quarta-feira, 16 de agosto de 2017
Necessidade que nos cega
“Dentre todas as dívidas, a mais sagrada é a do
reconhecimento”, disse Benjamin Franklin.
Quando nos inteiramos do significado de ser reconhecido:
recompensado, premiado, gratificado e valorizado, compreendemos o fato de ter
sido considerada uma dívida sagrada por Franklin, afinal, está sempre
relacionado a meritocracia.
Essa necessidade de se mostrar capaz a todo custo, tem movido
a sociedade em seu âmbito pessoal, profissional e até mesmo sentimental. A
grande complicação aparece quando esta necessidade se faz presente em nosso
relacionamento com Deus, prova disso, é o comportamento que vemos no filho mais
velho na parábola do filho pródigo ( Lc 15:11-32 ), que se indignou ao ver o
pai regozijar-se pela restauração de seu irmão perdido. Nas palavras do filho
mais velho: este que desperdiçou seus bens com meretrizes, enquanto eu a tantos
anos tenho te servido sem jamais transgredir uma ordem sua e nunca me
recompensastes como forma de reconhecimento pela minha capacidade de obedecer e
servir.
Comumente cometemos vários erros ao nos portarmos como este
primogênito, que cegado pela necessidade de reconhecimento, não soube discernir
que a verdadeira restauração de seu irmão não veio no instante da entrega da
melhor roupa, nem do anel no dedo e muito menos das sandálias nos pés, mas sim
no momento de confissão do erro que consequentemente levou ao arrependimento
que fez haver mais júbilo na casa do pai. ( Lc 15:7 ).
O anseio de ser reconhecido é tão forte na vida deste jovem
que sua satisfação não está em regozijar-se no pai e muito menos com ele, mas
seu desejo era se alegrar com seus amigos, afim de mostrar o quanto é especial
aos olhos do pai.
Por diversas vezes almejamos tanto sermos recompensados,
simplesmente para que possamos mostrar o quanto somos obedientes, e
consequentemente abençoados, que esquecemos que nosso chamado assim como o de
Abraão é para que sejamos benção (Gn 12:2).
Este rapaz por fim chega ao ponto de não perceber que tudo
que é do pai também o pertencia, afinal ele não desejava nada que viesse de seu
pai simplesmente por amor, para ele o mérito era o objetivo final, se não viesse
como forma de prêmio era desprezado, a graça não lhe bastava.
Porém pode-se afirmar que o maior erro cometido por este
jovem foi o de acreditar que seu pai agiu daquela maneira para com seu irmão
como forma de reconhecimento pelo seu retorno, entretanto aquele homem
simplesmente praticou seu amor para com seu filho na intenção de demonstrar que
seu sentimento era inabalável e continuava o mesmo, independente de qualquer
situação.
Por vários momentos cometemos o mesmo erro quando buscamos
nos relacionar com Deus de uma forma com a qual o nosso Senhor não trabalha.
Assim como aquele pai, Deus não atua com sistema de reconhecimento, Deus não contabiliza
méritos e deméritos, e muito menos procede em função do que realizamos ou deixamos
de realizar. Ele simplesmente manifesta seu amor segundo o beneplácito de sua
vontade e somente age de acordo com sua santa soberania, em sinergia com o
sacrífico de Cristo e o poder do Espírito Santo.
O evangelho segundo Mateus em seu capítulo 6 nos mostra que
aquele que receber reconhecimento aqui já recebeu sua recompensa e não será
recompensado pelo pai. Que esta palavra possa trazer temor aos nossos corações a
fim de nos fazer buscar cada vez mais as coisas do alto, para que ao contrário
daquele rapaz nós possamos reconhecer e nos contentar com a graça e
misericórdia do Pai que nos é oferecia diariamente mesmo não sendo merecedores,
na esperança de recebermos as coisas que os olhos não viram, e os ouvidos não
ouviram, e que não desceram ao coração do homem, e que Deus preparou para
aqueles que o amam (1Co 2:9), a saber, a salvação.
