quarta-feira, 9 de março de 2011
A Graça da Garça - A arte de viver em meio a lama, sem sujar as vestes!
Video muito bom... Se não gostar do RAP, preste pelo menos atenção na letra!A GRAÇA DA GARÇA!
quinta-feira, 3 de março de 2011
A BUSCA DO CERTIFICADO
Era sexta-feira em 2006, mais ou menos quatorze horas, e na segunda já teria que estar com o certificado à mão, para entregar a Faculdade de História. O grande problema é que o bendito certificado havia atrasado pela instituição de Cambará-PR. Lembre-se que o mesmo era para ter sido entregue em dezembro passado, agora restavam poucas horas para chegar a Maringá-PR., para retirá-lo, já que a mesma instituição em Cianorte-PR., culpou a sede pela demora.
E agora como chegar lá? Ônibus? Não tinha nem horário e nem mesmo dinheiro, a solução era partir para a BR e arranjar uma carona, dessas do tipo de fazer um sinal com a mão. Mas eu dispunha mais do que isso, fiz um anúncio: Carona para Maringá-PR., e algo me ajudava, o meu ponto era em frente ao posto da polícia federal. A ansiedade era tanta que nem me importei com sol, pois meu pensamento estava a oitenta quilômetros. Por ali passavam de tudo, caminhões, motos, carros importados ou não, uns até buzinavam para mim, mas a maioria nem se importava, pois presumo que esse negócio de carona é por tudo, perigoso.
Não lembro nem do carro e nem da pessoa que me deu carona, mas cheguei a tempo, paguei os cinqüenta reais e retirei o motivo da minha aflição, o atrasado certificado. A instituição estava bem próxima a um ponto de ônibus (circular), e corri para o outro lado da rua, para o mais rápido possível pegar um e chegar a Paiçandu-PR., e de lá novamente uma carona.
Quando encostou um, perguntei se esse pararia no posto, o motorista balançou a cabeça com o sinal de sim, imediatamente embarquei. Estava com pouca gente, dessas que levantam às seis da manhã e que tem um dia entediante. A essa altura o sol já estava se pondo e eu estava a caminho do posto, o da saída de Paiçandu-PR.
Mas por um momento me ocorreu um pensamento: o ônibus está indo por um caminho que não conheço. Corri até a frente, e perguntei ao cobrador se o ônibus não iria passar no posto? Sim, disse ele, já passou. O quê? Mas esse ônibus não vai parar no posto da saída de Paiçandu? Risos... Não, a linha já está terminando. Mas vai parar onde? No embarque do trem de carga. Trem de carga? Sim. Naquele momento me lembrei de um provérbio da minha terra, é meio esdrúxulo me desculpe, mas resumiu o momento: “Para quem está cagado, um peidinho a mais não faz diferença”.
Perguntei: essa linha de trem vai sair em Paiçandu? Sim. Olhei firme para a linha e para a estrada de volta, o que fazer? Voltar, já estava tarde e o ônibus já havia encerrado seu expediente, a solução foi rumar na linha do trem e apertar o passo. Com pouco tempo de caminhada meus pés já estavam doendo, pois a modalidade de calçado que usava (sapa tênis) tinha o solado fino, e parecia que eu pisava diretamente nas pedras que estavam junto à linha, e o resulto disso foram os calos.
Ao longo da linha via-se muita sujeira, óleo derramado, grãos de todos os tipos, plástico e algum tipo de vegetação, mas na melhor das hipóteses, era mato mesmo. E o certificado? Estava na bolsa, mas não importava muito nesse momento, pois minha alma estava no regresso, o que parecia longe.
Alguns pensamentos nasceram no trajeto, e me trouxeram ansiedade e desânimo, e o velho existencialismo permeou meu ser, ou seja, vale a pena isso tudo por causa de um sonho? Ou, por que sofremos tanto em nossas conquistas? Pensei por um momento que eu era o único que sofria aquele tipo de angústia, mas o pior ainda estava por vir. Ouvi um barulho, era o trem, mas com apenas um vagão e o maquinista parecia que havia entrado em uma piscina de óleo, acenou com a mão. Deve ter pensando, imagino: o que esse doido faz nos trilhos do trem há essa hora? Mas passou rápido, e eu continuava andando. Quanto andei? Não faço idéia, mas imagino que uns 5 km no mínimo.
