terça-feira, 30 de março de 2021

Por que é tão difícil crer no amor?

 

Amor fácil, rápido e tranquilo, só mesmo nos filmes de Hollywood. Fora isso, amar é dificuldade na certa, ainda mais quando as referências do que é amor e ser amado são manchadas por questões familiares, das quais não conseguimos entender, nem mesmo quando somos adultos. A fase em que mais precisamos ser amados, e termos um referencial de amor, pode ser extremamente prejudicada pelo ambiente em que se vive. A criança indefesa, à espera de um colo, de um aconchego, de um abraço, e de afirmação, pode ter seu imaginário e inconsciente destruído por aqueles que deveriam prover não só o pão de cada dia, mas também o amor. Vale lembrar que estes mesmos que não proveram o amor, ou acharam que proveram, não o fizeram intencionalmente, mas sempre inconscientemente, dos quais não se lembram, e se forem lembrados, se negam, e negarão até o fim. Sendo assim, “quem pecou?” a criança ou seus pais? Nenhum dos dois, mas foi assim, para que se manifeste a glória de Deus.

                A medida que a criança cresce ela pode desenvolver um trauma por falta de referência do que é amor. Se eu não sei o que é amor, nunca saberei quando de fato for amado, e logo, também não saberei amar. O amor sempre será uma dúvida cruel no coração daqueles que foram desprovidos dessa referência.

                Quando somos amados “demais”, quando somos benquistos pelos outros, desconfiamos imediatamente, pois se nunca fui amado assim, por que estou sendo agora? E se desconfio do amor alheio, me fecho, me tranco (a exemplo de uma ostra), me bloqueio, me travo, me questiono a ponto de desconfiar do meu próprio potencial de ser amado. É como se eu não pudesse ou não tivesse o direito de ser amado, e quando isso acontece, é algo incomum, algo paradoxal, e não regra. É como se eu tentasse gritar para as pessoas, “pare de querer me amar, eu não tenho direito de ser amado(a)”, procure outra pessoa digna de ser, pois eu não o sou.

                O inverso também é um problema, quando somos amados de “menos”, ou não somos amados, isso também nos faz mal, pois apenas ratifica e apunhala nossa ferida, fazendo-a sangrar ainda mais. E quando ela começa sangrar, eu não quero estancá-la, nessa hora, eu quero mesmo é que todo o sangue escorra, e que eu morra, já que, que vantagem, ou alegria se tem em uma vida onde se não é amado?

                O cético ao amor sofre, sofre porque não teve referências de amor, e por isso, fica difícil em acreditar no amor. Também sofre porque quando é amado, duvida de si mesmo, e também duvida do amor do outro.

                Porém, não é apenas o cético ao amor que sofre, sofre também os que amam o cético. Sofrem porque estão sempre buscando tentativas de “provar”, primeiro, que o amor existe, que o amor é verdadeiro, que é possível ser feliz, que é possível ser amado. Quem ama o cético também sofre, porque sempre seu amor é colocado em dúvida. Nunca seu amor é crido, nunca seu amor é totalmente aceito, seu amor sempre será visto com ressalvas, com interesses, com segundas intenções e coisas do tipo.

                A vida do cético, e também a vida de quem ama é difícil de fato. Não ter tido uma criação com referências abundantes de amor podem de fato causar ceticismo a qualquer um. Mas para curar um cético, Deus dá crédulos no amor. Com essa mistura, entre ceticismo e credulidade, haverá uma balança sóbria e racional do amor. Nem demais para não parecer pieguice, e nem de menos, para não parecer frivolidade.

                O Senhor Deus dá uma palavra a todos os seres humanos, tanto aqueles que passaram por problemas de referências de amor, quanto aos que não, essa palavra está em 1.Co. 13.4-7: “4 O amor é paciente e bondoso. O amor não é ciumento, nem presunçoso. Não é orgulhoso, 5nem grosseiro. Não exige que as coisas sejam à sua maneira. Não é irritável, nem rancoroso. 6Não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade. 7O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém firme”.

                Chegará um dia, em que o cético será convertido totalmente em amor, e nada mais atrapalhará aquilo que Deus preparou para o coração daqueles que deixaram pai e mãe e se uniram a seu esposo(a).

quinta-feira, 11 de março de 2021

O Filósofo e o Cacique!

 

Já era noite quando chegamos à aldeia. Éramos um grupo entre curiosos, pesquisadores, turistas, e eu estava no meio, talvez eu me incluiria entre o grupo dos curiosos. A equipe foi dividida entre as ocas, estávamos muito cansados pela viagem, sobretudo pela extensa estrada de chão. Como estava muito escuro, não dava pra saber de fato onde estávamos, em qual oca, quem eram as famílias que nela habitavam. Como não acompanhei toda a equipe, passo então a falar de mim, da minha experiência.

            Por algum motivo, talvez coincidência ou algo simplesmente aleatório, eu acabei ficando justamente na oca do Cacique, do chefe de toda a aldeia, mas isso eu só pude saber no outro dia. Fui direcionado a uma rede para dormir, emprestada por um jovem, filho do Cacique, Yariri era o nome dele, muito simpático, e falava português, coisa que a maioria da aldeia não. Quando cheguei a rede, eu estava um tanto preocupado entre o que fazer e não fazer naquele lugar, medo de “errar” em alguma coisa. Eu percebia olhos fitos em mim, com ar de espanto e assombro, a semelhança dos primeiros filósofos quando pensavam acerca da vida. Como eu queria fazer o mínimo de barulho e movimentos possíveis para não chamar a atenção, deixei minha mochila no chão, e me deitei.

            A ansiedade tomava conta do meu coração, juntamente com a fome e cansaço. Eu queria dormir, mas o sono não vinha, pois meus pensamentos assaltavam minha mente, pois não parava de imaginar como seria o outro dia. Como eu deveria me comportar, falar, perguntar? Enfim, um misto de ansiedade e euforia estavam em mim naquele momento.

            Peguei no sono, não sei que horas eram, já que estava sem relógio, e o celular desliguei, para que eu não me remetesse a ele, até porque na aldeia, tão distante da cidade, não tinha sinal de internet. Isso eu achei bom, pois seria uma forma de eu me desligar do mundo “real” e imergir na cultura indígena. Nessa noite não me lembro de ter sonhado, mas ainda estava escuro quando percebi a movimentação na oca. Os indígenas falavam no seu idioma, e eu sem saber absolutamente nada do que estavam falando. Também, quem manda estudar filosofia, se estivesse estudado linguística e se aprofundado em antropologia, talvez teria melhores chances. Bom, mas isso agora não vem ao caso. A movimentação aumentava, e uma voz distinta ecoou na oca, como que se fosse uma ordem, assim deduzi, porque todos começaram a acompanhar o cacique. E eu sem saber o que fazer, fui junto.

