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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Um Rei, um jumento e um caminho: a sutileza de Deus em favor da humanidade!
A Glória do Caminho!
Um Rei, um jumento e um caminho: a sutileza de Deus em favor da humanidade!
“No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que
Jesus vinha a Jerusalém, Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao
encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do
Senhor”. Jo 12.12-12
Significado de Nexo: “Ligação entre uma e/ou várias coisas - união. Vínculo, conexão entre circunstâncias, acontecimentos”.
Algumas palavras ou sentidos delas, nunca fariam significado ao povo
judeu nos tempo de Jesus. Talvez o que mais se encaixaria com a
narrativa do evangelho de João no cap. 12.12-19, é desnexo: Falta de
nexo; desconexão, incongruência; ou ainda paradoxo: contradição;
oposição aparente; opinião contrária ao senso comum.
Sim, que coisa estranha aconteceu em Jerusalém segundo o evangelista
João. Um evento que iria chamar a atenção de toda nação, não está
trazendo coerência, legitimidade, mas sim, um falso entendimento acerca
de Cristo Jesus e de sua missão. Os elementos usados por Deus pai
através da vida do Deus filho são um tanto “sem nexo” para o povo judeu,
e também a nós se vivêssemos naquele período.
Cristo decide de uma vez por todas anunciar sua messiânidade, já que por
várias vezes ele quis ocultá-la. Qual o propósito de ora ocultá-la, ora
anunciá-la as pessoas em particular? Não temos claramente o porquê
desse processo, mas uma coisa é certa, a hora da revelação chegaria.
Alguns eventos apontavam para isso.
E um deles foi revelado pelo próprio Cristo em Betânia, apenas seis dias
antes da páscoa, quando Maria unge os seus pés, em João 12.7. Um dos
discípulos se incomodou com o que Maria fizera, com seu ato de ungir e
secar os pés de Jesus com seus cabelos, e também pelo menos em sua fala,
em “desperdiçar” um alto valor naquela ação, quando ela poderia vender
por trezentos dinheiros e dar aos pobres. O próprio texto faz justiça a
passagem, denunciado os atos do discípulo incomodado, Judas Iscariotes,
“O que havia de traí-lo”, dizendo: “Ora, ele disse isto, não pelo
cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e
tirava o que ali se lançava” (v.6). Jesus então profetiza: “Deixai-a!
Que ela guarde isso para o dia que me embalsamarem” (v7). Após Betânia, a
cada minuto se aproximava, o Gólgota de Jesus.
Jesus a essa altura já havia ressuscitado a Lázaro e a medida que sua
fama corria e crescia, também crescia o ódio dos principais dos
Sacerdotes e Fariseus a Jesus, e de quebra, agora além de quererem matar
a Jesus, também querem a Lázaro. Não há mais tempo, é chegada a hora,
Cristo deve se apresentar em Jerusalém, pois algo grandioso está para
acontecer em todo país, e que mudaria para sempre a história da
humanidade, ou seja, a morte de Jesus.
Jesus vai se apresentar em Jerusalém, mas usa meios um tanto “sem nexo”
para executar sua ação. Jesus “achou um jumentinho” segundo João. Já os
demais evangelistas dizem que Cristo mandou que dois dos seus discípulos
fossem até o subúrbio de Jerusalém em Betfagé, no Monte das Oliveiras, e
buscassem uma jumenta e um jumentinho (segundo Mateus); Um jumento que
ninguém ainda montou (segundo Marcos e Lucas). Enfim, a condução usada
por Jesus foi um jumento. E por que não um cavalo? Ou um Camelo? Não,
deveria ser um jumento mesmo, por pelo menos duas razões, e a principal
delas, é que Jesus estava cumprindo a risca, uma profecia de Zacarias
que profetizou a mais de quinhentos anos, “Não temas, ó filha de Sião;
eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta” Zc. 9.9.
Segundo, um cavalo para essa época falava de batalha, de guerra. Já o
jumento sinalizava paz, trégua, tranquilidade, quando um exército fazia
seu uso.
Jesus como Rei de Israel é reconhecido como tal pela forma que a
multidão o saúda: “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro,
e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor”
(v.13). O ato de pegar ramos de palmeiras e balançar tinha um extremo
significado, com esse movimento a multidão estava declarando que agora
chegaria a paz e a prosperidade sobre Jerusalém, agora era o momento em
que Jerusalém seria liberta das garras do Império Romano. E por um longo
caminho e por pelo menos duas multidões, a que vinha de Betânia, e a
que caminha em direção a Jerusalém repetiram esse gesto e também as
falas, Hosana, Hosana, Hosana. O Rei de Israel veio sim, também veio em
nome do Senhor, mas não veio nem por esse, e nem pra esse caminho, o de
libertar Israel de Roma.
O caminho percorrido por Jesus não era o caminho do palácio, do poder,
da autocracia, o caminho era outro, extremamente diferente do que a
multidão pensava. O caminho da multidão apontava para um rei terreno, do
aqui e agora. Um rei político, diplomata e negociador. O caminho da
multidão apontava para um rei forte, beligerante, astuto. Um rei
despótico, lutador e perigoso.
Não, não. Isso sim não tem nexo. O caminho apontado pelo Pai e
percorrido pelo filho, não levava a glória desta terra, mas a
humilhação. Não levava ao palácio, mas ao Gólgota. Não levava a
tranquilidade, mas a Cruz. Não levava a mordomia, mas a servidão. A
multidão e os discípulos sem entender nada, e nem os caminhos e sutileza
de Deus, se frustraram com suas convicções políticas. Somente após a
morte e glorificação de Jesus, é que vão começar a entender o caminho
percorrido e proposto por Jesus (v16). O caminho apontado por Jesus era
tão simples, mas tão simples que era impossível a um rei tomá-lo. O
caminho percorrido por Jesus, jamais um rei o utilizaria, ainda mais
montado sobre um jumento. O caminho proposto por Jesus não significava
nada à multidão que ainda não entendia os desígnios de Deus. Mas o
caminho indicado por Deus foi o caminho do triunfo, o triunfo de Cristo
sobre o pecado e a morte, e da própria humanidade conquistada por meio
de Cristo.
