte eterna, mas vive eternamente.
É assim a vida no caminho!
Morte e milagre
Lázaro provavelmente chorou, Marta
chorou, Maria chorou, os amigos choraram. Até mesmo Jesus chorou. É
inevitável que o sofrimento e a morte não gerem choro. De modo geral,
além de a morte constranger ao choro, a morte esconde quem amamos da
vida e dos nossos olhos.
Jesus quer ver o morto e a morte. Quer
ver porque Ele é o único que vai vencê-la. Os elementos estão postos
para, de alguma maneira, bloquear o que Jesus vai fazer: o tempo, a
caverna, a pedra, as faixas, a decomposição, a incredulidade e a morte.
Mas nada pode deter a Ressurreição e a vida.
A morte e o sofrimento não podem
resistir a intimidade e a gratidão que o Filho tem com o Pai. Muito
menos o poder de sua palavra. Quando Jesus fala, a morte devolve o seu
morto e Jesus o devolve à vida.
Choro e morte precedem milagre. Jesus
faz assim para crermos e vermos a glória de Deus. Assim faz por amor de
nós. Amor e demora, reviver e ressuscitar, morte e vida são elementos
indispensáveis na construção da espiritualidade dos que se propõe viver
na estrada do que dá a vida no caminho. Assim, vida no caminho é como
Jesus diz: Desligai-o, e deixai-o ir.
A ENTRADA E O GUIA NO CAMINHO
#UMCAMINHOPRAANDAR
(João 10:1-21)
Esta expressão do caminho desenvolve-se a
partir da ultima declaração de Jesus acerca da jornada, ou seja, que
ele é a LUZ DO CAMINHO.
O fato da declaração ocorrer em um
sábado foi suficiente para gerar uma confusão, o que dá início então a
um confronto de Jesus com líderes judeus, mas agora com outra imagem, a
do pastor e de suas ovelhas.
Portanto, o caminho aqui adquire um
contexto mais pessoal e distinto apontando assim para uma intimidade
sutil entre o caminhante e o guia da jornada.
A PORTA DO CAMINHO
Nas aldeias e nos povoados havia currais
de uso comum, nos quais se refugiavam todos os rebanhos da aldeia
quando retornavam de noite. Estes currais eram protegidos por uma porta
muito forte cuja chave estava na mão do guardião da porta e de ninguém
mais. A este tipo de curral que Jesus se refere nos versículos dois e
três.
Mas havia um segundo tipo de aprisco,
que era usado nas estações mais quentes, quando o pastor podia levar as
ovelhas para as colinas, mas sem a possibilidade de retornar a noite. Em
tais épocas, as ovelhas eram reunidas em currais construídos nas
serras, que nada mais eram do que espaços abertos cercados apenas por
uma parede, havendo uma única abertura pela qual entravam e saíam às
ovelhas.
Neste caso era dispensável qualquer tipo
de porta, pois o próprio pastor se deitava através desta abertura e
nenhuma ovelha podia sair ou entrar sem passar por cima dele, assim, no
sentido literal, o pastor era a porta.
Portanto é esta imagem que Jesus tem em mente ao afirmar que ele mesmo é a entrada ao caminho.
A entrada ao caminho se dá no convite
que o próprio caminho faz ao caminhante, mostrando-se a este tanto como
uma entrada às delícias que o caminho propõe quanto uma garantia de
segurança em meio a jornada.
Assim, a porta do caminho é tão viva
quanto tudo aquilo que se pode aproveitar durante a jornada e tão segura
quanto ao destino que o caminho propõe.
O GUIA DO CAMINHO
Após dar ênfase sobre sua condição como a porta de entrada ao caminho, Jesus passa a falar da condução em meio a jornada.
Na Palestina, o único responsável por um
rebanho de ovelhas era o pastor, de maneira que se algo acontecia a
elas, ele tinha que apresentar algum tipo de prova para demonstrar que
não tinha culpa sobre o acontecido.
Portanto, para qualquer pastor, era
comum a ideia de arriscar a vida por seu rebanho e, de às vezes, fazer
algo mais do que arriscar sua vida pelas ovelhas, devia entregar sua
vida por elas.
Isto acontecia em particular quando ladrões ou animais selvagens se aproximavam para atacar o rebanho.
Mas no contexto judaico, o fato de que o
pastor dava a sua vida pelas ovelhas, significa somente que ele estaria
preparado para fazer isto, ou seja, ele deveria jurar esta disposição
ao assumir algum rebanho.
Contudo a morte de pastores por tais
motivos deve ter sido muito rara, e até aquele momento, a intenção do
pastor nunca seria morrer por seu rebanho.
Julgando pela linguagem forte que usa, o
bom pastor e guia da jornada aqui não está disposto a simplesmente
arriscar sua vida pelas ovelhas que estão no caminho, mas a entregá-la
por elas.
Assim, o comprometimento do guia com a
morte é precisamente o que o qualifica para ser o bom pastor e o mentor
dos transeuntes do caminho.