Minhas inquietações e estranhamento com os indígenas começou logo àquela hora. No melhor do sono eles estavam levantando, e eram todos, digo todos porque mesmo que escuro, quando saímos da oca, haviam velhos, homens, jovens e crianças, ou seja, todos se levantaram sob a ordem do cacique. Postos a fora, o cacique foi a frente, e os pertencentes daquela oca atrás, e eu, junto. Quando olhei para o lado e para trás, vinham também outros indígenas de outras ocas, e os participantes do meu grupo juntos. Eu porém, fiquei sempre perto do Yariri, o filho do cacique, já que ele apesar de bem jovem, falava português, o que me ajudaria e muito ali. Na caminhada percebi que estávamos indo para um rio, ao fundo da aldeia, talvez uns 200 metros mais ou menos. Quando eu vi o rio, imediatamente me veio um insight, não é possível que os indígenas vão tomar banho a essa hora, quando o sol ainda nem saiu. E diga-se de passagem, estava friozinho, e eu só pensava em continuar dormindo, e quando acordasse para tomar banho, que fosse em um chuveiro quente. Mas como nem energia elétrica havia na aldeia, longe estava eu de um banho quente. A medida que caminhávamos, o dia amanhecia, então presumi que deveria ser umas 5 horas da manhã, e pensei, isso só pode ser coisa de doido, quem em sã consciência vai tomar banho as 5 da manhã, e ainda banho de rio? Com velhos e crianças ainda, até mesmo bebês de colo. O que me intrigou é que eles estavam sãos em suas consciências sim, para mim é que era estranho. Chegando no rio, todos correram e pularam, felizes, animados, sorrindo, e sempre falantes. Eu não pulei no rio não, entrei de ponta de pés, me tremendo todo. Quando eu estava no rio, pensei, cadê o sabonete? Perguntei ao Yariri sobre isso, ele apenas sorriu, e perguntou, sabonete? Sorriu novamente. Eu então fiz como eles fizeram, passei a mão no corpo e tentei imitá-los o máximo possível.

            Acabando o banho, voltamos a aldeia, cada grupo para sua oca, e eu fiquei pensando, que agora seria o café da manhã. Como não vi nenhuma vaca naquele lugar, logo inferi que não haveria leite pra mim. Tá bom, talvez um café ou chá, ou um pão francês. Nada disso. Meus costumes urbanos nada tinham a ver com o dia a dia da aldeia. Os indígenas da oca em que eu estava, se dirigiram para o fundo da oca, lá havia um fogo aceso, e as senhoras indígenas preparam a tapioca, que minha finada mãe chamava de biju. Pensei, opa, biju é bom. Foi servido biju (tapioca) a todos, e eu comi bastante. A tapioca deles não era apenas do tamanho de um prato de cozinha, era muito grande, talvez umas 15 polegadas de diâmetro, o que alimentava bastante gente. Tapioca tinha, mas nada para beber de acompanhamento, nem café, nem chá, muito menos leite. Tudo bem, eu estou na aldeia, preciso fazer minha alteridade[1]. Após esse momento do “café da manhã”, cada um foi fazer alguma coisa. As crianças foram brincar, as mulheres foram fazer artesanato, as senhoras foram ralar mandioca para deixar preparado massa para tapioca, os homens saíram, creio que caçar, e os jovens ficaram por ali, alguns nas redes, e outros fazendo artesanatos também.

            O sol esquentou muito, e eu já estava perdido no tempo, não sabia que horas eram, e naquela altura eu só pensava no almoço. Passou muito tempo, e não via ninguém “batendo panelas”, para almoçarmos. Passou muito tempo, e eu estava com muita fome, mas com vergonha de pedir. O que percebi, é que eles não tinham um horário para comer regularmente, como por exemplo, almoçar ao meio dia. Cada um ia lá na “cozinha” e pegava um pedaço de tapioca e comia. Yariri me disse que geralmente eles comem alguma carne de caça, ou peixe com tapioca. Mas até aquele momento não havia aparecido nenhuma caça, nem mesmo peixe. Eles tinham um sal feito de algas do rio, misturado com pimenta kumari, bem saborosa, porém ardida. Eu que era visitante pensei, mas que modos estranhos tem esses indígenas, não prepararam “nada” para o visitante, se fosse na minha casa, eu teria feito um almoço para eles.

            Passado o tempo, o sol já começava a se por, e a medida que se punha, cada um procurava sua oca, quando escureceu, já estava cada um na sua rede. Nesse dia, a alimentação foi a tapioca, água em um pote de barro feito pelos próprios indígenas, que se tomava com uma concha feita de cabaça. Banheiro, bom deixa pra lá....

            Estava eu novamente na rede, agora com mais perguntas do que respostas. Uma coisa que foi fácil descobrir, é que eles se orientavam pelo sol e pela lua. Próximo de sair o sol, era o banho, e dia de sol significava trabalho, e quando a noite chega, significa dormir. Mas dormir tão cedo? Imagino que deveria ser umas 19h, segundo meu horário biológico, e deve ser por isso que acordam tão cedo e tão dispostos. Pensei, amanhã na hora do serviço dos homens, vou me aproximar do cacique, e pedirei ao Yariri para ser meu intérprete.

            Bem de manhã, antes do sol sair, o ciclo se repetia, vozes em língua indígena, movimentação, marcha pro rio, banho, tapioca e artesanato. Eu já sabia como era, então foi mais fácil naquele dia. Me aproximei de onde o cacique estava, e sentei perto dele. Fiquei um tanto desconfortável, por que não só ele, mas todos estavam nus, e eu não fiquei a vontade de fazer o mesmo, assim, fiquei apenas de calção, bem simples. Eles estavam nus, e não se envergonhavam. Isso me fez lembrar imediatamente o Gênesis, a respeito da história de Adão e Eva. Mas quem estava com vergonha era eu, principalmente em relação as mulheres, pois estavam nuas, e era absolutamente normal para elas, o que me constrangia.

            Quando estava ao lado do cacique, chamei Yariri para me interpretar. Perguntei ao cacique que dia era hoje? Yariri falou com ele no idioma, e o cacique me respondeu com outra pergunta, o que é o dia. Pronto, agora o cacique vai querer discutir filosofia comigo. Ele apenas sorriu quando me devolveu a pergunta. Falei então pra ele, ora dia, dia de 24 horas, o tempo. Quando meu interprete falou isso pra ele, ele novamente me respondeu com outra pergunta, o que é tempo. Agora você apelou, pensei. Como assim, o que é o tempo? O tempo é o tempo “ué”. Não adiantou nada minha resposta. O cacique disse que para os indígenas não existem dias, semanas, meses ou anos, não existem feriados, domingos nem segundas, todos os dias são dias, todos os dias são únicos. Eu imediatamente cocei a cabeça e a barba, com uma clara sensação de inquietação, e fiquei pensando, olhando fixamente para o cacique, seu filho, e para toda aldeia. Como assim não existe dia, e o que é o dia? Perguntei novamente ao cacique, o que era o dia, ele respondeu, hoje, e sorriu.

