quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Consciência Teológica tem a satisfação de disponibilizar a você uma coletânea de textos alusivos ao Dia do Pastor. Os textos foram publicados na página do Consciência Teológica e editado em formato de PDF para facilitar a leitura.
Faça o download gratuito pelo link https://goo.gl/NBSKet  e faça uma ótima leitura!
Deus os abençoe!
Equipe Consciência Teológica

quarta-feira, 6 de junho de 2018

SEU PASTOR CHOROU: E TALVEZ VOCÊ POSSA SER A CAUSA!


Não existe vocação mais encarnada do que a do pastor. Com encarnada quero dizer que a vocação pastoral é que mais se vive na pele, na carne, os dramas e dilemas da vida. Mesmo sabendo que outras vocações como médico, professor, juiz etc., também vivem e lidam com essas crises, a vocação pastoral vai além, pois as vocações que citei trabalham com o indivíduo aqui, a pastoral além daqui, o pastor é aquele que trabalha, prepara e direciona para além da morte, para a eternidade com Cristo.
            Por ser uma vocação encarnada, um pastor sério, fiel e bíblico muitas vezes sofre e chora, não por ser piegas (em que há um apelo excessivo à comoção, sentimentalismo), não por ser vítima do ministério, e nem mesmo porque é humano sujeito a emoções, mas porque quem vive a vocação pastoral a vive em seu estado pleno e íntegro.
            O Senhor Jesus Cristo o próprio verbo de Deus, a palavra e vida encarnada, viveu também de forma intensa os dilemas da humanidade decaída e corrompida pelo pecado. Jesus como Deus homem também sofreu, sentiu fome e sede, dores, sono, angustias e qualquer outro sintoma próprio do corpo humano, e um dos mais interessantes foi que Jesus chorou. Não muitas vezes como nos relatam as escrituras, uma pela morte de seu amigo Lázaro, outra por perceber a incredulidade do seu povo e país, em Lucas 19:41-44:
Quando se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela e disse: "Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. Virão dias em que os seus inimigos construirão trincheiras contra você, e a rodearão e a cercarão de todos os lados. Também a lançarão por terra, você e os seus filhos. Não deixarão pedra sobre pedra, porque você não reconheceu o tempo em que Deus a visitaria".
O autor aos Hebreus também nos diz no capítulo 5, verso 7: “Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão”. Jesus chora porque era plenamente humano, portanto era dotado de emoções como no casa da morte de seu amigo. Jesus chora por sentir na pele, na sua carne, sua vocação e ministério em submissão ao pai.
É óbvio que não vou comparar nenhum pastor com Jesus, nem Paulo pode ser comparado, Ele o Cristo foi excelente, e nós uma tentativa de cópia. Mas o que está claro é que os pastores submissos a Cristo, também choram por encarnar o ministério pastoral. Choram por muitas vezes verem seus esforços darem em nada. Choram quando caminham, ensinam, gastam tempo e cuidado ao lado de uma ovelha, e no final descobrem que não era ovelha, mas um bode. Choram quando tem a sensação que depois de duas horas de aconselhamento, a ovelha ouvirá a sua voz, mas ele percebe que suas palavras entraram em um ouvido e saíram no outro. Pastores choram quando acreditam que ensinaram as bases da fé cristã, os princípios bíblicos de culto, ética e doutrinas, mas eles descobrem que a ovelha não aprendeu absolutamente nada, e muitas vezes ao contrário.  Pastores choram quando a ovelha simplesmente decide buscar outro “pasto” mais verde, sem mesmo lhe dizer obrigado.
Pastores choram, mas choram sozinhos (não nas redes sociais), mas aos pés da cruz, diante daquele que também chorou, diante daquele que primeiro amou, que primeiro se doou. Assim como Cristo não desistiu, pastores que choram também não desistem, pois não só choram de dor, também choram de alegria ao ver o evangelho transformando e salvando vidas.
Se você conhecer um pastor que chora por causa disso, valorize-o, ame-o, cuide-o, pois seu pastor já chorou, e talvez você possa ser a causa!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Meu pastor virou um modinha!