Comecei a avistar uma ponte, em cima tinha muito tráfego, embaixo um gol todo amassado, acho que era um do modelo bola. De repente um insight, eu estava debaixo da ponte que vai para Paiçandu, justamente no local em que eu deveria estar por cima, eu estava por baixo. Ai meu Deus! Percebi o tamanho do problema, pois a ponte estava em torno de uns oito metros de altura, e nas laterais eram barrancos, não tinha como subir. Quem apareceu novamente? O existencialismo, me martirizando e desafiando a viver em meio às lutas. Pensei, pensei. A frente estava à estação de carga dos trens, e voltar, não, nem pensar, era tarde e meus pés estavam doendo muito. Olhei a frente, uns duzentos metros e vi uma escada de ferro que levava até a fábrica ao lado. Oras, “Para quem está C... um P...” vocês já sabem, corri para a escada, subi em cima de um armazém, e desci me agarrando a barras de ferro.
Outra preocupação surgiu: teria guardas? Pitbulls? O fato é que saí correndo como louco, procurando a rumo o portão da entrada, ou da saída para o meu caso. Achei um portão, estado (trancado), mas fácil de pular, ao lado uma moto e um carro frente a uma espécie de escritório, não tinha ninguém, mas estava aberto. Não titubeei, pulei de um salto o portão e saí em disparada rumo a BR, corri, corri muito, passei a ponte e quase parei para confrontá-la pelo meu suplício, mas não havia tempo, quando cheguei ao pretendido posto, já era noite, e voltei novamente a pedir carona. Como? Dessa vez somente com o gesto do dedão, e após uma meia hora, parou um gol, e dos novos. Vai para onde amigo? Cianorte, tem como me levar? Ao que ele respondeu: Não tem como você me ajudar com cinco reais? Cinco reais? E eu achava que seria uma carona, pois eu estava sem nenhum centavo no bolso, tinha somente os cinqüenta que havia gastado com o bendito lá atrás. Moço, eu não tenho nenhum centavo, e se puder me ajudar... Sim, sim, vamos. O mundo já havia passado em minha cabeça, tântalo, serra pelada, rocinha, meninos de rua etc.
Meus pés e minhas costas não me prejudicavam mais que meus pensamentos que ainda me conturbavam rumo a Cianorte, e estrada a fora, comecei a conversar com o “moço”, aparentava uns trinta e sete anos, olhos cansados, magro, nariz fino e feição de sofrimento, e era mesmo. Abriu-me o coração e disse que estava por se separar da família, e que tinha filhos da minha idade. Comecei a pensar na vida do moço, e então notei que meu sofrimento era ínfimo perto do dele.
Conversa vai, conversa vem, até que chegamos ao seminário em Cianorte, creio que já eram umas vinte horas, agradeci ao moço, e entendi que o sofrimento é uma ferramenta muito eficaz para moldar nossa história, e o apóstolo Paulo parece que entendia bem isso:
“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos..” IICo 4.7-9
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
BBB: BIG, BESTEIROL, BRASILEIRO
Não é mais um besteirol americano? Certamente que sim. Quem sabe o leitor duvidoso ira se remeter a algum fato dos U.S.A., pois em nosso senso comum, “Americano” é somente alguma coisa, relacionado aos norte-americanos. Mas, esse besteirol além de americano é exclusivamente tupiniquim, ou seja, é brasileiro mesmo.
O besteirol com o “Jeitinho Brasileiro” veio para potencializar ainda mais a forma, em detrimento do conteúdo, ou seja, valorizar a aparência do sujeito. E isso se torna um vale-tudo, para eu poder obter meus 5 minutos de fama: roupas vulgares, banalização do sexo e da sensualidade, um jargão do momento, falsidades, enfim, eu preciso expor meu “produto” de maneira convincente, pois o importante é Causar!
O Big, Besteirol, Brasileiro, mais conhecido como BBB é um engodo, pois manipula e bestializa a consciência do brasileiro, fazendo com que este sofra, torça e contribua para seu “jogador” ganhar. O que muitos não sabem, é que tudo isso é programado, como se fosse uma verdadeira novela, textos são ensaiados para por fogo na casa, para parecer o mais real possível (confira: http://www.youtube.com/watch?v=-SVYOYqseE0). E do outro lado está o telespectador, gastando com telefone e internet, contribuindo para a capitalização da Rede Bobo, quer dizer, Globo.