            No meio dos meus questionamentos, alguém chamou o cacique, e ele teve que sair. Fiz mais algumas perguntas ao Yariri a respeito da sua cosmovisão indígena, costumes, crenças e cultura etc. Mesmo que estavam trabalhando, me levantei, e fui pra minha rede. Deitado elucubrei até a tardezinha. Fiquei pensando nas duas perguntas do cacique para mim, e ponderei que ele entendia mais de filosofia que eu. Mas ele não estudou filosofia, como sabe mais que eu que a estudo? As perguntas do cacique de alguma forma “desmontaram” minhas teorias. Elas fizeram uma espécie de virada espistemológica[2]. O cacique era kantiano[3], não que ele soubesse disso, mas as ideias de Kant estavam presentes na mentalidade de um povo remoto, quase que isolado da “civilização” (civilização entre aspas, pois agora já não sei o que de fato é civilização). Para Kant, o tempo é apenas uma categoria mental, é uma representação para termos referência de um ponto ao outro, de início e fim etc. Para Kant, o tempo é construído no imaginário do homem, o tempo não existe, ele é uma representação, uma ideia de referência.

            Agora que tive que dar a mão à palmatória de Kant, voltei a pensar na rotina dos indígenas. E o que mais me intrigou foi que eles não usam o conceito de tempo. Para eles, qualquer dia é dia. Qualquer dia é domingo, ou quinta, ou sábado, tanto faz. Eles não fazem usos de agendas, anotações ou calendários. A única referência é o sol e a lua, o dia e noite, fora isso, é hoje, hoje é hoje. Eles não tem preocupações com o amanhã, com o devir[4], eles não tem horas, compromissos, reuniões, eles vivem. Diante de cada reflexão, novas perguntas nasciam. O que é viver? Como viver? Como ser feliz? A equipe por exemplo que veio visitar a aldeia, todos de nós, temos muitos afazeres. Hora para chegar e hora para ir. Agendas, atividades, compromissos, prestações de contas, prazos etc. Cada um de nós quando voltarmos para nossas casas, se encontrará com pilhas de papel, boletos, e-mails, mensagens etc. Sendo assim, isso é que é vida? Eu que cheguei até a aldeia desprezando-os em meu coração, agora estou convencido de que eles vivem, e nós existimos. Eles desfrutam o hoje, eles não tomam remédios para ansiedade, eles não tem crises de pânico, nunca ouviram, e nem ouvirão o que é um rivotril[5], enquanto nós “modernos”, “civilizados” estamos dopados tentando arranjar forças, para darmos conta do bendito tempo, enquanto eles não se preocupam com isso.

            Três dias na aldeia, e apenas duas perguntas do cacique, foram suficientes para eu poder rever minha própria vida e conceitos. Cheguei naquela aldeia com pré-conceitos, pré-julgamentos, e como todo “branco” urbano, me sentindo mais “desenvolvido”, “avançado” que os indígenas, mas descobri que estamos absolutamente atrasados em relação a vida. O contraste entre o filósofo e o cacique, foi o paralelo entre o conhecimento e a sabedoria. Eu de fato me arrogava com muito conhecimento, enquanto os indígenas eram apenas analfabetos, mas descobri que inteligência e sabedoria são coisas totalmente diferentes. Eles não foram para uma escola regular, muito menos uma faculdade, mas a sabedoria demonstrada em relação a vida, me deixou impressionado, perplexo, boquiaberto.

            A estada na aldeia, não foi boa confesso, por conta daquilo que eu considerava como conforto e importante, como cama, mesa e banho. Contudo, essa foi uma das melhores viagens e experiências da minha vida, sobretudo por ter conhecido aquele povo, e o cacique. A partir de então, continuei a viver na cidade, a ter compromissos, mas agora com muito menos ansiedade, passei a dar mais e menos valor ao tempo. Mais valor porque o hoje é importante, o amanhã talvez não existirá, e menos porque independente do que eu faça, de quantas agendas e compromissos eu tenha, o “tempo” passará igual. Aqueles três dias, foram a escola da vida, onde o cacique ensinou o filósofo!



[1] O conceito de alteridade refere-se ao processo de interação e socialização humana no convívio entre o “eu” e o “outro”. https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/conceito-alteridade.htm

[2] A epistemologia é o ramo da filosofia que se ocupa do estudo da natureza do conhecimento, da justificação e da racionalidade da crença e dos sistemas de crenças, em outras palavras, de toda a Teoria do Conhecimento. https://www.infoescola.com/filosofia/epistemologia

[3] Quem concorda com as ideias do Filósofo alemão, Immanuel Kant.

[4] Passar a ser; fazer existir; tornar-se ou transformar-se. https://www.dicio.com.br/devir

[5] O clonazepam pertence a uma classe farmacológica conhecida como benzodiazepinas, que possuem como principais propriedades inibição leve das funções do sistema nervoso central permitindo assim uma ação anticonvulsivante, alguma sedação, relaxamento muscular e efeito tranquilizante. Em estudos feitos em animais o medicamento inibiu crises convulsivas de diferentes tipos, devido a sua ação diretamente sobre o foco epiléptico e também por impedir que este interfira na função do restante do sistema nervoso.[2] É comercializado pelo laboratório Roche com o nome de Rivotril ou Navotrax na Europa, Ásia, América latina e Oceania e Klonopin nos Estados Unidos. Em maio de 2009, o clonazepam era o medicamento de tarja preta mais vendido do Brasil.[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Clonazepam

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

A IMPORTÂNCIA DA ATUALIZAÇÃO NO MINISTÉRIO PASTORAL

Há quem diga que servir a Deus nos tempos de Pedro ou Paulo era mais fácil, talvez por acreditar que as manifestações de Deus eram mais frequentes, e com isso havia mais “poder” de Deus à disposição da igreja e de seu povo. Porém, na prática, o que percebemos é que não era tão fácil, ou mais fácil que hoje. É um engano pensar que a nascente igreja vivia em perfeita harmonia e paz, pois além das questões internas, ainda havia as perseguições impostas aos crentes pelo Estado Romano, e quando eram pegos, poderiam ser chicoteados e até mesmo levados à morte.