Sinceramente não sei o que está acontecendo com o meu pastor! Ele não era, e nunca foi assim. Ele já tem uns bons anos de ministério, e desde que o conheço, sempre vi nele uma figura de referência, um homem de Deus, piedoso e de boas obras. Ele visitava suas ovelhas, era modesto e levava uma vida comum como de qualquer irmão. Formado no seminário, era amante das escrituras e da exposição bíblica, dos estudos da palavra e do pastoreio simples. O que quero dizer com simples, era o que conhecíamos, no sentido mais comum no que se refere ao ministério pastoral.

            Meu pastor se “contentava” com a palavra como ela é, sem mais nenhum ingrediente, era apaixonado pela teologia reformada, era dedicado aos estudos e a oração, mas ultimamente não sei o que está acontecendo com ele.

            Ele mudou da água para o vinho, seus discursos não são mais os mesmos, e tudo o que um dia o vimos defendendo, agora é contra, e tudo que era contra agora é a favor. Meu Deus, o que aconteceu com esse servo de Deus?

            Talvez a explicação mais óbvia seja a influência da mídia. O advento da mídia trouxeram coisas boas e ruins ao mesmo tempo. Boas porque estamos ligados a uma espécie de “aldeia global”, onde todos estão interligados e desta forma, as informações mundiais quase que nos chegam em tempo real. A globalização nos aproximou de povos, culturas e nações, e nos permitiu nos relacionarmos com as mesmas. Mas aqui talvez esteja o grande problema, a mídia global também nos apresentou os modos de ser e viver de outras culturas, e dessa forma, o “novo” se tornou extremamente atrativo e tentador, e na questão religiosa e eclesiástica se aplica o mesmo.

            Me parece que talvez tenha sido essa influência que fez meu pastor mudar tanto. Por exemplo, quando o Benny Hinn veio ao Brasil trazendo a “nova” benção, ou a unção do cai cai, meu pastor ficou tão empolgado que começou a querer derrubar os irmãos, passando o seu paletó, assim como fazia o Benny Hinn. Paralelo a isso, na Colômbia o pastor César Castellanos começou a propagar o método mais conhecido como G12, e adivinha? Meu pastor entrou de malas e cuias! E se não bastasse ele mudar tanto os seus princípios, agora ele está deslumbrando com um suposto movimento apostólico que segundo os defensores “recomeçou” a “era apostólica”. Ora pastor, o senhor sempre ensinou que o período apostólico era da igreja primitiva, mas agora o senhor está nos dizendo que a partir da década de 90 e 2000 é o período apostólico? Olha, realmente não estamos te entendendo mais.

            Assim que o movimento G12 começou a sair da moda, outros movimentos apareceram, como o G5, M12, e também o Judaísmo Messiânico. Esse último parece que foi a última pá de cal, pois meu pastor sempre nos ensinou, principalmente na EBD que os rituais do Antigo Testamento foram cumpridos em Cristo, e a igreja agora não precisava observar nem as festas ou rituais judaicos, mas ele agora está fazendo justamente o contrário, é bandeira de Israel pra todo lado, shofar, castiçais, festas judaicas e talit. A minha dúvida é, será que ele vai querer circuncidar-se também? Ora pois.

 Me parece que a cada novidade, meu pastor estava tentando, atirando pra todos os lados, me lembro que até as orações que o Marco Feliciano fazia, ele chegou a copiar, “se tenho crédito contigo no céu”.... dá pra acreditar? A lista é grande, até dos pastores gringos ele tentou copiar alguma coisa, mas vou resumir pra não ficar cansativa essa história.