Os caminhos apontados por Deus sempre serão o caminho do triunfo, não
para exaltação do homem, mas para a glorificação de seu Filho. O simples
gesto da tríade, Rei-Jumento-Caminho foi entendido pelas multidões como
o princípio da esperança e prosperidade de Israel para aqueles dias.
Para os Fariseus, mais um herege a ser combatido, pois as multidões o
seguem, e como os próprios disseram, “o que estão ganhando com isso?”.
Mas para o Pai, esse foi o gesto, mais sutil e triunfante da história,
em favor da humanidade caída. Pai preparou o caminho que seu filho
percorreria, caminho de dor, aflição e sofrimento, que resultaria no
triunfo de Cristo, e consequentemente do resgate da humanidade.
Prepara–nos diariamente tal caminho, oh Senhor!
A VIDA NO CAMINHO
#UMCAMINHOPRAANDAR
João 11.1 - 44
Viver no caminho de Jesus e com Jesus no
caminho não isenta o discípulo do sofrimento. O sofrimento está
presente na vida cristã. Se não nos damos bem com o sofrimento, imagine
com a morte. A morte, na linguagem Paulina é a paga e o aguilhão do
pecado. O sofrimento é como um rio que, se não for interrompido o curso,
deságua na morte. E a morte se não for interrompida, também, deságua no
sofrimento. Morte e sofrimento são irmãos na existência humana.
Esses processos – morte e sofrimento –
só podem ser interrompidos por Aquele que disse: Eu sou a ressurreição e
a vida. Isso é amor, graça e milagre. O problema é que a ressurreição
que interrompe a morte e a vida que interrompe o sofrimento acontecem no
tempo de Deus. Na agenda soberana de Jesus. E, no processo, lágrimas e
questionamentos são inevitáveis.
Amor e demora
De modo geral, não lidamos bem com o
sofrimento e nem com a demora do amor de Deus em cessar a dor. Nesse
processo amor e demora aparentemente são antagônicos. É só na aparência,
porque na essência o amor está no sofrimento e o sofrimento está no
amor. Só no Evangelho é que essa dualidade é casada e discernida pelo
discípulo de Jesus.
No sofrimento quem nos ama manda cartas
pra Jesus. Cartas dizendo que aqueles a quem Ele ama podem morrer a
qualquer momento. Essas cartas podem até mesmo não trazer o amor que faz
milagres na hora que queremos, mas demonstram o amor humano. O amor de
gente que tem prazer em interceder pelos que estão em sofrimento. Esse
amor de gente é vida no caminho.
No sofrimento, o amor que faz milagres
demora. Não demora porque não ama. Demora justamente porque ama. É por
amor do que está em sofrimento que a decisão de demorar acontece. Não é
fácil de entender! Mas, também, não é pra entender, é pra viver. Viver
no Caminho. Pois quando o Caminho chega tudo faz sentido.
Agora, saber do amor não cessa o
sofrimento, muito menos a morte, o que acaba com tudo isso é a presença
de Jesus e o seu amor. Mediada pela fé. Porque se creres, verás a glória
de Deus. João 11.40.
Reviver e ressuscitar
Quem se propõe a ter a vida no caminho
precisa entender a diferença entre reviver e ressuscitar. Apesar de
dizermos que Lázaro foi ressuscitado, não foi! O homem que estava morto,
reviveu. Não ressuscitou! Porque se tivesse ressuscitado nunca mais
morreria. Lázaro reviveu para morrer novamente.
A ressurreição tem a ver com o último
dia. Quando aquele que recebeu vida no caminho vai ressuscitar para todo
o sempre. E vai para aquele lugar onde não há sofrimento e morte. Jesus
foi o primeiro a ressuscitar para nunca mais morrer. Na teologia
paulina, Jesus é “as primícias dos que ressuscitaram”. Jesus
ressuscitou, foi assunto aos céus, está à destra de Deus e voltará para a
ressurreição do último dia dos caminhantes da verdade.
Reviver tem a ver com o milagre de
devolver à vida a quem está morto. Mortos que são revividos pela palavra
da vida de Jesus, voltam a morrer, mas serão ressuscitados no último
dia. Foi o que aconteceu com Lázaro.
Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;
E todo aquele que vive, e crê em mim,
nunca morrerá. Crês tu isto? Jesus está dizendo justamente o que faria
com Lázaro. O Reviveria e o ressuscitaria. Pois aquele que morrer em
Jesus, não morre a morte eterna, mas vive eternamente.
É assim a vida no caminho!
Morte e milagre
Lázaro provavelmente chorou, Marta
chorou, Maria chorou, os amigos choraram. Até mesmo Jesus chorou. É
inevitável que o sofrimento e a morte não gerem choro. De modo geral,
além de a morte constranger ao choro, a morte esconde quem amamos da
vida e dos nossos olhos.
Jesus quer ver o morto e a morte. Quer
ver porque Ele é o único que vai vencê-la. Os elementos estão postos
para, de alguma maneira, bloquear o que Jesus vai fazer: o tempo, a
caverna, a pedra, as faixas, a decomposição, a incredulidade e a morte.
Mas nada pode deter a Ressurreição e a vida.
A morte e o sofrimento não podem
resistir a intimidade e a gratidão que o Filho tem com o Pai. Muito
menos o poder de sua palavra. Quando Jesus fala, a morte devolve o seu
morto e Jesus o devolve à vida.
Choro e morte precedem milagre. Jesus
faz assim para crermos e vermos a glória de Deus. Assim faz por amor de
nós. Amor e demora, reviver e ressuscitar, morte e vida são elementos
indispensáveis na construção da espiritualidade dos que se propõe viver
na estrada do que dá a vida no caminho. Assim, vida no caminho é como
Jesus diz: Desligai-o, e deixai-o ir.