Mas, e ser pastor nos dias de Paulo? Pastorear sob pressão não é bom nem naquele, nem no tempo presente. Contudo, naquele, a pressão dizia respeito a “clandestinidade” da fé, uma vez que esta era considerada uma ameaça à pax romana, e transgressora da ordem. Pastorear sob a influência do judaísmo e da filosofia grega, principalmente o Epicurismo e o Estoicismo (cf. At. 17.18), também era um grande desafio, principalmente para sustentar doutrinariamente o Cristo ressurreto. Outro problema daquele tempo, era a questão logística, e a grande demora em que as informações se desenvolviam. Paulo, provavelmente foi o que mais sentiu as dificuldades do pastoreio epistolar, ou em forma de missivas, dado a grande demora que estas exigiam para chegar ao destinatário, em média de dois a três meses, dependendo da localidade.

Porém, não estamos nos dias de Paulo, mais de 2 mil anos se passaram, e mudanças sem precedentes aconteceram, passando a exigir uma nova didática, novos competências e diversificados talentos para este novo tempo, sem, contudo, perder a essência da palavra de Deus. De certa forma, podemos dizer que o ministério pastoral precisou ser atualizado, reformulado, reciclado e renovado.

Podemos perceber as mudanças impostas ao ministério pastoral, na medida em que a sociedade muda e se transforma. Se pensarmos a sociedade brasileira nos últimos 50 anos, veremos nitidamente essas transformações. Nas décadas de 1970/80, tínhamos uma igreja de modo geral ascética, quase separada totalmente do mundo, com particular ênfase na questão dos usos e costumes e com um apelo direcionado às questões escatológicas. Nesse período, muitas pessoas ainda viviam na área rural, havia pouca e lenta comunicação, onde algumas igrejas utilizavam-se apenas o rádio como forma de propagação do evangelho, pois a TV era considerada um instrumento não sacro.

A partir da década de 1990, a televisão se tornou um item indispensável na casa dos brasileiros, tornando-se um grande desafio para as igrejas e os pastores, pois nas décadas anteriores a mesma era vista como anátema, mas, no período pós década de 90, ela passou a ser utilizada como canal de propagação do Evangelho. O pastor por sua vez, em relação ao uso da televisão, por parte dos crentes, oscilava entre o sagrado e o profano, todavia, seriam as decisões de sua denominação que validariam ou não o uso desse eletrônico.

Cabe destacar, que as principais mudanças aconteceram, a partir dos anos 2000. Com o advento da internet e com a popularização do celular a comunicação entre o pastor e suas ovelhas foi facilitada. O processo de adaptação do pastor às novas tecnologias de informação e comunicação foi desafiador. Com o surgimento das redes sociais, aplicativos de mensagens e a velocidade das informações, o pastor foi desafiado, sob pena de tornar-se obsoleto, a acompanhar as modificações tecnológicas e delas se apropriar, tanto na espera da vida pessoal quanto ministerial.

O pastor, além do dever de cultivar uma vida devocional abundante, ser dedicado ao estudo da Palavra e cortês no trato com o rebanho, precisa também estar atento às novas tecnológicas da chamada era digital. Em um mundo onde tudo se transforma velozmente, o pastor precisa gerenciar até mesmo o que acontece nos grupos de aplicativos, como o Telegram e WhatsApp da igreja, estar atento ao que está sendo veiculado na mídia, saber qual o assunto do momento, etc. São as novas demandas do ministério pastoral.

O pastoreio no século XXI nos levou a uma necessidade de atualização ministerial jamais imaginada. Cabe salientar, entretanto, que a essência do chamado pastoral continua estritamente o mesmo, o que mudou foi a forma como o pastor interage hoje com suas ovelhas. Ele tem de pastorear e ao mesmo tempo “competir” de modo digital. Ele foi desafiado a ir para as redes sociais e publicizar os eventos e o andamento de sua igreja. Isso acabou por abençoar a vida de muitas pessoas que, de alguma forma, não poderiam ir à igreja e, com as mídias sociais, passaram a ter um acesso virtual. No entanto, a competição reside no fato de que a era digital apresentou novas possiblidades eclesiásticas e mesmo pastorais para os fiéis, que estão se tornando cada vez mais exigentes.

Podemos concluir, portanto, que se a essência do ministério pastoral e o seu conteúdo continuam inalteráveis, o que deve ser mudado é a forma de como o pastor vai interagir com esse conteúdo, sobretudo, como poderá utilizar as ferramentas do nosso tempo, em prol ao Reino de Deus? O conselho de Paulo aos Efésios pode nos ajudar, Efésios 5.15- 16: “Portanto, sejam cuidadosos em seu modo de vida. Não vivam como insensatos, mas como sábios. Aproveitem ao máximo todas as oportunidades nestes dias maus”.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

O mascarado!

 

O mascarado é hipócrita. Ele troca de máscara conforme a necessidade ou a conveniência. É bajulador de seus superiores, mas arrogante com os que lhe são subalternos. É rápido em indicar defeitos, mas tem dificuldade em apontar soluções. Assume compromissos que não terá condições de cumprir, por uma dificuldade absurda de dizer “não”. Sente que é perseguido e prejudicado por todos, mas não aceita quando lhe acusam de ser difamador, maquiavélico e invejoso. Demonstra, em todo tempo, certo vitimismo, e um forte complexo de inferioridade. Lida muito mal com as críticas e, principalmente, com o sucesso do colega. Quer muito ser rei, mas nem sequer pensa em cuidar do rebanho que lhe está na mão, enquanto outros desfilam suas virtudes diante ‘do profeta’ e seguem na senda da vitória e do reconhecimento de seu bom e satisfatório trabalho, diante de Deus.
    Uma identidade saudável e verdadeira é prerrogativa essencial para quem quer ser útil e fazer a diferença onde está inserido. É preciso jogar as máscaras fora. É preciso vencer o medo da rejeição, do abandono e da desvalorização. É preciso deixar de ser refém da demanda pelo amor e o reconhecimento dos outros.
 
Gomes & Cobianchi

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

OS JOVENS SUMIRAM!


Hoje restam poucos que não tiveram sua fé "abalada", e que não sumiram.

Alguns sumiram porque agora estão estudando, mas pediram a Deus que abrisse uma porta para que passasse na faculdade. Uma dúvida, tem aula aos sábados e domingos? Se tiver, então justifica-se o sumiço.

Alguns sumiram porque tentaram "evangelizar" aquela moça ou rapaz não crente, e no final, eles que foram "evangelizados" para os barzinhos, para o sexo antes do casamento, para o álcool, narguile, drogas ou qualquer outro tipo de entretenimento, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque esse negócio de Pg, célula, reunião nas casas é muito complicado, pois moravam muito longe dos locais de encontro, por isso sumiram.

