segunda-feira, 3 de outubro de 2011

QUANDO AINDA HAVIA DESESPERO!


          A sexta-feira estava só começando, a noite sair, encontrar os amigos, beber, fumar, ouvir música, e quem sabe uma paquera etc. Já voltava para casa de madrugada, o que dava grande dificuldade para levantar cedo no outro dia. 
          No sábado, trabalhava até umas 14h e depois já fazia a velha cotinha para comprar bebida novamente, cerveja, vodka, e (pinga dependendo de como estava o bolso), isso acompanhado novamente de música e cigarros, até mais ou menos umas 19h, e que na nossa linguagem, já dava para dar um raio (ficar meio embriagado).                   
          Dormia até as 22H, e então saía novamente para rua para repetir a sexta-feira, só que com mais intensidade, pois a avenida estaria cheia, o som seria mais alto, e a bagunça também. O som causava uma espécie de reação em cadeia. Som chamava cigarro, cigarro bebida, bebida chamava várias coisas, como paquera e polícia etc. Depois da 1h da manhã, havia um deslocamento da avenida para o clube ou para a danceteria (a única da cidade). Dentro destes locais se repetia o processo da reação em cadeia, tudo novamente. A festa encerrava-se na maioria das vezes tranqüila, e era uma ou outra vez que via uma briga.
          Acabando a festa, e depois de ter feito de tudo um pouco, coisas lícitas ou não, ainda faltava ir a um lugar antes de chegar em casa: a Feira municipal. Para mim ainda não havia acabado o sábado, faltava tomar um suco, e comer alguma coisa, para ajudar a curar a ressaca. Do outro lado, estavam pessoas que levantaram de madrugada, e ao contrário da maioria, não para “festar”, mas para trabalhar arduamente, e nesse contexto uma frase do Marcelo D2 resume: “Enquanto uns choram, outros mesmo devoram”. Enquanto uns ali bagunçavam e faziam moagem (resultado de quem bebeu a noite inteira), do outro lado do balcão haviam pessoas que estavam sacrificando seu sono em detrimento do trabalho e sustento. Depois de tudo isso, chegava em casa pela manhã, e diga-se de passagem, o sol já havia nascido.                     
          No domingo, dormia até umas 15h da tarde, acordava e ia direto tomar um tereré para curar a ressaca, depois comer alguma coisa. De tardezinha, ia novamente para a rua, mas agora mais tranqüilo, com menos bagunça e cachaça e mais tereré, pois o dilema estaria só começando. A ressaca moral já começava dar sinais, e tudo começava a ficar mais comedido, reflexivo e existencialista. Ainda havia bebida e cigarro, mas agora somente cerveja, e pouca ainda, e as músicas também mudavam, da eletrônica/pancadão para o pop e o rock, do tipo Red Hot Chili Peppers (Soul to squeeze) e coisas do gênero. Quando chegava as 22h, já não havia quase ninguém na rua, então era sinal de que já era a hora de ir embora, pois a segunda-feira não aguardava ninguém, ela chegaria mesmo. E quando botava a cabeça no travesseiro, se ele falasse..., denunciaria quem eu era, alguém que não sabia quem era ou que queria. 
          Segunda feira pela manhã já havia um yellow smile (sorriso amarelo), mas disfarçava, pois era dia de contar os B.Ó.s ou bafões do final de semana, e ainda olhar nos sites da cidade para ver se havia saído em alguma foto, para alimentar o ego. Neste dia nem queria saber de bebida, cigarro ou música eletrônica etc., só tereré mesmo e Red Hot. 