A ENTRADA E O GUIA NO CAMINHO
#UMCAMINHOPRAANDAR
(João 10:1-21)
Esta expressão do caminho desenvolve-se a
partir da ultima declaração de Jesus acerca da jornada, ou seja, que
ele é a LUZ DO CAMINHO.
O fato da declaração ocorrer em um
sábado foi suficiente para gerar uma confusão, o que dá início então a
um confronto de Jesus com líderes judeus, mas agora com outra imagem, a
do pastor e de suas ovelhas.
Portanto, o caminho aqui adquire um
contexto mais pessoal e distinto apontando assim para uma intimidade
sutil entre o caminhante e o guia da jornada.
A PORTA DO CAMINHO
Nas aldeias e nos povoados havia currais
de uso comum, nos quais se refugiavam todos os rebanhos da aldeia
quando retornavam de noite. Estes currais eram protegidos por uma porta
muito forte cuja chave estava na mão do guardião da porta e de ninguém
mais. A este tipo de curral que Jesus se refere nos versículos dois e
três.
Mas havia um segundo tipo de aprisco,
que era usado nas estações mais quentes, quando o pastor podia levar as
ovelhas para as colinas, mas sem a possibilidade de retornar a noite. Em
tais épocas, as ovelhas eram reunidas em currais construídos nas
serras, que nada mais eram do que espaços abertos cercados apenas por
uma parede, havendo uma única abertura pela qual entravam e saíam às
ovelhas.
Neste caso era dispensável qualquer tipo
de porta, pois o próprio pastor se deitava através desta abertura e
nenhuma ovelha podia sair ou entrar sem passar por cima dele, assim, no
sentido literal, o pastor era a porta.
Portanto é esta imagem que Jesus tem em mente ao afirmar que ele mesmo é a entrada ao caminho.
A entrada ao caminho se dá no convite
que o próprio caminho faz ao caminhante, mostrando-se a este tanto como
uma entrada às delícias que o caminho propõe quanto uma garantia de
segurança em meio a jornada.
Assim, a porta do caminho é tão viva
quanto tudo aquilo que se pode aproveitar durante a jornada e tão segura
quanto ao destino que o caminho propõe.
O GUIA DO CAMINHO
Após dar ênfase sobre sua condição como a porta de entrada ao caminho, Jesus passa a falar da condução em meio a jornada.
Na Palestina, o único responsável por um
rebanho de ovelhas era o pastor, de maneira que se algo acontecia a
elas, ele tinha que apresentar algum tipo de prova para demonstrar que
não tinha culpa sobre o acontecido.
Portanto, para qualquer pastor, era
comum a ideia de arriscar a vida por seu rebanho e, de às vezes, fazer
algo mais do que arriscar sua vida pelas ovelhas, devia entregar sua
vida por elas.
Isto acontecia em particular quando ladrões ou animais selvagens se aproximavam para atacar o rebanho.
Mas no contexto judaico, o fato de que o
pastor dava a sua vida pelas ovelhas, significa somente que ele estaria
preparado para fazer isto, ou seja, ele deveria jurar esta disposição
ao assumir algum rebanho.
Contudo a morte de pastores por tais
motivos deve ter sido muito rara, e até aquele momento, a intenção do
pastor nunca seria morrer por seu rebanho.
Julgando pela linguagem forte que usa, o
bom pastor e guia da jornada aqui não está disposto a simplesmente
arriscar sua vida pelas ovelhas que estão no caminho, mas a entregá-la
por elas.
Assim, o comprometimento do guia com a
morte é precisamente o que o qualifica para ser o bom pastor e o mentor
dos transeuntes do caminho.
A palavra "bom", usada aqui para
qualificar o guia da jornada, indica que a coisa ou a pessoa não só é
boa, mas também na própria bondade há uma qualidade de atração, de
beleza, que transformam esta bondade em algo perfeito.
Portanto, quando João diz que Jesus é o
bom pastor, aponta nele algo mais que eficiência, define nele a
perfeição, assim, se a bondade do guia do caminho é inerente a sua
natureza chamá-lo de bom é o mesmo que chamá-lo de Deus.
Durante a II Guerra Mundial, quando um avião era atingido e ficava parcialmente danificado, a base enviava-lhe outro avião.
O piloto deste avião recebia o nome de
Pastor, pois tinha a função de cuidar do avião danificado, voando lado a
lado e retornando a base onde o avião avariado estaria a salvo.
O guia da jornada cumpre com perfeição este papel, pois garante aos caminhantes o retorno à segurança do lar.
A LUZ DO CAMINHO
João 9.1-41 #UMCAMINHOPRAANDAR
Ao ser interrogado como tudo havia
acontecido, o cego tenta explicar, como que o problema que o acompanhava
desde seu nascimento em um instante deixa de existir? A resposta foi a
seguinte: “Um homem chamado Jesus”, passou pela sua vida, tocou-o, deu
direção mostrando o que deveria fazer, ensinou o poder transformador que
existe em sua palavra quando a obedecemos, simplesmente um homem
chamado Jesus.
De fato para aqueles que viviam em
trevas apareceu uma grande luz, como diz Merril Frederick Unger; “o
encontro é a ilustração a luz e a iluminação para nova vida que se
encontra em Cristo”. Não foram o lodo e a saliva que realizaram a cura,
mas essas coisas simbolizaram o que fez o poder criativo de Cristo, o
redentor-criador. Quando o judaísmo expulsou o homem curado, lançou-o
nos braços de um Senhor amoroso. Esse sinal, como os outros sinais e
sermões em João, antecipam a posição do verdadeiro cristianismo fora da
esfera do judaísmo.
Teologia de causa e efeito.
Quem pecou? A curiosidade era saber quem
tinha culpa na doença, se era ele mesmo ou os seus pais. Jesus nos
mostra um novo jeito de analisar os problemas humanos, viu os dramas, o
sofrimento, não como um cenário onde os nossos erros são denunciados em
espécie de castigo.
