sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ONDE ESTÃO OS MICAÍAS?

Com certeza você já teve ter ouvido a história do profeta Micaías (1Reis 22.1-28). Ele foi contemporâneo do profeta Elias, e ambos profetizaram no Reino do Norte em Israel, nos tempos do Rei Acabe e Jezabel. 
      Possivelmente Micaías aparece no cenário religioso já encarcerado, pois “Então disse o rei de Israel: Tomai a Micaías, e tornai a levá-lo a Amom, o governador da cidade, e a Joás filho do rei. E direis: Assim diz o rei: Colocai este homem na casa do cárcere...” v.26. Micaías sai do cárcere para participar de um grande conclave em Samaria, do Rei Acabe e Josafá, pois estavam assentados em seus tronos na “praça” da cidade, para ouvirem a “voz de Deus” através dos profetas de Acabe, e que, diga-se de passagem, eram 400. Josafá que era um homem temente e de experiências com Deus, questiona Acabe, sobre seus profetas, pois os 400 “a uma voz predizem coisas boas para o rei” v.13. Acabe então diz que existia só mais um profeta, mas o grande problema é que este profeta (Micaías) só profetizava o que era mal. “Disse, porém, Josafá: Não há aqui ainda algum profeta do SENHOR, ao qual possamos consultar? “Então disse o rei de Israel a Josafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar ao SENHOR; porém eu o odeio, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas só o mal; este é Micaías, filho de Inlá” v. 7.8. Não que é Micaías profetizava o que era mal, ele profetizava a verdade, e esta dói.
         Quando Micaías se apresenta diante de Acabe e Josafá, havia um que até encenava sua profecia, usando chifres, para ilustrar melhor a sua profecia mentirosa, “E Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Assim diz o SENHOR: Com estes ferirás aos sírios, até de todo os consumir” v.11. Micaías ainda recebe uma orientação tentadora: “E o mensageiro que foi chamar a Micaías falou-lhe, dizendo: Vês aqui que as palavras dos profetas a uma voz predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles, e fala bem” v.13. Afinal, não se tratava de nenhum Panha Manga (goiaba, Zé ruela, tobó etc.), mas dos Reis de Israel. Ainda assim, Micaías não se rende a pressão da maioria (400 profetas), e profetiza o contrário “Então disse ele: Vi a todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o SENHOR: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa” v.17. ;“E disse Micaías: Se tu voltares em paz, o SENHOR não tem falado por mim. Disse mais: Ouvi, povos todos!”v. 28. Micaías mas ousado ainda disse: “Agora, pois, eis que o SENHOR pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e o SENHOR falou o mal contra ti” v23. Ele recebe então de presente um soco no queixo (upper, será que isso que se diz no MMA?), do falso profeta Zedequias, e ainda é hostilizado pela maioria e pelo próprio Rei Acabe, mas ele não se dobrou, e pela verdade tornou a ser preso “Assim diz o rei: Colocai este homem na casa do cárcere, e sustentai-o com o pão de angústia, e com água de amargura, até que eu venha em paz. E disse Micaías: Se tu voltares em paz, o SENHOR não tem falado por mim. Disse mais: Ouvi, povos todos!”.v. 27.28.   
         A pergunta que não quer calar: Ei líder, de que lado você está, de Micaías ou dos profetas de baal? Não estamos percebendo, mais estamos mais parecidos com os profetas de baal, do que com Micaías, pois tememos “Acabe”, seus favores e a mesa farta de Jezabel. Os profetas de baal profetizavam aquilo que agradava ao Rei, pois desta forma não teriam problemas com ninguém. Nós vendemos nossos princípios e valores eternos por medo de “Acabe”, por medo de perdermos seus favores, títulos e regalias. 
     Somos verdadeiros fariseus e hipócritas em nossos púlpitos, quando pregamos: “Precisamos ser como João Batista, como Elias, Isaías, Jeremias etc., precisamos ter compromisso com a verdade, doe a quem doer, custe o que custar”, mas na prática o dedo em riste só serve para “panha manga”. Estamos vivendo um evangelho darwinista, onde é o mais forte que sobrevive. Estamos sendo coniventes com a mentira, e nisso nos tornamos filhos do diabo, "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira."(João 8 : 44). Pregamos a fidelidade, principalmente em dízimos e ofertas, mas na prática não cumprimos nem mesmo a nossa obrigação para com nossos ministérios, a estes, Jesus descreveu-os muito bem, Fariseus e Hipócritas. Estamos preocupados em agradar mais a “Acabe” e a suas instituições, do que ao Senhor e a sua palavra.
        Sinceramente, não é este tipo de “igreja” que quero deixar pra minha filha, não fui ficar enclausurado 4anos no seminário para ver “Acabe e seus 400 profetas reinando”, e ficar simplesmente calado. Não estamos precisando de pentecoste, “avivamento” ou “reavivamento”, estamos precisando mesmo é de vergonha na cara, estamos precisando é nascer de novo, e ter uma mudança de caráter. Precisamos voltar a tratar o que é santo com santidade, e tratar o pecado como pecado, e não usarmos “eufemismos religiosos”, pois a noiva de Cristo merece respeito, não podemos flertar com a noiva do cordeiro, e “iludir” ela, pois isto é uma traição!
        Não me arrependo de ter assumido meu chamado, nem te ter ido pro seminário, pois conheci o evangelho de Cristo, e se precisa-se, faria tudo de novo. Seria muito orgulho e arrogância eu me comparar com o Micaías, pois sei que “não sou digno de carregar nem suas sandálias”, mas minha parte estou fazendo, e mesmo que minha cabeça seja servida num prato aos “Herodes” da religião, quando eu chegar no céu, Jesus com a mão num sinal de jóia, falará: “Valeu Jean”. 

