sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Por esta os Ateus não esperavam (O Tempora, O Mores)

Um número razoável de cientistas e filósofos ateus ou agnósticos vem em anos recentes engrossando as fileiras daqueles que expressam dúvidas sérias sobre a capacidade da teoria da evolução darwinista para explicar a origem da vida e sua complexidade por meio da seleção natural e da natureza randômica ou aleatória das mutações genéticas necessárias para tal.
Poderíamos citar Anthony Flew, o mais notável intelectual ateísta da Europa e Estados Unidos que no início do século XXI anunciou sua desconversão do ateísmo darwinista e adesão ao teísmo, por causa das evidências de propósito inteligente na natureza. Mais recentemente o biólogo molecular James Shapiro, da Universidade de Chicago, ele mesmo também ateu, publicou o livro Evolution: A View from 21st Century onde desconstrói impiedosamente a evolução darwinista.
 

Thomas Nagel
E agora é a vez de Thomas Nagel, professor de filosofia e direito da Universidade de Nova York, membro da Academia Americana de Artes e Ciências, ganhador de vários prêmios com seus livros sobre filosofia, e um ateu declarado. Ele acaba de publicar o livro Mind & Cosmos (“Mente e Cosmos”) com o provocante subtítulo Why the materialist neo-darwinian conception of nature is almost certainly false (“Por que a concepção neo-darwinista materialista da natureza é quase que certamente falsa”), onde aponta as fragilidades do materialismo naturalista que serve de fundamento para as pretensões neo-darwinistas de construir uma teoria do todo (Não pretendo fazer uma resenha do livro. Para quem lê inglês, indico a excelente resenha feita por William Dembski e o comentário breve de Alvin Plantinga).
Estou mencionando estes intelectuais e cientistas ateus por que quando intelectuais e cientistas cristãos declaram sua desconfiança quanto à evolução darwinista são descartados por serem "religiosos". Então, tá. Mas, e quando os próprios ateus engrossam o coro dos dissidentes?

Neste post eu gostaria apenas de destacar algumas declarações de Nagel no livro que revelam a consciência clara que ele tem de que uma concepção puramente materialista da vida e de seu desenvolvimento, como a evolução darwinista, é incapaz de explicar a realidade como um todo. Embora ele mesmo rejeite no livro a possibilidade de que a realidade exista pelo poder criador de Deus, ele é capaz de enxergar que a vida é mais do que reações químicas baseadas nas leis físicas e descritas pela matemática. A solução que ele oferece – que a mente sempre existiu ao lado da matéria – não tem qualquer comprovação, como ele mesmo admite, mas certamente está mais perto da concepção teísta do que do ateísmo materialista do darwinismo.
Ele deixa claro que sua crítica procede de sua própria análise científica e que mesmo assim não será bem vinda nos círculos acadêmicos:

“O meu ceticismo [quanto ao evolucionismo darwinista] não é baseado numa crença religiosa ou numa alternativa definitiva. É somente a crença de que a evidência científica disponível, apesar do consenso da opinião científica, não exige racionalmente de nós que sujeitemos este ceticismo [a este consenso] neste assunto” (p. 7).
 