         O que havia de semelhante neste processo, é que ele era cartesianamente igual, ou seja, acontecia sempre da mesma forma. E com o passar do tempo, comecei a me perguntar, se isso é que era felicidade? Isso me completava? Isso que eu queria para minha vida? Por que depois de um final de semana badalado sempre eu ficava triste e depressivo? Por que eu estava me sentindo infeliz, se tudo o que sonhei e busquei, (mesmo que pareça fútil), eu tinha. Tudo que um jovem do meu contexto queria eu tinha, carro, som, festa, mulherada, dinheiro suficiente etc., mas o que me faltava?                                    
          Comecei a perceber que as festas e sua reação em cadeia eram somente um refúgio onde eu estava me abrigando a muitos anos. Percebi que quanto mais eu buscava essa vida de festas mais eu me angustiava ou me decepcionava. Percebi que eu estava Parecendo e não Sendo. Percebi que havia um desespero na minha alma e tudo isso era somente a ponta do iceberg. Por muito tempo fingi ser feliz, e enquanto muita gente dançava e se alegrava com meu som, eu chorava por dentro. Enquanto alguns queriam ter a vida que eu tinha, eu queria ter a vida de outros, uma vida feliz. Não poucas vezes vinha a minha mente a seguinte uma pergunta e afirmação: O que estou fazendo aqui? Aqui não é o meu lugar! 
          Depois de conviver muito tempo com este dilema e buscando respostas, cheguei à conclusão: eu era uma pessoa infeliz. O problema é que busquei a felicidade nos lugares errados, como álcool, cigarros, festas etc. Ora, mas qual é o segredo da felicidade, qual o segredo da paz? Onde estavam?                                                  
          Simples, eu já sabia, mas nunca quis admitir ou dar o braço a torcer, estavam em Jesus, Ele era a resposta para minha vida e para os meus dilemas. Eu que tinha coragem para tomar bebida forte, dar cavalo de pau, empunhar uma armar, querer brigar, experimentar alucinógenos, por que não teria coragem de conhecer Jesus a fundo? Se tudo o que buscava me fez mal, queria então experimentar o outro lado da moeda. Se aquilo que sempre busquei (festas) era a felicidade então eu queria saber como era a tristeza.                                     
            Mas eu estava completamente enganado, o que encontrei em Jesus, não foi tristeza, e sim alegria e paz. Descobri que Ele havia dado sua vida por mim, então dei minha vida para Ele. E Este me deu sentido e motivação para viver. Hoje já não faço uso de qualquer prática descrita acima, não uso mais qualquer artifício ou subterfúgio para me alegrar, pois Jesus alegrou minha vida, me fez uma pessoa feliz. Hoje levo uma vida pacata e modesta, longe de badalações e até mesmo de muitos “amigos”, mas suficiente para ser quem sou. Hoje coloco minha cabeça no travesseiro, e tenho certeza de que se ele falasse, diria que já não choro mais de desespero, e sim de alegria. 
          Tenho dificuldades, ansiedade e fico triste ainda? Claro que sim, como qualquer ser humano, pois o mesmo Jesus nos havia dito: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo” Jo.16.33, a diferença é que sei onde está meu socorro e refúgio. A diferença é que tenho motivações para lutar, e como lutar, e ao lado de quem lutar. A diferença é que minha vida mudou.                                                                                           
           Já faz oito anos que entreguei minha vida a Cristo e de lá para cá, tenho vivido os anos mais felizes da minha vida, e as palavras não conseguem descrever quem e como sou hoje, pois já não existe desespero...