Por: Kassio Gilliard (Obs. Primeira vez que escreve algo para postar).
Primavera do Leste - MT
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Amo o noivo, mas detesto sua noiva!
Mas de tantos amigos convidados para a festa do meu amigo,
ou seja, do noivo, alguns se destacam, pois estão se portando um tanto estranhos
com o convite. Diria que um tanto indelicados, insolentes, abruptos, agrestes,
selvagens, toscos, hostis, ríspidos, ordinários, maus, desagradáveis, pesados,
quadrados, rústicos, bruscos, xucros, desamáveis, desatenciosos, deselegantes,
desprimorosos, pejorativos, respondões. Sim, você está certo em seus
pensamentos, peguei no dicionário mesmo essas palavras.
Como
você se sentiria se você fosse se casar, e alguns dos que você ama simplesmente
detestasse sua noiva? Feliz? Claro que não. Não há como amar o noivo e detestar
sua noiva, até por que após o casamento se tornarão uma só carne. Não haverá
como separar um do outro, não haverá como ter comunhão com o noivo, se não amar
sua noiva! Já imaginou o noivo te convidando para almoçar com eles, e você
simplesmente não quisesse ir por que você detesta a noiva do seu amigo? Que
situação ein... Que desconforto!
Uma
pergunta, o noivo sabe disso? Ele sabe que você está recesso em ir ao casamento
por causa de sua noiva? Ele sabe que você não irá ao chá de panela, por que você
não aguenta olhar para cara da noiva? O Noivo sabe que você diz que o ama, mas
só consegue criticar, difamar, e as vezes odiar sua noiva? Cara, que situação
você está ein. Aliás, tem como amar só o noivo? E se o noivo escolheu essa
noiva, é porque certamente Ele a ama, e esse é o fato por que quer se casar com
ela. Se a noiva do noivo tem defeito, Ele já sabe, senão não se casaria. Agora
você que detesta a noiva, deveria respeitar a escolha do noivo. Ele se casa com
quem Ele quiser, e como diz o provérbio: “Em briga de marido e mulher a gente
não mete a colher”.
Posso
te dar um conselho? Deixe o noivo se casar com quem Ele quiser. Se a sua noiva
(Dele) tem defeitos, isso absolutamente não é problema seu. Se você não
consegue amar a noiva do seu amigo, certamente você nunca conseguirá ter
comunhão com eles, e dessa forma, faz um favor, não vá ao casamento, não seja
deselegante, o noivo não ficará feliz em saber do que você fala e pensa a
respeito da noiva Dele.
“Aquele
que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Apocalipse 2:29
Obrigado!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Tirando as teias de aranha!
Sim, havia muitas teias de
aranha por aqui. O tempo passou muito rápido, implacável e sorrateiro, deixando
poeira e teias espalhadas por esse blog. Mas chegou a hora de limpar, sacudir a
poeira, tirar as teias. É necessário novamente que o brilho apareça, a sensação
de limpeza e bem estar cheguem. Hoje é o dia, vamos lá!
O tempo não foi o único culpado, aliás o tempo não tem
culpa, ele é, ele chega, nasce e renasce todos os dias como o sol, como um
relógio que desperta todas as manhãs. Somos nós que precisamos nos adequar,
integrar e ceder a ele.
Desde que se tem noticias da humanidade, os dias sempre
foram de 24h, mas nós estamos precisando de 28h, talvez 30h. Mas mesmo que tivéssemos
32h ainda assim não seriam suficientes para nossas demandas.
Se o tempo não tem
culpa, seriam os compromissos os culpado? Também não, pois sabemos que quem os
fazem somos nós! Nós que os procuramos, nós que não aguentamos mais ficar
parados, ociosos, a vida moderna nos cobrará muito caro por querermos abraçar o
mundo.
Minha vida era muito mais tranquila, mas simples e banal.