“Eu tenho consciência de que dúvidas desta natureza vão parecer um ultraje a muita gente, mas isto é porque quase todo mundo em nossa cultura secular tem sido intimidado a considerar o programa de pesquisa reducionista [do darwinismo] como sacrossanto, sob o argumento de que qualquer outra coisa não pode ser considerada como ciência” (p.7).
Ele profetiza o fim do naturalismo materialista, o fundamento do evolucionismo darwinista:
“Mesmo que o domínio [no campo da ciência] do naturalismo materialista está se aproximando do fim, precisamos ter alguma noção do que pode substitui-lo” (p. 15).
Para ele, quanto mais descobrimos acerca da complexidade da vida, menos plausível se torna a explicação naturalista materialista do darwinismo para sua origem e desenvolvimento:
“Durante muito tempo eu tenho achado difícil de acreditar na explicação materialista de como nós e os demais organismos viemos a existir, inclusive a versão padrão de como o processo evolutivo funciona. Quanto mais detalhes aprendemos acerca da base química da vida e como é intrincado o código genético, mais e mais inacreditável se torna a explicação histórica padrão [do darwinismo]” (p. 5).
“É altamente implausível, de cara, que a vida como a conhecemos seja o resultado da sequência de acidentes físicos junto com o mecanismo da seleção natural” (p. 6).
Não teria havido o tempo necessário para que a vida surgisse e se desenvolvesse debaixo da seleção natural e mutações aleatórias:
“Com relação à evolução, o processo de seleção natural não pode explicar a realidade sem um suprimento adequado de mutações viáveis, e eu acredito que ainda é uma questão aberta se isto poderia ter acontecido no tempo geológico como mero resultado de acidentes químicos, sem a operação de outros fatores determinando e restringindo as formas das variações genéticas” (p. 9).
Nagel surpreendentemente defende os proponentes mais conhecidos do design inteligente:
“Apesar de que escritores como Michael Behe e Stephen Meyer<!--[if !supportFootnotes]-->[1]<!--[endif]--> sejam motivados parcialmente por suas convicções religiosas, os argumentos empíricos que eles oferecem contra a possibilidade da vida e sua história evolutiva serem explicados plenamente somente com base na física e na química são de grande interesse em si mesmos... Os problemas que estes iconoclastas levantam contra o consenso cientifico ortodoxo deveriam ser levados a sério. Eles não merecem a zombaria que têm recebido. É claramente injusta” (p.11).
Num parágrafo quase confessional, Nagel reconhece que lhe falta o sentimento do divino que ele percebe em muitos outros:
“Confesso um pressuposto meu que não tem fundamento, que não considero possível a alternativa do design inteligente como uma opção real – me falta aquele sensus divinitatis [senso do divino] que capacita – na verdade, impele – tantas pessoas a ver no mundo a expressão do propósito divina da mesma maneira que percebem num rosto sorridente a expressão do sentimento humano” (p.12).
Para Nagel, o evolucionismo darwinista, com sua visão materialista e naturalista da realidade, não consegue explicar o que transcende o mundo material, como a mente e tudo que a acompanha:
“Nós e outras criaturas com vida mental somos organismos, e nossa capacidade mental depende aparentemente de nossa constituição física. Portanto, aquilo que explicar a existência de organismos como nós deve explicar também a existência da mente. Mas, se o mental não é em si mesmo somente físico, não pode, então, ser plenamente explicado pela ciência física. E então, como vou argumentar mais adiante, é difícil evitar a conclusão que aqueles aspectos de nossa constituição física que trazem o mental consigo também não podem ser explicados pela ciência física. Se a biologia evolutiva é uma teoria física – como geralmente é considerada – então não pode explicar o aparecimento da consciência e de outros fenômenos que não podem ser reduzidos ao aspecto físico meramente” (p. 15).
“Uma alternativa genuína ao programa reducionista [do darwinismo] irá requerer uma explicação de como a mente e tudo o que a acompanha é inerente ao universo” (p.15).
“Os elementos fundamentais e as leis da física e da química têm sido assumidos para se explicar o comportamento do mundo inanimado. Algo mais é necessário para explicar como podem existir criaturas conscientes e pensantes, cujos corpos e cérebros são feitos destes elementos” (p.20).
Menciono por último a perspicaz observação de Nagel, que se a mente existe porque sobreviveu através da seleção natural, isto é, por ter se tornado na coisa mais esperta para sobreviver, como poderemos confiar nela? E aqui ele cita e concorda com Alvin Plantinga, um filósofo reformado renomado:
“O evolucionismo naturalista provê uma explicação de nossas capacidades [mentais] que mina a confiabilidade delas, e ao fazer isto, mina a si mesmo” (p. 27).
“Eu concordo com Alvin Plantinga que, ao contrário da benevolência divina, a aplicação da teoria da evolução à compreensão de nossas capacidades cognitivas acaba por minar nossa confiança nelas, embora não a destrua por completo. Mecanismos formadores de crenças e que têm uma vantagem seletiva no conflito diário pela sobrevivência não merecem a nossa confiança na construção de explicações teóricas do mundo como um todo... A teoria da evolução deixa a autoridade da razão numa posição muito mais fraca. Especialmente no que se refere à nossa capacidade moral e outras capacidades normativas – nas quais confiamos com frequência para corrigir nossos instintos. Eu concordo com Sharon Street [professora de filosofia na Universidade de Nova York] que uma auto-compreensão evolucionista quase que certamente haveria de requerer que desistíssemos do realismo moral, que é a convicção natural de que nossos juízos morais são verdadeiros ou falsos independentemente de nossas crenças” (p.28).
Não consegui ler Nagel sem lembrar do que a Bíblia diz:
"Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim" (Eclesiastes 3:11).
"De um só Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós" (Atos 17:26-27).
Nagel tem o sensus divinitatis, sim, pois o mesmo é o reflexo da imagem de Deus em cada ser humano, ainda que decaídos como somos. Infelizmente o seu ateísmo o impede de ver aquilo que sua razão e consciência, tateando, já tocaram.
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Fascismo Religioso!