Alguns sumiram porque já não tinha mais as "festinhas" os lanches e churrasquinhos, as canções agitadas, os cultos temáticos (mega power plus) pois os pastores só querem ensinar a palavra e orar, e isso é muito monótono e enjoativo, por isso sumiram.

Alguns sumiram, porque o retiro ou a festa dos jovens acontece apenas uma vez por ano, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque os pastores não mandaram mensagens pra eles, não foram visitá-los, "não se importaram com eles", não foram buscá-los em casa, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque todo sábado era absolutamente igual, louvor, oração e palavra, e por isso desejaram respirar novos "ares", conhecer novas igrejas, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque estão trabalhando demais, e no sábado e domingo é dia de descansar, pois, eles também são filhos de Deus, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque chegou a pandemia, e é muito perigoso pegar corona vírus na igreja, mas ele vai ao mercado, ao banco, a lanchonetes, cachoeiras, clubes, mas na igreja pega corona vírus, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque não estava tendo mais culto nos sábados, pois os pastores só estavam fazendo lives, e é muito ruim cultuar por meio de lives, e por isso sumiram.

Alguns sumiram porque os cultos voltaram nos sábados, mas agora tem pouca gente, e isso os desanimam, e por isso sumiram.

Alguns sumiram, Alguns sumiram, alguns sumiram.....

Quando Jesus vier buscar a sua Igreja na Glória, alguns de fato vão sumir, mas não são esses descritos acima. Esses aparecerão, mas não haverá mais tempo!

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Pr. Jean Carlos Pereira
IPR de Campo Verde - MT

terça-feira, 24 de março de 2020

Meu Poema sobre o Corona


A palavra vírus é um substantivo masculino, então por que lhe colocaram o nome de Corona? Até rima com Madona e, por isso, lhe chamarei de dona. Mas te digo, ficou bem cafona.

Para amenizar sua barra, pois o momento ocasiona, lhe chamaram de Covid-19, esse sim impressiona.

Quando a mídia começou a falar de você pensei, deve ser mais uma brincalhona, que não fará mal, e que logo se desmorona, uma fanfarrona.
Mas eu estava enganado, na China você fez uma zona, com seu jeito de mandona, deixando muitos na lona.

De onde você veio que impressiona. Os teóricos da conspiração falaram que você espiona, o senso comum diz que você veio do morcego, e por isso que detona, já os cientistas, te acham pesadona.

A China agiu rápido, pois sempre foi sabichona, preparou Wuhan sem deixá-la pobretona.

Da China você foi para a Itália, fico imaginando com quem você pegou carona, visto que é uma fujona.

Chegando lá a verdade veio à tona, você aprisiona, mas não estaciona. Você criou uma verdadeira maratona na vida dos italianos, deixando Roma bem esquisitona.

Nos hospitais você pressiona, congestiona, deixando milhares esperando na poltrona. Milhares de velhos foram parar em uma caixona, sem poder ter enterro digno, deixou muitas pessoas tomando cortisona.

Na quarentena, a família tornou-se comilona e muitas até se tornaram brigonas. Ir para rua, nem mesmo usando japona.

Algumas pessoas ficaram em casa, outras, decepcionam. Uns foram sensatos com as Fake News, outros nem mesmo questionam.

Da Itália você foi para Paris, de Paris para Barcelona. Nessas cidades você se portou valentona. Da Europa você foi para o Arizona, mais uma vez, não sei quem lhe deu carona. Nos EUA o Trump achou que você não impressiona, e por isso que não sanciona leis que funcionam. Vamos esperar para ver, se o presidente ao menos, se emociona.

No Brasil não demorou sua visita, da China e Itália te trouxeram de carona. Nosso presidente te considerou amigona, apenas uma gripezinha que se cura com açúcar e mamona. Histeria ele disse, você logo desmorona. Mas você me lembra uma matrona, madura mesmo sendo nova, não é uma meninona.

Decretos e decretos, agora vamos parar. O governador sanciona, mas o presidente quer derrubar. A mídia te menciona diariamente sem parar, mas o nosso presidente diz que você não consegue apaixonar.

O governo pressiona, e diz que ficar em casa é o que funciona. Mas tem gente resmungona que só decepciona, desobedece a quarentena, pois não equaciona.
Quanto tempo vai durar não podemos saber, mas me tornar uma pessoa chorona, é o que eu não quero ser.

A economia está bem desanimadona, e as bolsas de valores mais parecem uma sanfona.

Minha igreja não vai fechar, diz o Silas Malafaia, só quero ver quando o povo começar a chorar. A igreja do Silas não fecha, ela é bem grandona, precisa dos fiéis, pois a conta é pesadona.

Com sua fé em Deus, o cristão se emociona, crê na soberania Dele, e por isso não questiona.

Dona Corona, vê se não me detona, pare de pegar carona, vê se estaciona.

Prof. Jean Carlos Pereira – Campo Verde - MT

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Puros de Coração


Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Mateus 5:8

O Sermão da Montanha é uma das maiores mensagens práticas a humanidade. O Senhor Jesus vê a multidão e de cima do monte ensina-lhes sobre o Reino de Deus. Bem aventurado ou mais que feliz será aquele que ouvir e por em prática as palavras do mestre. Todas as bem aventuranças estão ligadas a prática da vida, como bem viver para sinalizar o Reino de Deus.

Que desafio o Senhor nos traz com este sermão, no mundo que vivemos, onde a individualidade, exclusividade e egoísmo imperam. Onde a malícia e corrupção são parceiras, como se manter puro em meio ao caos? Como não deixar nosso coração ser atingido pelas investidas do maligno? Viver com o coração puro, é um desafio que resultará em privilégios maravilhosos.

O Senhor não diz, é obrigado ser puro de coração. Ele disse que os puros de coração são mais que felizes. Ser puro é uma decisão. Ser puro é um padrão a ser alcançado que me levará a felicidade e alegria. Ser puro é um projeto do próprio Deus as nossas vidas. Quem deseja se purificar do pecado, está desejando agradar ao seu Criador.

O Senhor estabelece uma condição para quem deseja estar com ele para sempre. Os puros de coração verão a Deus, logo, os impuros não. Se manter puro, se santificar e se separar do pecado é condição sine qua non que os latinos diriam, sem qual é impossível ver a Deus. Os puros de coração além de alcançar alegria plena, ainda lhes será dado o direito ver o Pai que está nos céus.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Não esqueçam do irmão pobre!