No meio de toda essa mistura teológica, outro movimento ganhou força e se tornou muito cobiçado, o MDA. Agora pensa a salada, meu pastor se dizia reformado por muitos anos, passou pro G12, dele foi para o “movimento apostólico”, “unções esquisitas”, “judaísmo messiânico”, e agora está no MDA. Meu Deus pastor, o que está acontecendo com o senhor? O senhor disse que o G12 era a “visão” de Deus para os últimos dias da igreja, disse que agora sim o senhor conheceu Jesus, e de repente o senhor abandona o G12 e entra no MDA? Onde o senhor quer chegar? Estamos confusos!

            O ministério pastoral do meu pastor mudou radicalmente, não só na teologia, que agora ele é claramente um neopentecostal, mas na sua forma de ser também. Começou a usar uns termos que antes não se via em seu vocabulário, um dos jargões mais preferidos dele agora é o uso do termo profético, ele adiciona essa palavra a tudo, tudo agora é profético, se tornou como algo mágico, algo místico, dizer que é profético parece que ganha validade espiritual. Os termos não param por aí, é “tremendo”, vai ser “power”, é “forte”, “chamo a existência”, eu “determino”, eu “declaro”, eu “libero” ou vou “liberar” a benção”, “meus discípulos”, etc.

            Infelizmente meu pastor mudou, só ele não percebeu. Ele já não é mais acessível, antes estava disponível sempre, sempre tomávamos tereré juntos, mas agora pra encontrá-lo só por meio da sua secretária. Ele chegava antes de todos no culto, ele que abria a igreja, agora ele só chega depois que o louvor começou. Ele era bem modesto e reservado, agora a mídia é a maior parceira do seu ministério, seu nome está em todos os lugares. Ele já não é um homem do povo, já não tem mais cheiro de ovelha, já não frequente pequenas reuniões, pequenos públicos não o agradam mais.

            Certo dia tentei dizer a ele que ele havia mudado como eu disse acima, da água pro vinho, mas quando comecei falar, ele me interrompeu dizendo que eu era arcaico, tradicional, frio e que a letra estava me matando. Mas eu disse a ele que ele mesmo nos havia ensinado a ser desta forma, e por que mudou agora? Ele disse que os tempos mudaram, a igreja é outra e que deveríamos nos adequar aos novos tempos e modelos. Mas ainda assim não me convenceu, continuei a lembrá-lo de suas exposições bíblicas, suas convicções teológicas e então ele me disse que eu não estava pronto para entender a “visão”, e se caso eu não me adequasse a esse novo modelo de igreja e ministério, eu poderia procurar outra igreja.

            Não acreditei quando ouvi isso. Como uma pessoa pode sair de um extremo ao outro? Já não nos havia advertido o apóstolo Paulo em Efésios 4.14 “O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro”.

            Depois de tudo isso, com tamanha influência da mídia e os novos modelos eclesiásticos, descobri que meu pastor virou um modinha! Quanta saudades temos de quando ele era um pastor simples, e centrado na palavra!

Pastor, volte a suas raízes, volte ao primeiro amor, suas ovelhas estão confusas. “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Ap. 2:5

Atenção: Qualquer semelhança desse desabafo com a realidade, é mera coincidência!


Obrigado!

quarta-feira, 14 de março de 2018

O líder Miojo!