Atenção! Qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência.

            O Fascismo é uma corrente ideológica de extrema-direita que teve início na Itália no séc. XX, mais especificamente com Benito Mussolini. O Fascismo se tornou famoso na Europa no período da Segunda Guerra Mundial, e ganhou forças ao se aliar com o Nazismo de Hitler, tornando-se então o Nazi-fascismo. O Fascismo se tornou tão sedutor que até mesmo aqui no Brasil na Era Vargas, tivemos a inserção do mesmo, com a AIB (Ação Integralista Brasileira) com Plínio Salgado. Sendo assim, o Integralismo no Brasil foi uma “cópia” do Fascismo Italiano.
Em linhas gerais, o Fascismo prega um estado nacionalista, culto ao líder (liderança carismática), uso de símbolos, emblemas e saudações, propaganda massiva, e a repressão militar (totalitarismo). Enfim, para quem quiser saber mais sobre Fascismo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fascismo

A palavra fascismo com o tempo foi associada a qualquer sistema de governo que, de maneira semelhante ao de Benito Mussolini, exalta os homens e usa modernas técnicas de propaganda e censura, fazendo uma severa arregimentação econômica, social e cultural, sustentando-se no nacionalismo e em alguns casos até na xenofobia, privilegiando os nascidos no próprio país, apresentando uma certa apatia ou indiferença para com os imigrantes”.