Quando diz que a doença do cego existia
para que “se manifestem nele as obras de Deus”. Fica claro que sua ação é
de transformar as misérias do mundo numa oportunidade de servir e
glorificar a Deus. Em Cristo o homem não encontra alguém que explicará
suas dores como um processo de alivio, se vendo a partir disso como
alguém merecedor da história que vive. Em Cristo somos acolhidos, não
temos apenas uma resposta sobre as dores que carregamos, ele toca em
nossa dor, nos faz livres da culpa, não define nossa miséria como um
signo que será experimentado por toda vida.
Sua missão esta em nos dizer que o mal
que carregamos não tem a última palavra, a última palavra é dele, ao
carregar sobre si todas as nossas dores, esta definido que na cruz os
nossos sofrimentos se tornam dele e o castigo que nos traz a paz repousa
sobre seus ombros.
A Missão de abençoar
“façamos as obras daquele que me
enviou”. A declaração de Jesus esta no plural, sua convocação aos
discípulos é para que eles fossem homens que abençoasse aos outros,
gente que serve, que se inclina diante da necessidade do próximo.
O nosso envolvimento com missão esta na
perspectiva que a Missão é de Deus, nos envolvemos em processos onde
Deus já esta realizando algo. A realização de Deus acontece antes mesmo
de algum movimento nosso. Nosso envolvimento parte da certeza que Deus
já estava fazendo algo, antes mesmo da gente iniciar, e a partir disso
cooperamos com Deus em sua missão de abençoar e transformar o homem.
O convite de Jesus não esta baseado em
uma resolução de problemas, mas, em uma transformação de vida. Ao
perguntar se realmente o cego queria ver, Ele esta levando o cego a
entender toda a transformação e as consequências disso em sua vida. O
único meio de uma pessoa deficiente como ele obter dinheiro ou alguma
coisa era através da mendicância, então Jesus esta tocando em sua fonte
de sustento.
A benção da cura não tem um fim último,
na verdade se tornou um meio para que se cumprisse um propósito maior. A
maravilha do relato de João não se restringe ao milagre, vai um pouco
além, é a confissão do cego sobre o “homem chamado Jesus”, que nos
mostra o fim último do milagre. No verso 38, ele afirmou: “Creio,
Senhor, e o Adorou”. Cristo se torna o objeto de sua fé e adoração.
A missão de Deus em nós e através de
nós, em meio às dores humanas, tem como finalidade nos abençoar para que
possamos abençoar outros, para que depois de tudo realizado brote em
nossos lábios que Ele é o Cristo, a nossa adoração. O milagre da
confissão, e a luz que ilumina o nosso caminho, fazendo com que o “homem
chamado Jesus”, se torne o nosso Messias!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
A providência no caminho! Jo. 6.1-15 - 22-59
A multidão errante e sem perspectivas de
sua existência, encontra no caminho, a providencia sem precedentes.
Se voltarmos nossos olhos a pelo
menos dois mil anos atrás, a boa notícia não será de política, embora alguns a
encararam como uma esperança nesse sentido. A boa notícia não é econômica,
embora alguns acreditaram que Israel novamente voltaria aos seus dias áureos,
como foi nos tempo de Davi e Salomão. A boa notícia é que uma luz de esperança
apontou no fim do túnel. E o maior assunto em Jerusalém e região dos últimos
anos, é que um homem simples, de Nazaré, caminha com pecadores, cobradores de
impostos, prostitutas etc. Alguns creem, outros duvidam. Uns o chamam de filho
de Davi, outros de blasfemo e pecador. Enfim, ele é um novo paradigma em
Israel, um líder nunca visto antes. Então vamos atrás dele...
A multidão mesmo errante
segue Jesus. Talvez curiosa ou crédula, pois Cristo faz aquilo que há muitos
anos não se vê: Sinais!
Não só nos relatos da multiplicação
dos pães e peixes, numerosa multidão segue Jesus. Por que o seguia? O que Ele
tem para oferecer? Será que ela aguardava um sinal? O texto no vrs. 2 nos
informa que sim, sinais são a causa da multidão em um primeiro momento, a busca
de Jesus. Todavia, a multidão sem perceber se entrega no tempo e no espaço.
Estão longe de casa em pleno deserto, o dia vai declinando, não se alimentaram,
estão atentos a cada movimento do Mestre de Israel. Eles querem vê-lo, tocá-lo,
senti-lo. O que a multidão tem de esperança nesse momento? O Judaísmo há muito
tempo se degenerou em mero legalismo. As lideranças se tornaram opressoras,
Deus havia ficado mais de quatrocentos anos sem se comunicar com seu povo. O
óbvio aconteceu, a boa notícia, a mais falada e comentada em Israel, é que
Jesus está dando sinais visíveis de que ele é o Cristo, filho do Deus vivo, o
messias esperado. A multidão errante, não tem outra perspectiva a não ser,
seguir os passos do novo mestre de Israel.
A
multidão errante prepara um caminho para Cristo trabalhar a fé dos discípulos!
Este
é o único milagre da bíblia sagrada que aparecem nos quatro evangelhos. Mas em
João, ele se torna peculiar, pois se nos três anteriores os discípulos se
preocuparam com a multidão, neste evangelho é Jesus o meio da ação. No vrs. 5 o
texto nos informa que Ele testa a fé de Felipe, “Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia
de fazer” v.6. O controle e soberania de todas as coisas estavam e estão
com Ele. Enquanto nos três primeiros evangelhos a alternativa apontada pelos discípulos
era, “Despede-os, para que vão aos
lugares e aldeias circunvizinhas, e comprem pão para si; porque não têm que
comer” Mc. 6.36., em Cristo a solução já estava pronta, a providência já
estava a caminho. Felipe incrédulo responde ao Senhor, precisamos de pelo menos
duzentos denários ou dinheiros e ainda assim não bastarão para essa multidão.
Vale lembrar que um denário correspondia a uma jornada de trabalho, logo,
precisaria de duzentos dias de trabalho para alimentar a multidão. Quase
impossível não é mesmo? Mas eles ainda não conheciam o Deus da providência em
Cristo Jesus.