Resultado de imagem para pobreNão endureçam o coração, nem fechem a mão para com o seu irmão pobre. Dt 15: 7

Deus fez uma promessa ao povo de Israel, que Lhes daria uma terra, terra que mana leite e mel. Mas para entrar na terra prometida, o seu povo deveria estar organizado, e para isso Deus por intermédio de Moisés, Ele lhes dá leis e ordenanças que serviriam como bússola na vida deles.
Nosso Deus em sua infinita sabedoria e bondade fez e faz todas as coisas com um propósito, e além disso prevê todas as possibilidades que seu povo um dia poderia passar, dentro dessas, está a condição do pobre. O amor, cuidado e providência de Deus é de tal forma que Ele orienta seu povo para que estenda a mão para o pobre, ou necessitado.
O povo de Israel deveria praticar o amor, não só em palavras, mas em ações. Suprir as necessidades do israelita pobre não era somente cumprir uma ordenança de Deus, mas também manifestar o amor ao próximo.
O Senhor faz um alerta ao seu povo, “não endureçam o coração”. Percebemos que o Senhor nos dá uma oportunidade de decidir sobre o nosso coração. Está em nossas mãos a possibilidade de servir, amar, prover os necessitados. Quando nosso coração está fechado endurecido nos tornamos mesquinhos diante de tantas bênçãos e providências divina. Deus faz questão de lembrar seu povo que um dia eles forame escravos no Egito, e foram carentes da providência divina, dessa forma, a experiência no cativeiro deve servir de exemplo para que o coração do povo seja amolecido, e resulte em ação em favor do próximo.
Em dias de exclusivismo, Deus nos convida a praticar o amor altruísta ao próximo, amor gratuito e sem interesses, fazer pelo simples fato de fazer. E por que fazer, se muitos não fazem? Por que nosso mestre fez, e nos ordenou a fazer o mesmo.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Lutemos com Bravura!


"Seja forte e lutemos com bravura pelo nosso povo e pelas cidades do nosso Deus. E que o Senhor faça o que for de sua vontade"
2 Samuel 10:12

Coragem era uma palavra e uma atitude indispensável para o povo de Israel, principalmente aos soldados do Rei Davi. O antigo testamento é marcado por grandes guerras, por vitórias e derrotas inclusive para o povo de Deus. No contexto em que viviam, ganhar uma guerra significava ter a benção de Deus para o exército e para a nação. O povo de Israel e seu exército se tornam temidos por causa de Deus. As nações se assombravam ao ouvirem as histórias em que o Deus de Israel, o Senhor dos Exércitos mais uma vez dera vitória ao seu povo.
Em uma dessas guerras, em um momento de aperto, Joabe o capitão do exército dos valentes de Davi, diz ao seu companheiro Abisai, “seja forte e lutemos com bravura, e que o Senhor faça o que for de sua vontade”. É claro que Abisai já havia lutado outras vezes, já era um homem experimentado na guerra, mas cada guerra é uma guerra, não há tempo para esmorecer, amedrontar ou olhar para trás. É necessário coragem para lutar por uma causa, um propósito, lutar pela vida.
É interessante a palavra de Joabe quando diz, “e que o Senhor faça o que for de sua vontade”. Ou seja, ele não sabe a vontade do Senhor, ele não sabe se o Senhor entregará os seus inimigos em suas mãos, todavia, eles devem lutar, e lutar muito. Em uma guerra há dois tipos de soldados, os que lutam bravamente, e os que fogem covardemente. O Senhor nosso Deus nos chama para lutarmos as batalhas que a vida nos propõe. É necessário lutar com bravura, com fibra e ânimo, pois precisamos ter a plena convicção que o Senhor realizará a vontade Dele, e por isso precisamos fazer nossa parte.

sábado, 22 de junho de 2019

O pardal e o retrovisor!


          Já há dias um pardal insiste em permanecer na frente do espelho retrovisor do carro. Ele diariamente faz esforço ora para ficar batendo asas na frente do espelho, ora em cima dele. Quando ele está em cima, o prejuízo pra mim é um pouco maior, pois o mesmo encontra alívio do seu ventre, o que depois de seco, dá um bom trabalho para lavar.
                O que mais me impressiona é que o pardal não sabe distinguir a realidade da ficção, não sabe se o que vê é real, ou somente uma sombra. Independente do seu grau de raciocínio (se é que ele tem), ou instinto, duas coisas podemos pensar como se fossemos um pardal. Primeiro, ou ele está vendo outro de si, ou outra, talvez uma pretendente, ou ainda, a si mesmo. Se o que ele vê, e pensa (por instinto ou razão rs...), é outro de si, ele está inquieto, talvez querendo briga, talvez demarcando o espaço, do qual acredita ser seu. Se o que ele vê, é uma possível pretendente, há de igual modo um esforço para encantar sua parceira, mesmo que isto custe muito esforço em bater as asas, e ainda muita sujeira pra mim.
                Esse pardal me lembra muitos os humanos, essa categoria de ser pensante que se diz racional. A exemplo do pardal, temos investido muito dos nossos esforços para dizer o que somos, ou o que não somos, e ainda, lutamos na tentativa de impressionar alguém, seja pelos nossos dons, talentos, corpo, posses, cultura etc. O que não nos damos conta como o pardal, é que essa realidade externa não existe. É tudo fruto da sua cabeça. É ele que está lutando para marcar território, ou se auto afirmar, mas que fora da cabeça do pardal, esse mundo não existe, e isso não passa de um espelho que apenas reflete seus próprios anseios e desejos.
                O pardal visto pelo pardal no retrovisor, não existe, é apenas um reflexo, uma sobra que mascara a sua realidade, no entanto, ele insiste em acreditar que exista ou um pardal desafiando-o, ou uma pardal que lhe dá bolas, ou ainda, talvez como Narciso, ele permanece nessa luta, apenas para se ver e admirar-se.
                Coitado do pardal, quem falará para ele que o que ele vê não passa de uma ilusão dos sentidos? Quem dirá a ele que o que ele vê, pensa e percebe não existe, e que tudo isso não passa de um reflexo dele mesmo? Se um outro pássaro mais sábio (se é que existe nessa escala), dissesse a ele que ele está enganando a si mesmo, ele acreditaria? Ou será que o pardal ficaria chateado com o pássaro sábio, e o acusaria de inveja ou ciúmes? Não sei. Sei que em ambos os casos, a dificuldade existe, porque ninguém há de falar a esse pobre pardal que ele está perdendo tempo enganando a si mesmo, e se existisse um pássaro mais sábio que conhece a realidade, talvez não se arriscaria em criar conflitos com o ego do pardal.
                Enfim, para amenizar a dor e sofrimento do pardal, fui e coloquei um pano no retrovisor, acabando de uma vez com sua ilusão. Mas quando retorno ao carro, o pardal encontrou o outro retrovisor...
                Feliz do pardal, que com apenas mais um pano eu colocarei fim no seu sofrimento, e o trarei ao mundo real.
Pobre e infeliz homem, que não encontra quem coloque um pano em seus espelhos!