Mas a cada ano que passa, me vejo em mais compromissos, mais tarefas, mais
projetos, mais desafios, enfim, mais e mais demandas, e menos e menos tempo.
Tempo pra mim mesmo, pra minha família, pro trivial e simples, pro comum e
efêmero.
Preciso negociar com o senhor Tempo, e com o senhor
Compromisso. Preciso me ajustar a eles, de forma que eu não os dê mais do que o
necessário. Que eu não seja seduzido por melhor que sejam suas propostas. Que
eu saiba dizer não! Não, um não duro, áspero e austero, mas um não que não os
fira, que não os comprometa.
Senhores
Tempo e Compromisso, as coisas não são bem assim como vocês pensam, vamos
devagar e divagar. O ano está acabando e vocês conseguiram me convencer de
muita coisa que eu não precisava. De agora em diante, precisamos conversar
melhor, e eu já lhes digo, que não vou ceder a pressão como antes.
De agora pra frente será diferente....
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Um Rei, um jumento e um caminho: a sutileza de Deus em favor da humanidade!
A Glória do Caminho!
Um Rei, um jumento e um caminho: a sutileza de Deus em favor da humanidade!
“No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que
Jesus vinha a Jerusalém, Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao
encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do
Senhor”. Jo 12.12-12
Significado de Nexo: “Ligação entre uma e/ou várias coisas - união. Vínculo, conexão entre circunstâncias, acontecimentos”.
Algumas palavras ou sentidos delas, nunca fariam significado ao povo
judeu nos tempo de Jesus. Talvez o que mais se encaixaria com a
narrativa do evangelho de João no cap. 12.12-19, é desnexo: Falta de
nexo; desconexão, incongruência; ou ainda paradoxo: contradição;
oposição aparente; opinião contrária ao senso comum.
Sim, que coisa estranha aconteceu em Jerusalém segundo o evangelista
João. Um evento que iria chamar a atenção de toda nação, não está
trazendo coerência, legitimidade, mas sim, um falso entendimento acerca
de Cristo Jesus e de sua missão. Os elementos usados por Deus pai
através da vida do Deus filho são um tanto “sem nexo” para o povo judeu,
e também a nós se vivêssemos naquele período.
Cristo decide de uma vez por todas anunciar sua messiânidade, já que por
várias vezes ele quis ocultá-la. Qual o propósito de ora ocultá-la, ora
anunciá-la as pessoas em particular? Não temos claramente o porquê
desse processo, mas uma coisa é certa, a hora da revelação chegaria.
Alguns eventos apontavam para isso.
E um deles foi revelado pelo próprio Cristo em Betânia, apenas seis dias
antes da páscoa, quando Maria unge os seus pés, em João 12.7. Um dos
discípulos se incomodou com o que Maria fizera, com seu ato de ungir e
secar os pés de Jesus com seus cabelos, e também pelo menos em sua fala,
em “desperdiçar” um alto valor naquela ação, quando ela poderia vender
por trezentos dinheiros e dar aos pobres. O próprio texto faz justiça a
passagem, denunciado os atos do discípulo incomodado, Judas Iscariotes,
“O que havia de traí-lo”, dizendo: “Ora, ele disse isto, não pelo
cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e
tirava o que ali se lançava” (v.6). Jesus então profetiza: “Deixai-a!
Que ela guarde isso para o dia que me embalsamarem” (v7). Após Betânia, a
cada minuto se aproximava, o Gólgota de Jesus.
Jesus a essa altura já havia ressuscitado a Lázaro e a medida que sua
fama corria e crescia, também crescia o ódio dos principais dos
Sacerdotes e Fariseus a Jesus, e de quebra, agora além de quererem matar
a Jesus, também querem a Lázaro. Não há mais tempo, é chegada a hora,
Cristo deve se apresentar em Jerusalém, pois algo grandioso está para
acontecer em todo país, e que mudaria para sempre a história da
humanidade, ou seja, a morte de Jesus.