A
multidão errante, mesmo sem saber, está colaborando para o milagre que está a
caminho!
Nos
evangelhos anteriores Jesus da um imperativo aos discípulos: Dai-lhes vós mesmos de comer. Aqui em
João, já aparece os discípulos representados por André, dizendo que havia um
rapaz que tinha cinco pães e dois peixes, mas emenda: “mas isto que é para tanta gente”. Ou seja, não resolveria o
problema de forma nenhuma. Diante da impossibilidade, Jesus transforma em
possibilidade. O que a multidão tinha? Já foi dito, apenas cinco pães e dois
peixes. Jesus sabe usar o que tem nas mãos. Jesus sabe o valor das pequenas
coisas, e sabe que o milagre de Deus, nem sempre vem do macro, mas do micro.
Assim foi com Moisés, o pequeno cajado bastou para abrir o grande mar. Assim
foi com Sansão, uma queixada de jumento se tornou arma para matar mais de mil,
e assim foi com Elias, uma pequena nuvem do tamanho da mão de um homem, regou
toda Israel e floresceu seus campos. Jesus pede para que a multidão se assente
em grupos, e agradece o que tem nas mãos, e reparte entre todos. Absolutamente
todos se saciaram, e ainda sobraram dos pães, doze cestos cheios.
A
multidão ora errante, não só experimente a providência divina, mas também prova
de mais um sinal messiânico!
Se a
motivação da multidão era ver sinais, ai está. No meio desse processo, muito
mais do que milagre se efetuou. Jesus se compadece da multidão, pois “estavam desgarradas como ovelhas que não tem
pastor”; Jesus passa a ensiná-las; Jesus não só se compadece, mas sua
compaixão se torna em ação, “daí-lhes de
comer”; Jesus trabalha a fé dos discípulos; Jesus trás providência a
multidão faminta e Jesus mais uma vez, manifesta um sinal messiânico. O caminho
a partir daqui esboçado por Jesus a multidão, estava muito além de milagres,
sinais ou providência divina. Jesus queria mais que isso, um caminho mais
nobre, o caminho do evangelho. A providência que Jesus intentava no coração da
multidão, era que o buscassem além dos sinais, mas o buscassem como o Cristo,
filho do Deus vivo!
Jesus deseja ensinar um novo caminho a
multidão, um caminho para que conheçam o verdadeiro pão, o pão que desceu do
céu! - Jo. 6.22-59
Jesus
está caminhando com a multidão, a alimenta, a consola, mas chegou a hora de
exortá-los a motivação correta. O que Jesus percebe e só Ele tem esse poder - o
de conhecer o coração dos homens - é que a multidão, não o busca somente pelos
sinais. Sinais aqui apontados por Jesus, como messiânicos. Se no início do
capítulo seis, o texto nos diz que o povo o buscava por causa dos sinais que
ele fazia, no verso vinte e seis, Cristo trás uma forte acusação, “Na verdade, na verdade vos digo que me
buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos
saciastes” v.26. A multidão já tem sinais suficientes para crer. Mas a
pergunta que não quer calar é: então porque não creram? O que Jesus está
dizendo é que pelos sinais miraculosos realizados por Ele, a multidão deveria
crer e muito, mas ao contrário, os sinais já não são novidade, já não importam,
a multidão busca Cristo por benefícios do aqui e agora, ou seja, Ele a
alimenta.
Jesus deseja saciar a verdadeira fome da
multidão.
Não,
eles ainda não entenderam, ainda não conseguem crer, e continuam a indagar a Cristo.
“Que sinal, pois, fazes tu, para que o
vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?” v.30. O capítulo seis de João
muito se assemelha aos nossos dias. Uma multidão faminta, não pelo pão da vida,
o pão que desceu do céu, mas pelo pão de cada dia somente. Talvez temos aqui um
resumo de todo evangelho, o evangelho que ensina buscarmos primeiro o Reino de
Deus, e as demais coisas desta terra nos serão acrescentadas. A multidão
titubeia, vacila e se contradiz, no vrs. 14 eles mesmos afirmam, “Este é verdadeiramente o profeta que devia
vir ao mundo”. Mas por que depois duvidam? Porque ainda não conheceram a
Cristo de fato, ainda não entenderam o caminho que devem seguir. O caminho que Cristo quer ensinar a multidão é o caminho da
fé Nele mesmo, como enviado de Deus. Jesus quer ir muito além da comida que
perece, mas aponta para um banquete eterno que só Ele e por Ele pode ser
proporcionado, “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e
quem crê em mim nunca terá sede” v.35.
Jesus quer ser muito mais que uma providência do aqui e agora, Ele sinaliza
para algo nobre, sublime, que terá desdobramentos eternos. Quem comer o pão que
desceu do céu, jamais terá fome, será saciado para sempre. A providência
para eles significa apenas saciedade para esta vida. Cristo está além do
caminho errante da multidão, Ele encerra os discursos acerca do pão afirmando
que quem não comer Dele, ou seja, da sua carne e sangue, não teriam vida
eterna.
Jesus é o único caminho que pode livrar
a multidão da perdição.
Se a multidão necessitava de uma
direção, um norte, um foco, agora ela encontrou, o caminho chama-se Cristo. Ele
em sua missão dada pelo pai, trás garantias à aqueles a qual o pai deu a Ele. “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que
nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia”
v.39. O verdadeiro e único caminho que realmente Cristo está interessado, é o
caminho conduzido e guiado pela fé Nele, pois através Dele nossa fome será
saciada para sempre através da providência divina. Se alimente desse pão...
sábado, 3 de outubro de 2015
O CAMINHO MAIS CURTO PARA O ENCONTRO!
por Sebastião Júnior*
Estamos
diante de um encontro improvável de um judeu com uma samaritana, digo isso,
porque, normalmente, a antipatia entre os dois não permitiria que judeus,
passando pela Judéia, a caminho da Galiléia, passasse por Samaria. A opção do
caminho não seria o que Jesus fez, mesmo sendo o caminho mais curto; tanto os
judeus, como os samaritanos fariam a opção por outro caminho, uma rota pela
Transjordânia. Tão grande era aversão uns pelos outros.