Por. Jean Carlos Pereira de Souza  

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

ANDE COM DEUS!


Jotão tornou-se cada vez mais poderoso, pois andava firmemente segundo a vontade do Senhor, o seu Deus. 2Cr 27: 6

Os livros dos Reis e Crônicas são marcados por uma frase triste para a história de seus reis, “e fez o que era mau perante os olhos do Senhor”. A maioria dos reis da história de Israel, principalmente os reis do norte terminaram a história de suas vidas com essa péssima marca. Poucos foram os que não receberam esse título em sua vida. Rei após rei marcavam o fim de suas vidas honrados ou desprezados, quando terminavam suas vidas na presença de Deus ou não.

Jotão foi uma das exceções dos Reis de Israel. O texto nos diz que ele andava firmemente segundo a vontade do Senhor, e por isso se torna poderoso diante de Deus. Talvez Jotão lembrava-se da triste história de como terminou seu pai Uzias, quando se tornou poderoso e como o orgulho tomou conta de sua vida, e por desobedecer a Deus se torna, e morre leproso. Jotão não segue os caminhos de seu pai, Jotão deseja terminar bem, e terminar fiel a Deus.

O poder recebido por Jotão não foi a causa dele andar fielmente na presença do Senhor, mas o efeito. A fidelidade de Jotão é recompensada em forma de poder, justamente naquilo que ele precisava em seu tempo, ou seja, poder para governar. Deus sabia muito bem do que Jotão precisava, mas o Senhor não poderia prosperar um infiel, um idólatra, alguém que andasse longe de seus caminhos.

Aprendemos com Jotão que a benção de Deus em nossa vida é apenas a consequência simples do que Ele é para nós. Ao amarmos Ele, servirmos o Reino Dele, primeiramente a Ele, e todas as coisas nos serão acrescentadas, inclusive poder, se Deus entender que isso nos é necessário.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

E se Deus apostasse em sua vida?


Como pode o mortal ser justo diante de Deus? Jó 9.2 

            E se Deus apostasse em sua vida? Interessante não é mesmo? Deus apostou na vida de Jó, “homem íntegro e justo; temia a Deus e evitava o mal” Jó 1:1. Um dia nosso adversário acusou Jó diante de Deus, dizendo que o Seu servo só era fiel por causa da vida abundante que tinha. Debaixo da permissão de Deus, satanás toca em tudo o que Jó possuía, lhe tira tudo, até mesmo sua saúde. E para complicar ainda mais a vida de Jó, ele perde sua esposa, não fisicamente, mas espiritualmente, sua mulher agora abandona a Deus, e espera que Jó faça o mesmo, mas ainda assim, Jó não pecou.

Depois da tragédia, Jó recebe visita de três amigos, Elifaz, Bildade e Zofar. E o que deveria ser prazeroso se torna um tédio, seus amigos decidem investigar o porquê de todo aquele sofrimento e desgraça, insinuando que se Jó fosse justo, estas coisas não lhe teriam sobrevindo. Jó então levanta uma questão? Pode o mortal ser justo diante de Deus?

A pergunta de Jó aos seus amigos é importantíssima a nossa vida. Nos relacionamos com Deus sempre na defensiva, na reta guarda, com razão, contrariando o que as escrituras nos diz, “que todos pecaram”, logo não há um justo se quer. Entender e conhecer a Deus nos trará amadurecimento acerca da nossa vida e história. Jó demorou pelo menos 40 capítulos para descobrir que Deus era Senhor e ele servo, que o Eterno manda e ele obedece.

Reconhecer nossa injustiça diante de um Deus justo e santo, é reconhecer nossa limitação e impotência, nossa pequenez e necessidade. Diante de Deus somos culpados e sem nenhuma razão, mas através dos méritos de Cristo na Cruz do calvário, hoje somos justificados diante do pai.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Para nascer, é necessário morrer!


Respondeu Jesus: “Digo a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Jo 3:5


Nicodemos o mestre de Israel sabia de tudo, mas ao mesmo tempo não sabia de nada. Ele era superficial, conhecia as leis, os ritos e preceitos, mas não conhecia o Senhor face a face. Em um encontro com o Senhor Jesus Cristo, ele é pego em sua própria estultícia. Nicodemos não sabe o que significa nascer de novo. A resposta de Jesus a ele causa confusão em sua mente, pois na interpretação de Nicodemos, como poderia o homem voltar a barriga de sua mãe?
Nicodemos muito se assemelha as pessoas de nosso tempo. Já ouviram falar de Jesus, citam os mandamentos, narram as histórias bíblicas, mas ainda assim, desconhecem verdadeiramente a Cristo e seu Reino. São rasas e superficiais, elas conhecem Deus apenas de ouvir falar, mas seus olhos nunca virão o mestre, como um dia bem disse Jó.
Em clubes, festas, associações etc., a condição para você entrar, e participar é o seu título, convite, ingresso, e com este você exige o seu direito. Mas no Reino de Deus é diferente, lá não há preço no mundo que possa ser pago por nós para entrarmos. A condição proposta por Jesus para entrarmos em seu reino é somente nascermos novamente, mas dessa vez, da água e do Espírito. Para entrar no Reino de Deus é necessário arrependermos dos nossos pecados, e vivermos uma vida pra Ele. O novo nascimento para ingresso no Reino não é promovido pela água, pois sem arrependimento o batismo se torna somente um banho. Nascer de novo é muito mais que entrar na água da piscina ou rio, é estabelecer primeiramente no coração a aliança firmada com Deus, e daí sim, demonstrá-la publicamente que a partir de então, nascemos de novo.
Jesus te chama não para tomar banho, mas para deixar que a água da vida inunde seu coração e alma, causando uma limpeza dos seus pecados, e o transformando em nova criatura!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Quem é você? Dedicado a minha esposa Isamaira!


Quem é você?

            Alguns te chamam de Maira, Marita, Isamaira, Isa ou ainda pastora ou missionária, eu porém lhe chamo de Amor!

            Quem é você? Você é uma mulher corajosa e convicta! Abriu mão da possibilidade de ser mais uma médica da família como seu irmão, primos e tios, para se formar em teologia de modo interno em um seminário. Hoje você é uma médica da alma, não psiquiatra, mas além deles, os psiquiatras são capazes de descobrir causas e seus possíveis efeitos, medicar, mas não preparar para a eternidade. Você sim, de modo corajoso escolheu a melhor parte, e essa não será tirada. Quando as cortinas se fecharem e quando nos encontrarmos com nosso Senhor, suas mãos estarão cheias de frutos para apresentar ao nosso Deus.