Fazendo uma leitura do Fascismo e da “Performance Religiosa” de alguns líderes, chego a conclusão mais do que depressa, que estamos vivendo uma espécie de Fascismo Religioso (é claro, salvo as devidas diferenças). Embora crendo que a maioria dos líderes religiosos desconhece o que é um estado nacionalista, na prática percebemos isto muito bem nas igrejas e ou instituições, onde é visível o individualismo, o separatismo e a segregação de irmãos até mesmo do mesmo Credo. Nos consideramos irmãos por comungar da mesma fé (Bíblia e Jesus Cristo), mas na prática é cada um por si e Deus por todos, e o que interessa é se minha igreja e ou denominação-instituição está “crescendo”, não importando se outras estão padecendo, logo a idéia de Cristo de um “Reino de Deus” é uma utopia, pois os FR(Fascistas Religiosos: vamos usar esta sigla para nos referirmos a eles), se importam somente com seus próprios reinos e umbigos.
Outra característica marcante do Fascismo é o culto ao líder. Essa quem sabe é a mais fácil de ser identificada hoje em dia na maioria das igrejas (católica, protestante etc., etc.). O líder tem buscado para si holofote e um patamar superior aos dos demais irmãos, e hoje mais parecem os sacerdotes do Antigo Testamento, em que o povo dependia deles para se relacionar com Deus. Os “FR” estão acabando com a doutrina do sacerdócio universal, e estão se colocando como os novos mediadores entre Deus e os homens, pois a eles foi dado o “Poder, Unção, Revelação, etc.”. Os “FR” geralmente são bonachões, simpaticíssimos, cordiais, “muito espirituais”, eloquentes e visionários. “O líder fascista foi em regra um ator exagerado, procurando seduzir as massas populares para o seu papel messiânico”. Com o álibi da “Honra”, os “FR” tem sistematicamente implantando na cabeça de seus membros, que os mesmos devem “honrá-los” a todo e qualquer custo, chegando a beira do ridículo e da náusea. As vítimas dos “FR” estão endeusando e cultuando seus líderes de tal forma, que as vezes fico me perguntando se de fato a glória é mesmo de Deus.
O Fascismo também conta com o uso de  símbolos, emblemas e saudações. No Fascismo Italiano o símbolo era o Feixe, na AIB era o Sigma grego com a saudação Anauê, e no Nazismo a suástica, com a saudação Heil mein Führer. Todos estes com a mão direita levantada e a palma da mão para baixo. Os símbolos e emblemas não é o forte dos “FR”, embora alguns utilizam alguns que caracterizem algum tipo de espiritualidade (arcas da aliança, broches, cruz, castiçais (menorah), estrelas de Davi, mantos judaicos, estolas medievais, chapéus etc..), há alguns usando até quipá agora rs... (e diga-se de passagem, dizem que não são judeus). Mas a saudação é um item indispensável para todo bom “FR”, pois precisam ouvir quem são para se auto-afirmarem. Mas infelizmente, algumas nomenclaturas (títulos) que até pouco tempo eram considerados importantes, caiu em desuso, como Pastor e Missionário. Agora, ser pastor é coisa do passado, a moda agora é ser Apóstolo, Bispo, Arcebispo, Pai-póstolo (existe?), Patriarca (achei que era só Abraão, Isaac e Jacó), Reverendo, Papa, etc., etc.. Sei de um caso em que um jovem seminarista amigo meu chegou em sua igreja e foi cumprimentar seu pastor, e pela sua infelicidade, não sabia que o mesmo agora era Apóstolo, ao que respondeu: “Pastor não. Agora eu sou Apóstolo!”, e por ai vai...
Os itens do parágrafo acima são acompanhados por outra característica também Fascista, a propaganda em massa. Os “FR” tem a mídia como aliada, e não medem esforços nem investimentos para que seu nome apareça em DVD, CD, Banners, Outdoors, Folders, Midias Sociais, e sem esquecer a caixa quadrada de Led. Assim, quanto mais propaganda, mais os “FR” ficam conhecidos e adquirem status e poder. Goebbels que o diga...
A característica mais perigosa do Fascismo (repressão militar) é também a mais perigosa arma dos “FR”. Mas ao contrário dos Fascistas que matavam o corpo, os “FR” matam a alma. Acreditam que Jesus conferiu a eles, o mesmo que ao Apóstolo Pedro “O que ligardes na terra, será ligado nos céus. E o que desligardes na terra, será desligado no céu” Mt. 18.18. Assim, os “FR” praticam uma repressão religiosa, um Totalitarismo religioso e quem ousar discordar dos seus ditames e caprichos podem estar beirando a porta do inferno. Não poucas vezes vi “FR” dizendo que não abençoaria a saída de membros de suas igrejas, e que estes estariam debaixo de maldição, pelo simples fato “dele” ter o poder de abençoar ou não. Não acredito que tais líderes estejam investidos da graça e unção de Deus. As vítimas dos “FR” geralmente se sentem coagidas e amedrontadas, pois temem “se levantar contra os ungidos de Deus” (esse é um dos versículos preferidos deles). E desta forma continuam debaixo do jugo imposto por eles, e preferem sofrer com a seguinte desculpa: “Eu não estou olhando para o homem, mas para Jesus”, e parafraseando um amigo “Se eu não ver Jesus na vida do meu irmão ou líder, onde é que eu vou ver?”.
Os “FR” têm criado muitas feridas religiosas em seus liderados. Muitos hoje têm trauma de igreja, porque um dia sofreram na mão de algum “FR”. Outros ainda não se acham mais dignos de voltar à comunhão (acreditam que estão perdidos para sempre), por que os tais um dia os excluíram; outros ainda acreditam que “as coisas não estão dando certo na vida”, porque um “FR” amaldiçoou a saída dele da igreja.
Se você faz parte de alguma comunidade religiosa (de qualquer ordem), e percebe essas características em seu líder, tome cuidado, você está correndo perigo. Aconselho-te que você corra rapidamente as páginas do Novo Testamento para perceber que isso não tem nada de novo, e que o nosso Senhor Jesus Cristo já havia nos alertado “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”. Mt. 24:24.; e ainda,  Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores”. Mt. 7:15.
A notícia boa é que você não está sozinho, e que o próprio Deus havia dito ao profeta Elias, que “ainda existiam 7mil que não haviam se dobrado a baal”. Assim, creio piamente que da mesma forma que existem muitos “FR” por ai, ainda existem muitos homens e mulheres de Deus, que pregam o evangelho pelo evangelho, não buscando qualquer recompensa a não ser a eterna (que, aliás, foi prometida pelo próprio Senhor). Se existem os maus líderes, é que também existem os bons.
 Jesus nos deu vida e vida com abundância, e não um novo fardo, “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Mt. 11:29 Amém!

Obrigado Senhor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O LÍDER, E OS DESAFIOS DA PÓS-MODERNIDADE


"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."  (João 8 : 32).