Mais este não é o maior problema, pois cada um gaste seu dinheiro e tempo como quiser. Nossa crítica vai para a formação de uma classe que está vivendo sob a Égide do Status. Pessoas estão cada vez mais se tornando produto de consumo, e se alienando no que chamamos de Moda, Fama, Status etc. E o BBB, tem sido um porta para a ascensão dos anônimos que anseiam por aparecer na telinha. Alguns com talento acabam por serem convidados a participar de algum outro programa, e se tiverem sorte, ou quer dizer, QI (QUEM INDICA), podem até trabalhar na emissora. Mas, para as mulheres a sorte grande é a Playboy, com contratos riquíssimos posam nua, e assim conseguem ficar famosas, nem que seja mostrando o corpo. Os restantes logo caem no ostracismo, tornam obsoletos, e voltam a suas vidas normais, e percebem que o sucesso, fama, glória são mesmo efêmeros.
Melhor do que Parecer é Ser! E para terminar, citaremos provérbios populares que embasam nossa visão: “Quem vê cara, não vê coração”; “Nem tudo que reluz é ouro”; “Por fora bela viola, Por dentro Pão bolorento”!
“A glória desse mundo é como um círculo na água, que nunca deixa de aumentar, até que por força do seu próprio crescimento dispersasse em nada” – Padre Antônio Vieira.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
MEU PASTOR É SHOW!
É comum hoje em dia ouvirmos a expressão: “Meu pastor é show”, frase propagada em uma edição da revista Veja. E isso se dá não por acaso, mas sim para sublinhar a mudança do paradigma pastoral atual, onde o pastor não é mais o pregador do Jesuiso, ou do Deuso, ou seja, deixou de ser leigo. Era comum há vinte anos ou menos atrás, reuniões embaixo de palhoças onde o que de fato importava era somente saber se “A palavra estava sendo pregada”, não importando questões estruturais, litúrgicas, ou homiléticas. A igreja mantinha seus membros primeiro por causa da graça de Deus, e segundo pela figura do seu pastor, onde se dizia: “Ele não tem nem a quarta série, mas é um homem de Deus”.
Mas com a transformação da sociedade, com o advento dos meios de comunicações, e a facilidade para se obter um diploma, muda-se a cara da Igreja, bem como do seu pastor (isso falando de um modo geral, fato presenciado por mim, no interior). Se a igreja atual se adaptou a modernidade, é óbvio que seu líder (Pastor) também o fez. Ter um bacharelado em Teologia é o básico e o mínimo para o ministério Pastoral, e o pastor não para por ai, está se reciclando, fazendo pós-graduações, e outros cursos voltados a ciências humanas e sociais etc. O Pastor atual em nada deixa a desejar no requisito formação, em relação a outros profissionais.
Mas essas transformações levaram o pastorado atual a ir além do púlpito. Hoje temos o Pastor-Professor (meu caso); Pastor-Psicólogo; Pastor-Advogado; Pastor-Empresário etc., os exemplos são vários. O Pastor atual é agora uma figura “importante” na sociedade (não que antes não fosse), pois outros créditos lhe são atribuídos além do ministério, e assim as ovelhas estão bem representadas pelo seu líder, a ponto de colocá-lo em um patamar privilegiado.
Contudo, devemos analisar quais são os aspectos positivos e negativos do pastor bivocacionado. A primeira questão a ser analisada é o contexto em que este pastor está inserido. Ou seja, é necessário manter uma segunda vocação? Se for por conta de questões financeiras, a resposta pode ser sim. Segundo, a sua vocação secular irá atrapalhar seu ministério? Terá tempo suficiente no cuidado de suas ovelhas? Terá tempo para sua vida devocional (orações e estudo)? Conheço pastores que trabalham o dia inteiro, e chegam em casa somente para tomar banho pegar a bíblia e ir para o púlpito. Se o caso for esse, creio que ser bivocacionado não será uma boa idéia ou alternativa. Mas como exceção a regra, falo do meu exemplo: Na igreja em que pastoreei ano passado, trabalhavamos em dois pastores, e um atendia de manhã e o outro à tarde, dessa forma sobrava um tempo para cada um de nós desenvolver uma outra função. Se assim for, creio que o ministério bivocacional pode funcionar muito bem.
O aspecto positivo do ministério bivocacional é: Poder ir além dos muros da igreja, sendo também reconhecido como um importante profissional secular.
Já o aspecto negativo é: Acabar tendo que dividir o tempo pastoral em atividades seculares, deixando seu rebanho a mercê do contato pastor-ovelha. Se esse for o caso, creio que o melhor mesmo, é ter um tempo integral para a obra de Deus, e o rebanho a nós confiado.
Deus nos abençoe!
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