            Quem é você? Uma ótima mãe! Cuida das nossas filhas com excelência, e que aliás, agora são três. Seu zelo como mãe, seu carinho e cuidado demonstrado a nossas filhas me impressiona, e nos torna uma família feliz!

            Quem é você? Uma pessoa espontânea! Sua alegria contagia, onde você está a festa é certa. Nossas palestras para casamento não teriam o mesmo brilho se você não estivesse. Meu ministério seria incompleto se você não me auxiliasse. Seu jeito sanguíneo é que completa meu jeito melancólico de temperamento. Continue a contagiar nossas vidas. Quando você está em silêncio e não está sorrindo, é um sinal de algo não vai bem, por isso sorria, é assim que você é, alegre e feliz!

            Quem é você? Você é tudo que eu preciso, nem mais, nem menos! Dia 27/12 deste ano faremos 10 anos juntos, e tenho a plena certeza que o que Deus fez, faz e continuará fazendo em nossa vidas é maravilhoso. Sou grato a Deus por cada benção e detalhe em nossas vidas. Nosso casamento é semelhante ao vinho, quanto mais tempo passa, melhor fica.
           
            Quem é você? Você é o que Deus desejou que você fosse, assim como você, independente de títulos ou da avaliação de quem quer que seja. Você é tudo isso, mas como já ficou grande o texto, lhe falarei mais pessoalmente!

Feliz aniversário!

Te amo pra sempre até a eternidade!

quinta-feira, 26 de julho de 2018

A Banalização do uso do termo “Profético”!


De tempos em tempos os modismos se renovam, e no meio cristão evangélico não é diferente. Alguém um dia disse que “Os alemães inventaram a teologia, os americanos estragaram, e os brasileiros comeram” (autor desconhecido). A grande parte dos modismos ou movimentos que se encontram em solo tupiniquim são importados. Nós temos a tendência de copiar a patifaria do besteirol gospel que tanto faz mal ao evangelho, pelo simples anseio de crescer numericamente, mas esquecemos que nem sempre quantidade é qualidade.
            É impressionante o fetiche que o neopentecostalismo tem pelo mágico e pelo místico. A produção de um suposto ambiente “espiritualizado” se tornou a especialidade desse movimento. Para tanto, o que se julga “espiritual” precisa ser customizado para atingir os seus devidos fins. Mas para não falarmos de tantos adereços que compõem o culto neopentecostal, vamos pensar somente na banalização que se tem feito, do uso do termo profético.
            Tudo que precisa parecer espiritual leva o nome de profético, ou seja, o termo é como fosse um tipo de ISO9001 “celestial”, onde como um carimbo mágico e místico, valida como fidedigno, fiel e bíblico, aquilo que é produção meramente humana.
O culto é profético, a dança é profética, o clamor é profético, adoração profética, ativação profética (o que é isso?), alinhamento profético, ato patético, ops, profético, e por aí vai. Acrescenta-se ao final de qualquer coisa o termo profético, pronto, aí está algo “espiritual”, #SQN (só que não).
            Mas o leitor pode prontamente perguntar, mas no Antigo Testamento não havia a ação profética? Sim, todos aqueles que eram vocacionados por Deus para exercer o oficio Profético eram encarregados para profetizar, o que não tem nada a ver com o Novo Testamento, lembrando que João Batista foi o último dos profetas do A.T., “A Lei e os Profetas profetizaram até João. Desse tempo em diante estão sendo pregadas as boas-novas do Reino de Deus..” Lc.16.16.
            Outro detalhe que precisa ser lembrado, é que dom de profecia, não tem a ver com o oficio profético veterotestamentário. No N.T, foi dado dons aos homens, e um deles é o dom de profetizar. Logo ministério profético é uma coisa, e dom de profecia ou profetizar é outra totalmente diferente.
            Talvez a única passagem que encontramos o uso do termo é na Versão NVI, em 2Rs. 2.9 “Depois de atravessar, Elias disse a Eliseu: “O que posso fazer em seu favor antes que eu seja levado para longe de você?” Respondeu Eliseu: “Faze de mim o principal herdeiro de teu espírito profético”, no Hebraico literal: Dá-me porção dupla do teu espírito.
E também na King James em, 1Sm. 19.21, “Logo Saul foi informado do que ocorrera, e apressou-se em mandar outros mensageiros, os quais, da mesma maneira, entraram em êxtase. Em seguida, Saul mandou um terceiro grupo, e também estes foram tomados por aquele transe profético”. As demais traduções como NVI, ARC, ARA, NTLH traduzem por profetizavam ou apenas transe, não incluindo o termo profético.
Enfim, o que quero levar o leitor a pensar, é que a apropriação do termo profético no culto cristão é Anacrônico, e descabido de contexto. E o pior de tudo, é usá-lo como Merchandising:                    
é uma ferramenta de Marketing, formada pelo conjunto de técnicas responsáveis pela informação e apresentação destacada dos produtos no ponto de venda, de maneira tal que acelere sua rotatividade”.
A distinção que se faz de cultos cristãos e cultos cristãos, é que alguns precisam incitar o mágico e místico para o consumidor final, diga-se de passagem - alguém que é fascinado pelo oculto – para que a lei da oferta e procura cumpra seu papel, também no ambiente Cristão.
Já Percebeu que nem Cristo, nem qualquer dos apóstolos tentaram espiritualizar o evangelho? No momento mais singular e importante do N.T., em atos 2, quando da descida do Espírito Santo, Pedro apenas faz a seguinte citação: “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel”. At. 2.16, e logo passa expor-lhes as escrituras para que mostrar que ela se cumpre em Cristo.
Duas coisas podem acontecem diante desse suposto momento e cenário “profético”. Primeiro, podemos assistir a bestialização dos que se imergiram de tal forma nesse dito ambiente profético, que não consiga distinguir mais o que é o real e simples, corriqueiro e cotidiano. O culto sem pirotecnia, da palavra pela palavra, pode perder a sua “graça”.
Segundo, pode haver um enjoo, repulsa, entojo, asco, aversão, e desta forma um desejo por algo mais sólido e concreto, por algo mais simples e menos “espiritualizado”. E desta forma, um retorno a palavra, consequentemente sem qualquer adereço de pseudo espiritualidade, e que aliás, está havendo uma migração de pessoas dos badalados “cultos proféticos”, em busca de palavra e consistência bíblica.
Me preocupo seriamente com a banalização da espiritualidade, de vermos cada vez mais espiritualidade sem o Espírito. Não se engane, o evangelho é simples, os homens é que complicam ele!

Obrigado!

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