 

         A idéia ou conceito de “Pós-modernidade” ainda não é consenso entre os pensadores (educadores, filósofos, historiadores etc.), todavia a cada dia cresce a “adesão” a essa corrente que sorrateiramente tem se alojado em nosso meio. O termo pós-modernidade foi empregado pela primeira vez na década de 30, pois segundo os pensadores da época, o mundo estava vivendo um processo de transição. Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, o mundo teve pelo menos quatro “grandes” modelos ou paradigmas que norteavam a humanidade, como: Capitalismo, Comunismo (socialismo), Fascismo Italiano e o Nazismo Alemão.
     Terminada a guerra, ficou provado que o Nazi-fascismo foi uma desgraça para o mundo, logo foi eliminado e restando por vez o Capitalismo e Comunismo, dando início a chamada “Guerra Fria”. Ao final da década de 60 e início de 70 houve a chamada Crise dos Paradigmas do mundo, e a partir daqui o termo pós-modernidade ganha atenção generalizada, tornando-se uma resposta as crises que o século XX enfrentou.                        O Pós-modernismo é uma rejeição ao projeto Iluminista (movimento filosófico do séc. XVIII), que defendia a racionalidade, progresso e objetividade da ciência e da natureza. Segundo os pensadores pós-modernos o mundo está vivendo um processo de relativização de tudo, ciência, natureza, ser humano, religião etc. Logo, existe um pessimismo tomando conta do mundo, por não existir segundo eles, uma verdade absoluta.

A pergunta do líder: E o que a pós-modernidade tem haver comigo?

        O líder “antenado”, perceberá que existem alguns desafios que sutilmente estão ao nosso redor. Quem sabe não percebemos isso no ambiente e ou comunidade da igreja, mas estamos inseridos em círculos de amizades, trabalho, faculdade, mídia, enfim, no contexto cultural que vivemos, o pós-modernismo está bem presente. 
     Exemplo: Para você líder, a palavra de Deus é a verdade? Certamente que sim, mas para o pós-modernismo não. Para o pós-modernismo, a palavra de Deus é a minha verdade, a verdade da minha comunidade (igreja), mas não a Verdade com V maiúsculo, para o mundo. Ora, está mais do que claro que se a palavra de Deus (que para nós é a verdade) está sendo relativizada para o mundo, de fato a pós-modernidade é um grande desafio para o líder que é fiel as escrituras e comprometido com os valores do Reino de Deus.                                                                         
     Das várias características que constroem a pós-modernidade, refletiremos somente acerca de duas (pois senão o texto se tornaria muito longo), tornando-as como desafios a nós líderes:

1. O desafio da relativização da verdade:
 
Nos sábados de manhã você liga a televisão e vê programas evangélicos, com conteúdos que vão desde reformados a neo-pentecostais, e quando termina a programação você fica com a seguinte pergunta? Quem é que está certo? Os Reformados? Os Pentecostais? Os Neo-pentecostais? Os G12? Espera ai, a base para todos não é a mesma, ou seja, a bíblia sagrada? Sim! E por que então temos toda esta divergência? Por que estamos relativizando a verdade, e em vez de retornarmos as escrituras como ela é, estamos arrumando um “jeitinho brasileiro” para encaixar nossas idéias, que na maioria das vezes são incompatíveis com a palavra de Deus. Jesus Cristo já havia nos alertado: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."  (Jo. 8 : 32).

Se o mundo, dito pós-moderno está vivendo uma crise da “verdade”, ou seja, não existe uma verdade absoluta, nós líderes mais do que nunca, devemos nos agarrar na verdade que é a palavra de Deus.  Um dos lemas da reforma Sola scriptura parece que caiu em desuso, e líderes usam as escrituras a seu bel prazer, interpretando-a conforme a ocasião e necessidade. É aqui que infelizmente recebemos uma característica da pós-modernidade: a relativização da verdade. Lutero nos diz: Paz se possível, mas a verdade a qualquer custo”. 
Nestes últimos dias da igreja na terra, o que realmente vai fazer a diferença não são as “verdades recebidas por revelação” (geralmente isto só acontece para uma seleta classe...), mas a palavra de Deus, assim como ela é, no Sim Sim, e no Não Não.