Após os
assírios conquistarem Samaria todos os israelitas foram despojados de suas
posses, a terra foi sendo povoada com estrangeiros que se casaram com os
israelitas sobreviventes e aderiram, de alguma forma, à antiga religião
assíria.
Após o
exílio, os judeus voltam para Jerusalém e ao constatar o surgimento dos
samaritanos, passam a tê-los como rebeldes políticos, como mestiços raciais,
cuja religião estava manchada por vários elementos inaceitáveis. Tais como:
levantaram um templo rival no monte Gerizim, que depois foi destruído pelo
governo Judeu, intensificando os conflitos religiosos e teológicos; os
samaritanos tinham sua própria herança religiosa baseada no Pentateuco, não
aceitavam os outros livros da Bíblia hebraica como canônicos; e, sua adoração
acontecia no monte Gerizim e não em Jerusalém.
Para entendermos
o significado desse encontro, é fundamental conhecer a distância cultural,
religiosa e teológica de Jesus com a Samaritana. Não são apenas alguns
kilometros que a rota da Transjordânia proporcionava evitar, estamos falando de
um conflito que somente o evangelho pode cessar.
Agenda
disponível para o encontro.
“Era lhe
necessário...” versículo 4.
Não é apenas
uma necessidade geográfica, ou física do verbo que realmente se tornou carne,
evidenciando sua humanidade como um viajante cansado procurando descanso e
refrigério ao meio-dia, sentou-se para descansar.
Interessante
que é em meio ao cansaço do Mestre que descansamos, diante da nossa caminhada
pesada pelo fardo que carregamos. Sua agenda não esta no campo da urgência, de
alguém que não para, não ouve, pelo contrario, a sua agenda é um convite para
descansarmos nele. A beleza da graça de Deus está nisso, que, em Cristo, o véu
se rasgou, e Deus não é mais alguém que se encontra através dos caminhos
religiosos, Ele está a beira do poço, se revelando para pecadores cansados.
Nenhuma religião, cultura, geografia são donos de sua agenda. O caminho está
aberto para os sedentos, como diz o profeta “Vós que tendes sede, vinde
ás águas” Isaías 55: 1.
A “necessidade” é
uma relação com a sua missão de proclamar a todos, indistintamente, o reino de
Deus, plano divino elaborado desde a eternidade.
Conspiração
divina do encontro.
“Nisto, veio
uma mulher samaritana tirar água...” versículo 7.
Aparentemente,
a mulher foi ao poço sozinha. Era mais comum que as mulheres fossem buscar água
em grupos, ou mais cedo, ou mais tarde no dia, quando o calor do sol não era
tão forte. O pedido de Jesus, normalmente, pareceria muito natural para uma
mulher que estava tirando água, vindo da parte de um viajante cansado e
sedento, mas ela se surpreendeu. Se os seus discípulos estivessem ali teriam
tirado água para ele, mas tinham ido comprar comida. Judeus criteriosos na
observância da lei teriam receio de se contaminar, comendo alimentos manuseados
por samaritanos, ainda mais sendo algo líquido, acreditavam que a possibilidade
de contaminação era certa, o que nem sempre acontecia com alimentos
secos.
O que me
chama atenção é a conspiração dos fatos. Primeiro, Cristo passar e parar junto
a fonte de Jacó. Segundo, uma mulher sozinha indo ao poço ao meio-dia.
Terceiro, não ter nenhum discípulo para tirar água, ocasionando em uma única
alternativa, a samaritana dar-lhe de beber.
Em Cristo,
vemos a graça de Deus conspirando em favor do homem. Os acontecimentos a nossa
volta convergindo para o encontro com Ele, parece que estamos seguindo o
caminho natural do nosso dia a dia, nada novo, tudo normal, a vida seguindo seu
rumo natural. De repente: Ele aparece! Ele fala! Sem perceber damos de cara com
Cristo. Ele está no nosso caminho, está nos vendo diante do cansaço da vida,
nos convidando a beber da água que somente Ele pode nos dar. O amor de Deus
conspira ao nosso favor.
A graça do
encontro.
“Não tenho
marido...” versículo 17.
Possivelmente,
o fato de ir ao poço sozinha estava ligado a vergonha pública da mulher, seu
isolamento pode ser resultado de uma vida emocional desordenada. No verso 17, a
mulher foi tomada de surpresa pela mudança abrupta de assunto, ainda mais
porque Jesus falou de um ponto crucial em sua vida. Ele era um estrangeiro e
não conhecia sua vida, por isso tentou livrar-se dele como uma declaração rude
da sua posição atual dizendo, que não tinha marido. Mas, obviamente Jesus sabia
de toda sua vida, que sua afirmação carregava parte da verdade e não toda a
verdade, logo após sua afirmação, começou a mostrar o quanto sabia sobre ela,
sem colocar mais culpa e sofrimento sobre sua existência.
Ele é
gracioso, busca conduzir a conversa para uma sinceridade sobre o passado dela.
A opinião rabínica desaprovava mais que três casamentos, mesmo que fossem
legalmente permissíveis. Em nenhum momento o objetivo da conversa é conduzir à
uma condenação cruel, Jesus queria que a mulher visse a si mesma, como
pecadora, morta em seus delitos e pecados, consciente do seu pecado. O segundo
passo seria ver a si mesma como alguém que tinha dignidade e valor. Deus nos
considera dignos de seus cuidados apesar da nossa ruína. Ele nos valoriza a
ponto de procurar-nos, de nos convidar à intimidade e de regozijar-se com sua
adoração.
A graça nos
permite entender. A graça nos convida a constatar a nossa real situação. A
graça nos convida para uma aceitação pelo Deus da graça. A graça de Deus nos
transforma em novas pessoas.