Escrevo e uso esse espaço “democrático” chamado internet, pois sei que posso ser a voz daqueles foram e estão sendo calados pelos “Acabes da Religião”. Micaías de todo o mundo, uní-vos!
“A verdade não é uma prostituta que se vende a qualquer preço” – A. Schopenhauer. 

Com pesar, no ardor de Micaías e Cristo, seu servo inútil Panha manga: Jean Carlos.

Obrigado!.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Onde deixamos a Cruz de Cristo?


Se temos por base as “Escrituras Sagradas” como nosso manual de fé e prática, obviamente temos extraído dela um mesmo conceito que atravessaram tempos, culturas e divergências teológicas, exalando para um mundo corrompido uma mesma fragrância de um perfume que jamais deixará a mente dos que olham para cruz.
   Esse perfume do qual eu falo, é o mesmo que insistimos em misturar com outros componentes e outros aromas afim de que o torne mais atraente e mais adequado ao olfato de quem o deseja, mas não em sua forma original.
   O fato é que o evangelho entregue em nosso lares, seja através dos livros, CDs, jornais e programa televisível, muito se tem distanciado da sua forma original e muito longe nos tem lançado do alvo que verdadeiramente deveriam nos remeter.
   O que era pra ser tão comum pra quem já conhece o evangelho torna-se uma incógnita quando nos referimos ao teor da centralidade do evangelho. Olhar para a cruz e vê-la vazia, traduz não o motivo por quem a teria esvaziado, mas sim o vazio de quem a deveria ter ocupado.
    A igreja brasileira em um sentido geral tem despencado a um abismo sem fim, e muitos tem sido os fatores que contribuem para esse “empurrãozinho ladeira abaixo”. Essa chuva de chamados à prosperidade ao triunfalismo ao determinismo e legalismo cristão está olhando para cruz e dizendo: “Muito lindo Senhor... através disso, agora tomo posse de tudo que é meu, não vou mais sofrer aflições porque eu determino as minhas bênçãos, afinal de contas eu mereço porque que tenho obras”.
  Esse desvio teológico afasta a cruz dos nossos púlpitos, dos nossos lábios, dos nossos corações e da saúde da igreja. A morte de Jesus foi o sacrifício expiador por causa do qual Deus desviou de nós a sua ira, o preço de resgate pelo qual fomos redimidos, a condenação do inocente para que o culpado fosse justificado, e o sem pecado fosse feito pecado por nós.
   Essa foi a realização de Deus na Cruz, esse é o cunho central que deve envolver a igreja brasileira, porque esse amor nos constrange ao ponto de olharmos para qualquer outro benefício realizado por Ele em nós, e ser como uma conta perdida que mesmo que seja paga, já não mais a esperávamos.
 
Texto: Isamaira Moura da Costa (minha esposa)...

Postagens mais visitadas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...