2. O desafio da construção da identidade (Identidade Líquida):

Segundo os pensadores pós-modernos (como Zigmunt Bauman), o homem está se moldando a qualquer ambiente ou cultura, chamando isto de identidade líquida. É como você pegar água e colocar em um recipiente redondo, logo ela se tornará redonda, num quadrado, quadrada e por ai vai. 
Já é claro para todo mundo que nós Presbiterianos Renovados não somos homogêneos nem na doutrina (reformada) nem na liturgia, nem..., deixa pra lá. O que aconteceu foi que cada líder se dirigiu a um porto nem sempre seguro. Parafraseando: “E quando um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável” (autor anônimo). É claro que nosso maior referencial é Jesus Cristo, mas na prática não parece. Pois as vezes estamos parecendo Marcos Felicianos, Renes Terras Novas etc.. (é só um exemplo, não levem a mal). Estamos nos identificando com os “ícones” desta geração e construindo nossa identidade e teologia em cima dos mesmos, estamos parecendo não os soldadinhos de Jesus, mas dos fulanos e dos cicranos. E a quem poderíamos imitar que se colocou como referência a nós (Apóstolo Paulo) não imitamos: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (ICo. 11.1). Mas a outros, parece que alguns imitam e diga-se de passagem, muito bem.
A identidade líquida como se não bastasse, criou o que eu chamo de Líder Status e Líder Mercado. Ser líder hoje não é de todo ruim, pois se tornar líder pode me dar uma ascensão, e nesse caso religiosa, que eu talvez não conquistaria nos meios seculares. Exemplo: Você com certeza já ouviu a velha profecia sobre ministério: “Eis que te chamo para uma GRANDE obra. Você será conhecido internacionalmente, e viajará para os quatro cantos do mundo. Te colocarei entre os grandes, e você será cabeça e não cauda” Não estou dizendo que isto é impossível a Deus, o que quero salientar é que ser Líder pode me trazer um Status que eu com meus próprios esforços eu nunca conseguiria, mas agora a igreja (liderança) pode me dar esta possibilidade. Imagina: Eu, Jean Carlos do interior do MT, de uma cidadezinha de 30 mil habitantes se tornar famoso no mundo todo? Isso é bom de mais... Bom para meu ego, mas não para a glória de Deus. 
E o Líder Mercado está atrelado ao Líder Status, ou seja é a conseqüência do primeiro. É comum você ver cantores, pregadores etc., dando os sofridos testemunhos que passaram fome e todo tipo de privações possíveis, não é mesmo? Mas estes mesmo quando ganharam Status, passaram a ter uma conduta bem diferente de seu chamado inicial, pois quando são convidados a cantar e ou ministrar cobram absurdas quantias, absurdas mesmo. A poucos dias ouvi que um “cantor evangélico” está cobrando 80 mil reais por show, eu disse 80 mil. Fala sério, isso é “fazer a obra?”. Concordo plenamente que “Digno é o obreiro do seu salário”, que ele tem despesas, família para cuidar, músicos, instrumentos etc. Mas isto é abusivo, é se tornar um líder mercado. Sou contra também igrejas que agem de má fé, fazem seus convites e despede o obreiro com o singelo “Deus abençoe”. Devemos aprender a honrar nossos obreiros, e ofertar na vida deles “uma medida recalcada, sacudida e transbordante”, mas sem abusos.
Enfim, para que quero ser líder? Para Status? Mercado? Ou para carregar a cruz? Paulo aconselhando a Timóteo a ser um verdadeiro líder: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo."  (II Timóteo 2 : 3). Tenho sérias dúvidas em relação a motivação de alguns líderes das igrejas brasileira, se estão servindo a Cristo por amor, ou por vanglória. 
A pós-modernidade pode ser um perigo para quem não tem Cristo como referência, pois se assim fosse, seríamos de fato Cristãos, ou seja, cópias de Cristo. Já que estamos vivendo momentos flutuantes nesta era pós-moderna, a palavra de Deus é a chave para preencher a lacuna e o vazio existencial do mundo. A pós-modernidade pode nos ensinar a ter uma “identidade líquida”, uma que só se molda na palavra de Deus.
Obrigado!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A NECESSIDADE DE PODER!