A revelação
do encontro.
“Como sendo
tu judeu...” versículo 9; “Vejo que tu és profeta...”versículo 19; “que há de
vir o Messias, chamado Cristo...”versículo 25.
No início
era apenas um judeu pedindo-lhe água. Em um segundo momento, o termo profeta é
usado, possivelmente, ela estava a beira da grande descoberta da identidade do
estrangeiro, um homem que podia dizer-lhe tudo o que já tinha feito só poderia
ser Aquele que vem em pessoa. Então se ele é um profeta, a conversa pode ter um
tom religioso. Uma conversa religiosa entre Judeu e Samaritano automaticamente
se convergia para o lugar que Deus escolheu para ser adorado, Jerusalém ou
Gerizim?
Quem sabe o
que ela não esperava é que sua resposta seria algo que não identificasse
adoração a Deus com lugares “santos” específicos. Este
estrangeiro, que ela suspeitou ser um profeta, deu instruções sobre o culto
verdadeiro. Se ela estava em dúvida sobre sua identidade, tudo esta confirmado.
Ele é o Messias! O príncipe prometido de Davi, o mesmo que os samaritanos
esperavam como o profeta semelhante a Moisés.
No começo
era apenas um judeu sedento, agora ele já é maior que seu pai Jacó. Aquele que
vem em pessoa estava sentado no poço falando de maneira maravilhosa com
ela.
O encontro
com Ele nos ambientes comuns e improváveis da vida tem como finalidade, levar o
homem a declarar que Ele é o Messias! O Cristo! Que não cabe em uma religião. O
seu reino se estabelece no coração dos sedentos, que passa a ser a sua
habitação, nos conduzindo à uma adoração em espírito em verdade.
*Sebastião
Junior graduou-se Bacharel em Teologia em 2002 pelo Seminário Presbiteriano
Renovado de Cianorte/PR, é pastor desde 2003, pós-graduado pela Faculdade
Teológica Sul Americana, DMin (Doctor of Ministry), na área de Missão Urbana e
Crescimento de Igreja. Graduado em Sociologia pela UMESP, Universidade
Metodista de São Paulo.
UM ENCONTRO NO CAMINHO.
por Sandro VSJesus, ao mesmo tempo em que está seguindo seu caminho, está manifestando este caminho àqueles que vivem sem direção. Neste ponto da jornada Ele encontra alguns que, de tão desorientados, decidiram estacionar em uma “zona de conforto”, oferecida a quem está decidindo parar de caminhar.
Jesus está em direção a Jerusalém para uma das festas judaicas que o texto não nos identifica e, ao que tudo indica, está sozinho, pois nenhum dos discípulos já caminhantes é mencionado aqui. Entra pelo átrio do templo, mais precisamente pela porta das ovelhas, onde encontra um tanque chamado casa de misericórdia (Betesda).
Ali jazia uma pequena multidão de inválidos e, entre estes, houve um homem que foi alvo de um inusitado encontro com o caminho. A este foi proposto uma retomada a uma nova jornada, pois, como já disse, ele foi seduzido a estacionar em um cômodo, mas ilusório descanso.
A PARALISIA, A JORNADA E O CAMINHO.
Antes de chegarmos ao dialogo entre Jesus e o paralitico devemos entender o que o fez permanecer naquele lugar.
O misticismo sempre fez parte do imaginário humano, isto é, o mistério e o incompreensível sempre seduziram a humanidade, assim, como não podia deixar de ser, este tipo de crença supersticiosa estava espalhada por todo mundo antigo da mesma maneira em que existe hoje em todos os lugares. Portanto, a ideia de um anjo que de tempos em tempos agitava a água para que o primeiro que se banhasse nela fosse beneficiado de alguma forma não era novidade entre as pessoas.
Mas, em se tratando de Deus e diante deste texto, deveríamos sempre nos perguntar: Isso faz sentido? Um Deus brincando com a dor alheia? Utilizando-se de anjos e do seu poder para se divertir?
Quero insistir no argumento e propor a seguinte situação: Pense em alguém com muitos recursos e que pode alimentar todos os mendigos do seu bairro, mas decide colocar uma única cesta básica no alto dos degraus de uma longa escadaria. Então ele convoca todos os mendigos ao pé da escadaria e, lá de cima, ao lado da cesta básica, diz: “quem conseguir subir primeiro esta escadaria e tocar na cesta ficará com ela”. Sádico seria um dos adjetivos que caberiam a alguém assim e, sem sombra de dúvidas, este adjetivo não se aplica a Deus.
Dito isto, a seguinte pergunta que fazemos é: então por que esta narrativa está no texto bíblico?
Provavelmente seja muito mais difícil explicar como este relato foi omitido de todos os melhores manuscritos do texto bíblico do que explicar a maneira pela qual foi inserido no texto.
A resposta está na intenção com a qual este relato foi escrito, ou seja, era uma nota explicativa que ficava na marginal do texto pretendendo elucidar a causa de tantos doentes em volta do tanque, mas, depois de tantas cópias, alguém o incluiu no texto, mas com a mesma intenção, isto é, esclarecer a causa de tantos enfermos reunidos ali. A prova disto é que metade do versículo três e todo o versículo quatro sempre estarão entre colchetes em nossas melhores traduções, assim como também no rodapé da página em que se encontrar o relato em questão sempre haverá o seguinte aviso: O trecho entre colchetes não aparece na maioria dos mss (manuscritos).
Talvez isso te surpreenda, mas nunca houve anjo que agitasse a água e também nunca houve qualquer poder medicinal naquela água a não ser na cabeça dos doentes que eram vítimas do seu próprio misticismo e da crendice popular, pois João nunca escreveu sobre algum poder sobrenatural no tanque e não citou, em nenhum momento, um aventureiro que tenha se curado, outro fato é que João não narra Jesus fazendo qualquer menção às águas quando conversa com o paralítico.