A palavra "bom", usada aqui para
qualificar o guia da jornada, indica que a coisa ou a pessoa não só é
boa, mas também na própria bondade há uma qualidade de atração, de
beleza, que transformam esta bondade em algo perfeito.
Portanto, quando João diz que Jesus é o
bom pastor, aponta nele algo mais que eficiência, define nele a
perfeição, assim, se a bondade do guia do caminho é inerente a sua
natureza chamá-lo de bom é o mesmo que chamá-lo de Deus.
Durante a II Guerra Mundial, quando um avião era atingido e ficava parcialmente danificado, a base enviava-lhe outro avião.
O piloto deste avião recebia o nome de
Pastor, pois tinha a função de cuidar do avião danificado, voando lado a
lado e retornando a base onde o avião avariado estaria a salvo.
O guia da jornada cumpre com perfeição este papel, pois garante aos caminhantes o retorno à segurança do lar.
A LUZ DO CAMINHO
João 9.1-41 #UMCAMINHOPRAANDAR
Ao ser interrogado como tudo havia
acontecido, o cego tenta explicar, como que o problema que o acompanhava
desde seu nascimento em um instante deixa de existir? A resposta foi a
seguinte: “Um homem chamado Jesus”, passou pela sua vida, tocou-o, deu
direção mostrando o que deveria fazer, ensinou o poder transformador que
existe em sua palavra quando a obedecemos, simplesmente um homem
chamado Jesus.
De fato para aqueles que viviam em
trevas apareceu uma grande luz, como diz Merril Frederick Unger; “o
encontro é a ilustração a luz e a iluminação para nova vida que se
encontra em Cristo”. Não foram o lodo e a saliva que realizaram a cura,
mas essas coisas simbolizaram o que fez o poder criativo de Cristo, o
redentor-criador. Quando o judaísmo expulsou o homem curado, lançou-o
nos braços de um Senhor amoroso. Esse sinal, como os outros sinais e
sermões em João, antecipam a posição do verdadeiro cristianismo fora da
esfera do judaísmo.
Teologia de causa e efeito.
Quem pecou? A curiosidade era saber quem
tinha culpa na doença, se era ele mesmo ou os seus pais. Jesus nos
mostra um novo jeito de analisar os problemas humanos, viu os dramas, o
sofrimento, não como um cenário onde os nossos erros são denunciados em
espécie de castigo.
Quando diz que a doença do cego existia
para que “se manifestem nele as obras de Deus”. Fica claro que sua ação é
de transformar as misérias do mundo numa oportunidade de servir e
glorificar a Deus. Em Cristo o homem não encontra alguém que explicará
suas dores como um processo de alivio, se vendo a partir disso como
alguém merecedor da história que vive. Em Cristo somos acolhidos, não
temos apenas uma resposta sobre as dores que carregamos, ele toca em
nossa dor, nos faz livres da culpa, não define nossa miséria como um
signo que será experimentado por toda vida.
Sua missão esta em nos dizer que o mal
que carregamos não tem a última palavra, a última palavra é dele, ao
carregar sobre si todas as nossas dores, esta definido que na cruz os
nossos sofrimentos se tornam dele e o castigo que nos traz a paz repousa
sobre seus ombros.
A Missão de abençoar
“façamos as obras daquele que me
enviou”. A declaração de Jesus esta no plural, sua convocação aos
discípulos é para que eles fossem homens que abençoasse aos outros,
gente que serve, que se inclina diante da necessidade do próximo.
O nosso envolvimento com missão esta na
perspectiva que a Missão é de Deus, nos envolvemos em processos onde
Deus já esta realizando algo. A realização de Deus acontece antes mesmo
de algum movimento nosso. Nosso envolvimento parte da certeza que Deus
já estava fazendo algo, antes mesmo da gente iniciar, e a partir disso
cooperamos com Deus em sua missão de abençoar e transformar o homem.
O convite de Jesus não esta baseado em
uma resolução de problemas, mas, em uma transformação de vida. Ao
perguntar se realmente o cego queria ver, Ele esta levando o cego a
entender toda a transformação e as consequências disso em sua vida. O
único meio de uma pessoa deficiente como ele obter dinheiro ou alguma
coisa era através da mendicância, então Jesus esta tocando em sua fonte
de sustento.
A benção da cura não tem um fim último,
na verdade se tornou um meio para que se cumprisse um propósito maior. A
maravilha do relato de João não se restringe ao milagre, vai um pouco
além, é a confissão do cego sobre o “homem chamado Jesus”, que nos
mostra o fim último do milagre. No verso 38, ele afirmou: “Creio,
Senhor, e o Adorou”. Cristo se torna o objeto de sua fé e adoração.
A missão de Deus em nós e através de
nós, em meio às dores humanas, tem como finalidade nos abençoar para que
possamos abençoar outros, para que depois de tudo realizado brote em
nossos lábios que Ele é o Cristo, a nossa adoração. O milagre da
confissão, e a luz que ilumina o nosso caminho, fazendo com que o “homem
chamado Jesus”, se torne o nosso Messias!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
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