          Um dia quando estava pescando, parei para pensar nos gestos, falas e reações que tinha ao pegar um peixe, exemplo: (hahaha te peguei safado, sabia que você não escaparia, hahaha, pode avisar seus irmãos que vou pegar eles também!), isso somado a toda euforia e êxtase possível. Já imaginou a cena? E se o peixe tivesse raciocínio ele diria, quem é esse maluco? 
         Assim, comecei a me perguntar por que eu gostava de pescar? E a partir desta indagação nasceram outras perguntas semelhantes, como: Por que os homens gostam de caçar? Por que os homens gostam de parecerem fortes, musculosos ou lutadores? Por que os homens gostam de carros potentes e velozes? Por que os homens gostam de ostentar riqueza e status social? Por que as mulheres gostam de parecerem “turbinadas”, ou seja, siliconadas a ponto de serem chamadas de adjetivos como, gostosas etc.? 
        Recorrendo a psicologia encontrei um Österreicher (austríaco) chamado Alfred Adler, que elaborou um conceito muito interessante chamado, “A necessidade de Poder”. Segundo Adler o homem (ser humano) diariamente precisa do outro para se auto-afirmar, ou seja, eu me completo com o outro. Não que eu dependa necessariamente do outro, mas que para eu ser quem eu sou preciso de espectadores, ou seja, eu brincar sozinho não tem graça. Mas quando mostro meus “brinquedos” ao outro, recebo dele o que justamente preciso para me sentir bem, o famoso UAUUUU. E quando recebo o desejado Uau, eu me realizo, e isso me torna aceito com meus pares, e enfim, me sinto poderoso, e a necessidade de poder que tenho é satisfeita.                     
       A partir disso, quando olho para as relações sociais de homens e mulheres de toda classe social e faixa etária, percebo que a necessidade de poder está mais presente na humanidade do que se imagina. Já cheguei a ouvir de um jovem: se para “fazer moral é preciso usar drogas, então vou usar essa p....”. O que é fazer moral? Me explica por favor! Esse é só um dos vários exemplos que se pode perceber, na famosa “Sociedade do Espetáculo”. Essa sociedade está sendo formada por pessoas que precisam utilizar-se de qualquer mecanismo ou futilidade para parecer e ser aceito: Status (de qualquer tipo, de qualquer mesmo); Força (o UFC é uma prova disso); Sexualidade (precisa comentar?); Dinheiro (mesmo que não tiver, faz parecer ter); Objetos (carro, casa, celular, roupa de grife etc.); e até mesmo o conhecimento (a busca pelo conhecimento é uma forma de poder, eis a velha máxima: “saber é poder”).    
          Enfim, vivo não para mim, mas para o outro. O importante é o que os outros vão pensar e falar, e que falem bem (por favor). É mais ou menos assim: “Cara você viu o carro que o fulano comprou? Vi sim, que loco meu, ele é muito fera... Se eu tivesse um carro daquele ein...”; ou ainda: “Você viu a bolsa que a fulana comprou? Nossa, você não sabe quanto ela pagou? Foi 2.500r$, nossssa, ai que sonho..., ai se eu tivesse uma!” A pergunta é: O que mudaria? Faria o ser humano mais feliz, realizado ou completo? De forma alguma, continuaria o mesmo, quem sabe até pior, a relevância é que receberei o que preciso para viver, meu sonhado Uauuu, e quando o recebo, me sinto poderoso(a).    
        O poder sempre foi um bichinho que existiu no inconsciente coletivo da humanidade. Por ele, reinos existiram e se extinguiram; religiões se digladiaram; filósofos travaram acirradas disputas; mulheres entraram e saíram da História; e o Nazismo quase.... Existe um velho ditado: “Quer conhecer alguém, dê poder a ele”, existe um outro verdadeiro: “Deus não dá asa a cobra”. É comum você ver pessoas comendo “ovo e arrotando caviar”, ou seja, precisam sempre parecer, porque isso é o importante. A grande mola propulsora deste tipo de atitude chama-se MÍDIA, e o que a caixinha quadrada (televisão)  me diz, “digo sim senhor, não senhor”. A grande maioria da humanidade é o seu produto final. 
      Infelizmente isso irá continuar, mas cabe a mim e a você decidir quais são nossas prioridades, e o que de fato preciso para viver, e me sentir bem. Já imaginou a possibilidade de só nos sentirmos poderosos quando estivermos fazendo o bem ao próximo? A Justiça e equidade? A verdade e a ética? O Amor e a compaixão? Me desculpe, mas eu ainda acredito em valores eternos, ainda que pareçam utopias. Confesso, tenho uma necessidade de poder: Poder ser, e não parecer...

“Eu sei que ainda não sou quem eu deveria ser, mas também sei que não sou quem eu era” – Martinho Lutero.

Obrigado!

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