            O líder miojo é aquele que em 3 minutos já está pronto!
            Essa frase é a que melhor sintetiza a inclusão de crentes neófitos a uma liderança, seja ela qual for. O irmão(a) “acabou” de se converter e já recebe oportunidade para liderar. Ele está animado, empolgado, no calor do primeiro amor, e seus superiores acreditam que isso é o que importa, isso é o suficiente para que o novato exerça liderança.
            A maior causa do nascimento do líder miojo, é o líder (superior) sem critérios, sem bases, sem cautela. Esses muitas vezes acreditam que dar uma liderança, ou como comumente é chamado, o famoso “cargo”, segurará o novo crente na igreja. Um cargo para o empresário, para o famoso, para o influente será a melhor isca para segurá-lo na igreja. Infelizmente a ascensão do líder miojo se dá na maioria dos casos, nas classes sociais que acabo de citar. E não vemos o mesmo com os pobres, estes precisam ser provados, testados, e treinados para então, após isso receber uma liderança, e se receber.
            O irmão pobre está a tempos sonhando em de alguma forma servir na igreja, ou até mesmo liderar, mas ele não tem oportunidade. Daí se converte um famoso, o prefeito da cidade, o médico etc, esses automaticamente são elevados aos postos de liderança, enquanto o irmão pobre fica a mercê. Esse tipo de atitude demonstra claramente que os lideres superiores nesse caso, são lobos interesseiros, parciais e injustos. O mesmo se dá com alguém que já é líder miojo quando sai da igreja, ele chega e já sobe direto pro altar da nova igreja. Você já viu isso, ou estou exagerando?
            Quem não viu no Brasil o Rener que fazia dupla com o Rick & Rener? Ele anunciou que se converteu em um dia, e no mesmo já publicou que agora cantaria música “gospel”. A lista é grande, o Naldo disse que havia se convertido e iria cantar música gospel, esse graças a Deus não cantou rs... Há tantos outros pela sua influência, fama ou poder aquisitivo pegam o bonde andando e já sentam na janela, esses são os famosos lideres miojo, apenas três minutos e já estão prontos.
            A palavra do Senhor nos diz, que o Senhor Jesus chama os seus doze discípulos e anda, vive, treina, ensina, aconselha por pelo menos três anos e meio, e ao final desse maravilhoso curso intensivo de Jesus, percebemos que muitos ainda não estavam realmente prontos.
            Os apóstolos em Atos 6 precisam resolver o problema da distribuição diária das viúvas (uma espécie de assistência social), eles sabem que não poderiam tomar mais esse encargo, então eles escolhem a dedo, 7 homens para essa liderança, “Por isso, irmãos, escolham entre vocês sete homens de confiança, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, e nós entregaremos esse serviço a eles” At. 6.3. Havia critérios, havia bases e requisitos básicos para se tornar líder, não era para quem queria, era para quem se encaixava no perfil proposto pelos apóstolos.
        O Apóstolo Paulo se converte em Atos 9, vai pra casa de Judas, e Ananias ora por ele para que recuperasse a visão. Paulo é batizado, fica alguns dias em Damasco, e no verso 20 diz que Paulo pregava a Jesus, E começou imediatamente a anunciar Jesus nas sinagogas, dizendo: — Jesus é o Filho de Deus”. O leitor prontamente será induzido a pensar que Paulo “acabou” de se converter e já saiu pregando o Evangelho. Entendemos que entre o versículo 19 e 20 de Atos 9, há pelo menos um espaço de 3 anos, onde o próprio apóstolo responde em Gálatas 1.17-18, “Tampouco subi a Jerusalém para ver os que já eram apóstolos antes de mim, mas de imediato parti para a Arábia e voltei outra vez a Damasco. Depois de três anos, subi a Jerusalém para conhecer Pedro pessoalmente e estive com ele quinze dias”. Ora, se o Apóstolo Paulo quisesse, esse já tinha Know How para tal, pois o mesmo se excedia em muito no Judaísmo, ele já tinha um conhecimento admirável, mas não quis, ele entendia que era melhor se preparar primeiro, para depois se dedicar a tão nobre missão.
            O que quero deixar claro, não é que quem acabou de se converter, não possa falar daquilo que Jesus fez em sua vida. O que está em pauta aqui, é a liderança. Neófitos (novos convertidos), não podem liderar, senão será um cego, guiando outro cego. Paulo diz sobre os requisitos de um bispo, você pode ler desde o primeiro versículo, mas ele cita nossa afirmação no verso 6, “Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o Diabo” 1Tm. 3.6.
            Independentemente da posição social que a pessoa ocupa, ela deve ser discipulada, preparada, treinada, habilitada, capacitada, experimentada, para depois assumir algum tipo de liderança. Precisamos preparar aqueles que desejam servir a noiva de Cristo, e não mais formarmos líderes miojo, pois um líder não se forma em 3 minutos, quiçá, 3 anos...


Obrigado!

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