“Eu sei que eu ainda não sou quem eu deveria ser, mas eu também sei que já não sou quem eu era”. – Martinho Lutero.

Obrigado!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A ECLESIOFOBIA!

          Com certeza esse termo parece estranho ao querido leitor. Podemos dizer que ele é um neologismo (Palavra ou expressão nova – Dic. Aurélio), ou seja, essa palavra pode ainda não ser comum nos dicionários de teologia, mas já existe na prática. Literalmente significa: Do grego ekklesía (igreja) + phóbos (horror); em outras palavras: medo de Igreja. 
Medo de Igreja? Isso mesmo, você não leu errado. Se você leitor é da velha guarda (com bons anos de fé) isso lhe parecerá impossível, mas se você é um jovem, talvez lhe fará sentido. 
          Ao conversar e conviver com alguns jovens (homens e mulheres)  candidatos ao ministério pós-seminário, tive uma surpresa: existem muitos jovens com medo de igreja. Conheço não poucos casos, em que pessoas que se formaram não querem iniciar o ministério pastoral, e outros que chegaram ao extremo, se apostataram da fé. E a pergunta que não quer calar é: Por que tem acontecido isso?                            
          Um das primeiras dificuldades que tem causado medo em muitos jovens pastores é o que concerne a vida finaceira. Muitos temem em passar necessidades com sua família no campo, e acabam por colocar na balança seu chamado em vez acreditar piamente na doutrina da providência divina. Devemos lembrar que antes de dependermos do presbitério e ou da igreja, dependemos exclusivamente de Deus, pois “Ele é o nosso sustento” SL 3.5. 
          Outra dificuldade é a institucional. Quantos visionários saem dos seminários? Creio que todos. Quantos permanecem assim? Somente uma ínfima parte. Quando a realidade chega, o pastor novato vai perceber que a realidade não é tão simples como parece, e que ele não conseguirá mudar o mundo sozinho, pois depende primeiramente de Deus, e depois de uma série fatores, como a própria igreja, o presbitério e a instituição em si. Estes segmentos não podem ser dissociados um dos outros. Mas, para muitos jovens pastores o presbitério é seu “inimigo”, pois este está buscando acima de tudo os números, ou seja, quantos membros tinha quando chegou, e quantos membros terá no final do ano. Essa pergunta realmente causa pavor a aqueles que acham que a instituição conspira contra ele, e se esqueçem de Atos  2.47 “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. Deus acrescentará conforme a vontade Dele as ovelhas que estarão sob nosso cuidado, contudo, devemos nos esmerar diariamente. Assim, o presbitério faz parte de um todo, e não é inimigo do pastor, e sim, seu companheiro. 
          Poderíamos enumerar uma série de “medos” em relação à igreja, mas para encerrar, creio que a renúncia também é determinante. Muitos têm deixado o ministério ou nem entrado nele, pelo fato de ter que renunciar seus “sonhos”, em detrimento do chamado. Sentem-se privados de ter ou ser, e muitas vezes diminuídos perto de um médico ou de outro profissional importante. Billy Graham certa vez recebeu um convite para ser candidato a um cargo político nos USA, ao que ele respondeu: “Você acha que eu teria coragem de me rebaixar a um cargo desses, já que sou Ministro do Evangelho”. Ele realmente mostrava e dava o valor da excelência do ministério. 
          O que temos visto é que infelizmente existe uma desvalorização do chamado e do ministério, e que muitos jovens tem deixado essa benção por medo de não serem “reconhecidos” na sociedade, e desta forma muitos partem para alternativas seculares quando poderiam ser canais de bênçãos para a mesma. Emociono-me quando vejo o Ap. Paulo dizendo: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. At. 20.24. Ele realmente amava seu chamado, e não tinha medo do ministério, qual recebeu de Cristo. Paulo ainda escrevendo a Timóteo diz: “Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. 1Tm 3.1. E se você pastor e ou líder, que tem algum você jovem em sua igreja que deseja ardentemente o ministério, é necessário prepará-lo, experimentá-lo, se possível ser auxiliar em alguma congregação, para depois ir ao seminário, para saber se deparar com os “medos” recorrentes na vida de muitos jovens. 
          Querido leitor, o único medo que devemos ter é de não conseguir completar nossa carreira e não guardar a fé, pois a igreja é uma benção, e dono dela nos diz: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Que Deus cure os “medos” desta geração ansiosa!
Obrigado!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Rodolfo Abrantes (ex-raimundos) no Altas Horas

Ta aí um cara que admiro muito. Já gostava do Rodolfo desde a época do Raimundos, e agora com a vida transformada como a minha, admiro mais ainda. Deixou a fama, o sucesso e o poder, para dar toda glória e honra a Jesus Cristo.
Assista! Deus abencoe grandemente ao @Rodolfoabrantes e banda

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A ESPIRITUALIDADE SEM O ESPÍRITO! (publicado recentemente pelo Jornal Aleluia)


Em pleno século XXI, estamos vendo um grande crescimento das religiões e das religiosidades. O fenômeno religioso pulula diariamente na sociedade que se diz racionalista, cética, agnóstica, evolucionista, desenvolvida, e se queremos ainda, pós-moderna. Assim, vemos que ainda não foi possível a morte de Deus, e que este continua vivo, e representado nas mais diversas formas e conteúdos. Desta forma concordamos com Vieira quando diz:
           