Mas o que João deixa claro é que Jesus propõe ao homem exatamente o oposto, ou seja, o convida a seguir um novo caminho tão real quanto quem o curaria da sua paralisia. A pergunta feita por Jesus, “queres ser curado?”, por mais que pareça que tenha sido feita ao homem de forma aleatória, se considerarmos que a regra do tanque era “cada um por si”, não foi, pois parece justo Jesus procurar exatamente alguém que não conseguia andar. A resposta do paralítico não deixa duvida que a esperança que se acendeu em seu coração foi que Jesus seria este bom homem que o levaria até o tanque para um mergulho milagroso, mas o que ele nunca esperou aconteceu, o bom homem tinha muito mais que seus ombros para ceder a ele, suas palavras são tão diretas quanto à pergunta inicial: “levanta, toma teu leito e anda”.
Mais uma vez o caminho não só propõe uma jornada, mas dá condições para que ela se desenvolva. Este homem, que há 38 anos sofria da paralisia física, recebe uma cura completa, ou seja, além de literalmente poder voltar a andar pôde também retomar uma caminhada que havia interrompido quando cedeu a crença mística da sua alma ao ficar esperando um suposto ato de Deus, por intermédio de anjo imaginário em águas misteriosamente milagrosas.
Um encontro sincero com o caminho tem este poder, curar nossas deficiências e nos livrar das nossas paralisias intelectuais em nome de superstições sem base e sem entendimento, pois, quem entra no caminho e aceita a jornada, na mesma medida em que é convocado a não aleijar sua fé crendo em contos e fábulas que prometem esquisitices é chamado a crer na sobrenatural simplicidade da jornada, isto é, talvez nem sempre aconteçam milagres, mas nunca deixará de haver caminho e encontros nele.
O NOVO CAMINHO
por Flávio Santos.
João 3: 1-21
A proposta de Jesus para todos os que Dele se aproximam é um caminho pra andar. Na ocasião em que o Mestre Nicodemos vai, à noite, até Jesus, o convite pra andar é feito. Pra andar em um novo caminho!
O novo caminho é apresentado a Nicodemos como o novo nascimento. Pra andar nele é necessário nascer de novo. Da água e do Espírito. É uma estrada que dá acesso ao reino de Deus. Quando a nova via é percorrida, os olhos se abrem para ver o Reino e suas verdades espirituais.
O Novo caminho não é compreendido pela religião.
Nicodemos é um religioso com qualificações invejáveis. Fariseu. Príncipe dos judeus. Mestre de Israel. Com toda a sua sabedoria religiosa, não compreende a simplicidade do caminho. A água que lava a existência. O Espírito que, em soprando, conduz para o Reino de Deus. E a necessidade do nascimento do alto.
Nicodemos se apresenta diante de Jesus sabendo muito, mas não compreendendo espiritualmente quase nada. Diante das verdades do novo caminho, o mestre fariseu só tem perguntas a fazer. O conhecimento se transforma em interrogações. A sabedoria da carne é humilhada diante da sabedoria do Espírito. A religião não compreende as coisas celestiais.
Se a religião não compreende o caminho, o que temos a fazer é nos abrir para água que lava os pecados e o peso religioso que nos atrapalha. É erguer as velas da existência e deixar o vento do Espírito nos guiar pelo Caminho, Verdade e Vida. É nascer de novo para o novo caminho.
O novo caminho se tornou possível porque o Filho do homem percorreu novos caminhos.
João começa seu Evangelho dizendo que o Verbo se fez carne. Viajou da eternidade para as contingências do tempo. Cruzou os mundos. Desceu no caminho que ninguém poderia subir. O Filho do homem percorreu um novo caminho inaugurando uma nova era. A era da graça. Esvaziou-se de si mesmo e habitou entre os homens. O céu se uniu à terra no Filho do homem.
Além de percorrer o caminho da eternidade à terra, Jesus percorreu o caminho em direção à Cruz. Percorreu a Via dolorosa. Transformou o caminho de morte em caminho de vida. O caminho de condenação para os homens, percorrido pelo Filho, possibilitou o caminho da salvação. A vida eterna - o novo caminho - é palmilhado com a Cruz nas costas. Quem quiser ir após Ele, tem de carregar a Cruz.
Jesus, ao percorrer esse novo caminho, foi levado ao lugar onde seria levantado entre os céus e a terra. Foi para Cruz que ele veio. Para morrer pela humanidade. Jesus foi levantado para autenticar que era o Deus-homem. Se tivesse morrido na terra, seria somente homem. Se tivesse voltado para os céus sem a morte, seria somente Deus. Assim, entre os céus e a terra Jesus inaugurou o novo caminho para andar.
Portanto, para os que se propõe a viver como caminhantes, devem andar em fé. Crer para não perecer na religiosidade e no pecado. O convite de Jesus é para a vida eterna. Uma vida mais que abundante.
Os três verbos do novo caminho.
O primeiro verbo do novo caminho é amar. Deus amou o mundo. Deus amou a todos indiscriminadamente. Deus amou de tal maneira. Na linguagem de Paulo, constrangedor; largo, comprido, alto e profundo; nada pode nos separar desse amor.
O segundo verbo do novo caminho é dar. Deus deu o seu filho. Fez uma doação à humanidade. Doou em graça o seu único filho. Deus deu Jesus para que não perecêssemos, mas que tivéssemos a vida eterna.
O terceiro verbo do novo caminho é enviar. Deus enviou seu Filho para um lugar. O mundo. Para todos os povos, línguas e nações. Deus enviou seu filho com o propósito de salvar a humanidade. Para que condenar o que já está condenado? Assim, o que sempre fica no novo caminho é a fé no unigênito filho de Deus.
A proposta do novo caminho termina com uma sentença poderosa:
E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. João 3.19-21
Estamos diante de uma escolha: caminhar em trevas no caminho antigo, ou caminhar em luz no novo caminho. Qual a sua escolha? Eu já fiz a minha: Eu tenho um novo caminho pra andar. O caminho do novo nascimento!
CAMINHO
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