Jesus vai se apresentar em Jerusalém, mas usa meios um tanto “sem nexo”
para executar sua ação. Jesus “achou um jumentinho” segundo João. Já os
demais evangelistas dizem que Cristo mandou que dois dos seus discípulos
fossem até o subúrbio de Jerusalém em Betfagé, no Monte das Oliveiras, e
buscassem uma jumenta e um jumentinho (segundo Mateus); Um jumento que
ninguém ainda montou (segundo Marcos e Lucas). Enfim, a condução usada
por Jesus foi um jumento. E por que não um cavalo? Ou um Camelo? Não,
deveria ser um jumento mesmo, por pelo menos duas razões, e a principal
delas, é que Jesus estava cumprindo a risca, uma profecia de Zacarias
que profetizou a mais de quinhentos anos, “Não temas, ó filha de Sião;
eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta” Zc. 9.9.
Segundo, um cavalo para essa época falava de batalha, de guerra. Já o
jumento sinalizava paz, trégua, tranquilidade, quando um exército fazia
seu uso.
Jesus como Rei de Israel é reconhecido como tal pela forma que a
multidão o saúda: “Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro,
e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor”
(v.13). O ato de pegar ramos de palmeiras e balançar tinha um extremo
significado, com esse movimento a multidão estava declarando que agora
chegaria a paz e a prosperidade sobre Jerusalém, agora era o momento em
que Jerusalém seria liberta das garras do Império Romano. E por um longo
caminho e por pelo menos duas multidões, a que vinha de Betânia, e a
que caminha em direção a Jerusalém repetiram esse gesto e também as
falas, Hosana, Hosana, Hosana. O Rei de Israel veio sim, também veio em
nome do Senhor, mas não veio nem por esse, e nem pra esse caminho, o de
libertar Israel de Roma.
O caminho percorrido por Jesus não era o caminho do palácio, do poder,
da autocracia, o caminho era outro, extremamente diferente do que a
multidão pensava. O caminho da multidão apontava para um rei terreno, do
aqui e agora. Um rei político, diplomata e negociador. O caminho da
multidão apontava para um rei forte, beligerante, astuto. Um rei
despótico, lutador e perigoso.
Não, não. Isso sim não tem nexo. O caminho apontado pelo Pai e
percorrido pelo filho, não levava a glória desta terra, mas a
humilhação. Não levava ao palácio, mas ao Gólgota. Não levava a
tranquilidade, mas a Cruz. Não levava a mordomia, mas a servidão. A
multidão e os discípulos sem entender nada, e nem os caminhos e sutileza
de Deus, se frustraram com suas convicções políticas. Somente após a
morte e glorificação de Jesus, é que vão começar a entender o caminho
percorrido e proposto por Jesus (v16). O caminho apontado por Jesus era
tão simples, mas tão simples que era impossível a um rei tomá-lo. O
caminho percorrido por Jesus, jamais um rei o utilizaria, ainda mais
montado sobre um jumento. O caminho proposto por Jesus não significava
nada à multidão que ainda não entendia os desígnios de Deus. Mas o
caminho indicado por Deus foi o caminho do triunfo, o triunfo de Cristo
sobre o pecado e a morte, e da própria humanidade conquistada por meio
de Cristo.
Os caminhos apontados por Deus sempre serão o caminho do triunfo, não
para exaltação do homem, mas para a glorificação de seu Filho. O simples
gesto da tríade, Rei-Jumento-Caminho foi entendido pelas multidões como
o princípio da esperança e prosperidade de Israel para aqueles dias.
Para os Fariseus, mais um herege a ser combatido, pois as multidões o
seguem, e como os próprios disseram, “o que estão ganhando com isso?”.
Mas para o Pai, esse foi o gesto, mais sutil e triunfante da história,
em favor da humanidade caída. Pai preparou o caminho que seu filho
percorreria, caminho de dor, aflição e sofrimento, que resultaria no
triunfo de Cristo, e consequentemente do resgate da humanidade.
Prepara–nos diariamente tal caminho, oh Senhor!
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