“Um número cada vez maior de pessoas tem procurado redimensionar, em nossos dias, o seu lado religioso e místico, resultado muito provável da ressacralização do Ocidente. Mudam-se as vestes, mas brota a questão urgente da religião e de um desejo profundo de encontrar-se com e, se possível, no sagrado. O homem parece não conseguir desvencilhar-se do velho fascínio pelo evento religioso e mágico. Quando parecia que Deus havia mesmo morrido e que a religião acabaria, novos deuses e demônios e um novo e desconhecido fervor religioso invadiu a sociedade que se imaginava secularizada”[1].

            A não ser nos meios universitários, raramente vemos alguém dizer que é Ateu. E este mesmo ainda assim tem algum tipo de fé, como: Acredita que Deus não existe, logo tem no seu ateísmo. Mas não é sobre estes que nos preocupamos, mas sim, com uma classe que diz “espiritual”. Pesquisas nos dizem que há um grande crescimento da religião e da religiosidade principalmente entre os jovens. O fenômeno religioso tem ganhado uma nova roupagem, sendo ressignificado e abrangendo todas as camadas sociais, desde a elite aos mais pobres. Verifica-se também, uma grande quantidade de literatura sendo publicada e consumida. Em nosso pleito entre os presidenciáveis, vimos o caráter religioso mais uma vez tendo participação com figuras que nada tinham de “espirituais”.
         É comum vermos dizeres em carros, orkuts, msns, como: “O senhor é meu Pastor e nada me faltará”; ou o mais clássico, “Tudo posso naquele que me fortalece”. E quando conversamos com esse tipo de “espiritual” sua linguagem é carregada do jargão religioso: “é benção pura”; “Deus está comigo” etc., e que acaba por legitimar sua expressão como tal. E justamente aqui está o ponto central de nossa reflexão: O paradoxo da Espiritualidade sem o Espírito.
A primeira carta de João cap.2.4 nos diz: “Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade”. Está nascendo uma geração que conhece a Deus somente de ouvir falar, mas que não conseguem verdadeiramente ver a Ele, pois se conhecessem teriam uma nova e transformada vida.
         O Pr. Jeremias Pereira da oitava Igreja Presbiteriana de BH, conta um fato em que um Tenente da PM (membro da sua igreja), foi chamado para conter uma briga entre as torcidas do Atlético e do Cruzeiro. Com a chegada da polícia no local, os torcedores correram para os ônibus, e ao entrar em um, o Tenente teve uma surpresa, depois do quebra-pau estavam todos cantando alegremente: “Entra na minha casa, entra na minha vida, meche com minha estrutura, sara todas as feridas, me ensina a ter santidade....” (música do Régis Danese).
Esse é um dos exemplos que temos visto a expressão de uma espiritualidade sem o espírito. O Profeta Isaías no cap. 29.13 nos adverte: “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído”. Falar de Jesus é muito fácil, qualquer um fala, mas obedecer e ser fiel aos seus mandamentos, é o grande desafio a essa geração que se diz “espiritual”. E a esses o próprio Cristo conheceu e conhece muito bem, e chama-os de Hipócritas e Fariseus, ou seja, aqueles que não vivem o que pregam. Mas o leitor conhece mais prontamente pela versão popular: “Faça o que falo, mas não faça o que eu faço”. A verdadeira espiritualidade consiste em: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” Jo 14.21.
Para que Deus realmente resplandeça em nossa vida, há de convir que de uma mesma fonte não pode jorrar água limpa e água suja, pois o Espírito de Deus não habita em templos (corpos) sujos.

Deus nos abençoe!
*Esse texto foi Publicado recentemente pelo Jornal Aleluia: http://www.iprb.org.br/aleluia/jornalaleluia/jornal-do-mes.htm


[1] VIEIRA, Samuel. O Império gnóstico Contra-Ataca. Ed. Cultura Cristã, 1999. p. 80. São Paulo-SP.

Postagens mais visitadas

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...